Por que os católicos jejuam e se abstêm de carne?
Atlanta – Estados Unidos (Quarta-feira, 05-03-2014, Gaudium Press) O tempo da Quaresma, que começa nesta quarta-feira de cinzas, 05 de março, é um tempo penitencial dedicado ao fomento da conversão e da adequada preparação para a celebração do Tríduo Pascal. Neste momento, duas práticas penitenciais se destacam especialmente: jejum e abstinência. Para explicar o sentido dessas práticas, o diácono norte-americano Mike Bickerstaff, que exerce o seu ministério na Arquidiocese de Atlanta (EUA), resumiu em um artigo os benefícios espirituais de tais prescrições.
“A mensagem do Evangelho é de abnegação e desprendimento de todas as coisas que são um obstáculo para o nosso crescimento”, recordou o Diácono Bickerstaff. “Por isso que nós católicos praticamos o jejum e a abstinência como uma forma de negação pessoal que visa levar-nos à perfeição”.
O jejum e abstinência na vida da Igreja
Antes de entrar no tema, o Diácono recordou as regras da Igreja sobre o jejum e a abstinência. “A Igreja exige que seus membros jejuem dois dias por ano: na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa”. Sobre este jejum a norma norte-americana é que seja tomada apenas uma refeição completa, embora possa-se tomar algum alimento adicional em outros momentos que não cheguem a somar no total uma refeição completa. A abstinência de carne está prescrita para cada sexta-feira do ano, embora em vários lugares possa ser substituída por outro sacrifício fora do tempo da Quaresma.
“Isso é tudo!”, exclamou o Diácono. “E muitos de nós esperam o relógio avançar para a meia-noite, para que poder comer um sanduíche”, criticou. “Nós temos que mudar o nosso pensamento porque apetites descontrolados só nos fazem mais esfomeados e insaciáveis”. Por detrás do fato de diminuir a comida ou não comer carne existe um significado espiritual que deve ser procurado para aproveitar os benefícios dessas práticas.
Sobre o espírito de sacrifício que está por trás do jejum e da abstinência, Bickerstaff explicou que o que a Igreja pede é “renunciar algo que é bom, seja comida ou qualquer outro bem, a fim de aprofundar nossa vida espiritual e fazer atos de reparação pelos nossos pecados ou pelos pecados dos outros”. As práticas de sacrifício como o jejum e a abstinência têm uma longa história na Igreja, inclusive na época do próprio Jesus, que jejuou por 40 dias, em preparação à sua vida pública, de onde se originou a prática da Quaresma.
Recuperar a integridade
O jejum, unido a oração e a esmola, faz parte das práticas espirituais que “dominam materialmente e controlam os apetites físicos do corpo” e “nos ajudam, pela graça de Deus, a fazer com que a alma seja capaz de rezar mais plenamente e com mais liberdade”, explicou o diácono. Desta forma “conduz a uma maior união com Deus” e possibilita uma melhor administração da criação e uma maior entrega de caridade com o próximo.
Referindo-se à necessidade do sacrifício depois do pecado original, Bickerstaff recordou que Adão e Eva perderam pelo pecado o dom de integridade. “Alguma vez você já sentiu que simplesmente não pode fazer o que quer, ou conhecer o que deveria fazer, e em vez disso acaba fazendo o que não quer fazer?”, questionou o Diácono. “São Paulo fala disto em sua Epístola aos Romanos”. Por causa da inclinação para o mal, que todos os seres humanos sofrem, o homem deve controlar a concupiscência corporal, que é o impulso de satisfazer indiscriminadamente os apetites do corpo e buscar o prazer ainda que a razão indique que não é apropriado.
O sacrifício, neste caso o jejum e a abstinência, busca restaurar a integridade. “A integridade nos ajuda a fazer atos de vontade que em nossa liberdade são razoáveis”, comentou Bickerstaff. “A integridade nos ajuda a equilibrar o corpo e a alma para o nosso bem”. Agora, a prática das virtudes, especialmente a temperança, é necessária para substituir os maus hábitos. “Negar intencionalmente ao corpo, mesmo as coisas boas é uma forma de treinamento espiritual para este fim, da mesma forma como um músico se torna melhor renunciando coisas boas para praticar seu instrumento ou como um atleta que deixa de lado o tempo e as refeições para treinar seu corpo para ser excelente sob pressão física e mental”, explicou.
“Este é um ensinamento puro do Evangelho, deixar essas coisas, inclusive boas, que tendem a ser um obstáculo para a nossa santificação”, recordou Bickerstaff. Desta forma se impede que o criado tome o lugar de Deus na vida dos fiéis e se satisfaça no lugar da fome corporal as profundas necessidades do espírito. “Porque só Deus, não as coisas do mundo, podem satisfazer a fome mais profunda da alma humana”. (GPE/EPC)





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