Gaudium news > “A espiritualidade quaresmal: remédio que cura, luz que transforma, fonte inesgotável de misericórdia e esperança”, afirma o arcebispo de Londrina

“A espiritualidade quaresmal: remédio que cura, luz que transforma, fonte inesgotável de misericórdia e esperança”, afirma o arcebispo de Londrina

Londrina – Paraná (Segunda-Feira, 10/03/2014, Gaudium Press) “Quaresma, um caminho de fé”. Este é o título do artigo de dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, no Estado do Paraná, em que ele afirma que a Quaresma é um tempo especial porque nos coloca em contato com o centro, o coração, a essência da fé cristã. “Deus amou tanto o mundo a ponto de dar o seu Filho Unigênito” (Jo 3, 15).

Segundo ele, na Quaresma somos convidados a percorrer o caminho da paixão do Senhor e realizar uma romaria para dentro de nós mesmos. “É uma via-sacra, uma procissão, uma peregrinação da fé e de conhecimento interno do amor de Deus. Trata-se de um retiro espiritual”, salienta.

O prelado enfatiza que são muitas as maneiras de vivermos espiritualmente a Quaresma. Para ele, a primeira delas está em ter olhos fixos em Jesus, através dos santos evangelhos da paixão do Senhor. “Eles mexem com o nosso pensar, sentir e agir. São uma catequese que nos faz perceber mais profundamente quem somos nós, quem é Deus, o que é o pecado e a liberdade, o que é fé e salvação. Tudo isso está consignado na confissão de fé do centurião romano: ‘Este homem era realmente o Filho de Deus'”, completa.

Outra maneira de vivermos cristãmente a Quaresma, de acordo com arcebispo, consiste na prática da oração, do jejum, da esmola, que nos levam a confessar e reparar nossos pecados e a amarmos Deus de todo coração e a nossos irmãos como Cristo nos amou. Ele explica que a Quaresma nos atrai para o alto, para o bem, para a graça, para a mudança de vida, para uma nova mentalidade e novo jeito de viver.

“Quaresma não significa tristeza, sisudez, culpa, mas, descoberta, encantamento e seguimento do caminho de Jesus. Acertar nossos passos com os seus passos, nossos pensamentos e sentimentos com os seus. Este tempo quaresmal nos concede a chance de entrarmos em contato mais consciente com a “paixão do mundo”, o sofrimento humano, diante do qual não podemos nos omitir e nem somente protestar”, destaca.

Dom Orlando ainda ressalta que a paixão de Jesus continua na história da humanidade e isso suscita em nós sentimento de compaixão pelo mundo. O prelado lembra que somos tocados, afetados e envolvidos pela dor humana, tornamo-nos solidários dos irmãos e nos propondo a ser seus Cirineus, carregadores de seus fardos.

Além disso, o arcebispo reforça que a espiritualidade quaresmal é um remédio que cura, uma luz que transforma, aquece e ilumina, uma fonte inesgotável e transbordante de misericórdia e esperança, um verdadeiro útero regenerador. “Nos colocamos frente a frente conosco mesmos, com os outros, com Deus. Quaresma é um caminho que leva a estes encontros. O coração transpassado do Senhor simboliza o oceano do amor de Deus, a fonte, o rio, a cascata que testemunham a ternura, o carinho, a bondade de Deus e sua compaixão. Nossos corações também se dilatam, nossos olhos se abrem, nossos braços se erguem tocados por tanto amor.”

Por fim, dom Orlando avalia que seria bom se a Quaresma aumentasse em nós o amor do discípulo amado, as lágrimas de arrependimento de Pedro, a sensibilidade de Verônica, a conversão do centurião, a solidariedade das filhas de Jerusalém, o desejo do bom ladrão, a compaixão de Cirineu, a fé de Maria, a nobreza de José de Arimateia.

Todavia, para o prelado, a maior graça da Quaresma é a fascinação por Jesus Cristo, pois como não sentir arrebatamento diante de sua atitude filial na paixão, sua delicadeza com as pessoas, seus conselhos e palavras consoladoras, seu humanismo e seu jeito tão humano de expressar os sentimentos e emoções ao Pai e às pessoas.

“Estamos no Ano da fé. Toda a vida de Jesus foi uma confissão de fé no amor do Pai, uma obediência filiar, um cumprimento das Escrituras, uma realização da vontade de Deus. Jesus é o caminho que encontramos através da porta da fé. Uma quaresma vivida na fé é um caminho que nos leva longe, muda rotas, abre horizontes, recria vidas”, conclui. (FB)

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