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“Só o amor a Deus, nos transforma em sal da terra e luz do mundo”, afirma o bispo de Frederico Westphalen

Frederico Westphalen – Rio Grande do Sul (Sexta-Feira, 07/02/2014, Gaudium Press) Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo da diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, escreveu o artigo “Viver a comunhão”, em que ele reflete sobre a importância de viver em comunhão com as outras pessoas, sobretudo com as mais carentes. Ele inicia o texto, afirmando que os problemas das pessoas não mudam radicalmente de um momento para o outro, porque o homem é sempre o mesmo, com as suas riquezas e também com as más tendências.

O bispo salienta que o profeta Isaías, na leitura que será lida neste domingo (Isaías 58, 7-10), lamenta que o Povo de Deus se tenha refugiado numa falsa piedade e abandonado o respeito e o amor ao próximo. Por isso, o profeta sente-se urgido a pregar: “Eis o que diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa a quem viste andar despido e não voltes as costas ao teu semelhante”.

“Uma tentação que nos acompanha constantemente é a de fugir ao que custa. Num primeiro momento, procuramos encontrar desculpas, para gozar de uma falsa paz. Depois, entra a rotina neste modo de ser. Ficamos apenas em práticas de religiosidade esvaziadas de alma e fugimos daquilo que exige de nós sacrifício. Fechamo-nos em uma religiosidade individual, como se cada um de nós fosse uma ilha isolada no mar imenso da humanidade. É preciso regressar quanto antes ao bom caminho, vivendo a comunhão com as outras pessoas, sobretudo as mais carentes”, avalia o prelado.

De acordo com dom Antônio, tem este sentido a promessa de Isaías: “Então, a tua luz despontará como a aurora, e as tuas chagas não tardarão a sarar. A tua justiça andará à tua frente, e atrás de ti, a glória do Senhor”. Ele explica que muitas vezes sentimos dificuldades em progredir na santidade pessoal, em corrigir os nossos defeitos e vencer as tentações, e talvez isto aconteça porque falta à nossa piedade a dimensão horizontal.

“O Senhor chamou-nos para fazer parte duma família – a dos filhos de Deus – e só nesta condição nos podemos santificar: preocupando-nos com os outros, alargando o círculo das nossas amizades, ajudando-nos mutuamente a caminhar sem que ninguém fique para trás. A eficácia da nossa oração está também condicionada por este estilo de vida”, diz.

Ainda segundo o bispo, Deus se voltará para nós, quando orarmos, na medida em que nos voltarmos para os outros, sendo sensíveis às suas carências e dificuldades. “Então, se chamares, o Senhor responderá, se apelares para ele, dir-te-á: Estou aqui”. Para dom Antônio, se quisermos ser atendidos, devemos atender primeiro, generosamente, os que estão ao nosso lado.

Ao comentar sobre o Evangelho deste Domingo (Mateus 5,13-16), em que o discípulo de Jesus Cristo é sal da terra e luz do mundo, o prelado afirma que é possível verificar que, na prática, restringimos a nossa vocação e missão de anunciar as verdades da fé. Conforme ele, há, de fato, uma grande carência de doutrina nas pessoas, mas há também uma grande carência de Amor.

“O Senhor resume toda a vida do cristão em duas palavras: sal – testemunho de vida – e luz – anúncio da Boa Nova, com a Palavra de Deus. A nossa vocação é dar gosto às atividades mais rotineiras, saber e ajudar os outros a descobrir o brilho divino que há nas coisas mais comuns. Só o amor a Deus, vivido na caridade para com os outros, nos transforma neste sal. As pessoas já não se convencem com palavras sonantes, com belas ideias”, ressalta.

Dom Antônio volta ao profeta Isaías: “Se afastares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do que é teu ao esfomeado e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite ficará como o meio-dia”. Ele então questiona: Para que serviria o nosso cristianismo, se o não procurássemos viver com toda a exigência e com amor? “Mas, se o sal perder o sabor, com que há de ele salgar-se? Já não serve para nada; só presta para se deitar fora e ser pisado pelos homens.”

Para o bispo, aqui podemos encontrar alguma explicação para a falta de interesse de algumas pessoas pelo cristianismo. Segundo ele, somos enviados a ser luz, anunciando a Palavra Deus, pois disse Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa a todos os povos”. O prelado enfatiza que os primeiros cristãos entenderam perfeitamente este mandato, e somente depois, com o cansaço que vem ao longo da caminhada, se começou a pensar que a evangelização é encargo apenas de alguns privilegiados.

Faz-nos estremecer a Palavra de Jesus Cristo: “Não se pode esconder uma cidade situada num monte, nem se acende uma lâmpada para se pôr debaixo do alqueire, mas no candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa”.

Por fim, dom Antônio destaca que seremos luz também – e de modo indispensável – pelo bom exemplo que damos, pela seriedade coerente com que tratamos das tarefas de cada dia, na família, no trabalho, nas amizades. O bispo acredita que quando fala da necessidade de espalhar luz, o Mestre fala também das nossas boas obras.

“Com amor à Eucaristia procuremos conduzir as pessoas à Eucaristia Dominical, ajudando-as a vivencia-la de modo que participem ativamente na Celebração. Para que recomecem de verdade uma vida cristã, terão necessidade de recorrer também diligentemente ao Sacramento da Reconciliação e Penitência. Que Nossa Senhora nos ajude e ensine a sermos cada vez mais sal da terra e luz do mundo”, conclui. (FB)

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