Gaudium news > "Não podemos continuar justificando o mal nem invertendo os valores, ou seja, amar o mal e odiar o bem", afirma o arcebispo de Londrina

"Não podemos continuar justificando o mal nem invertendo os valores, ou seja, amar o mal e odiar o bem", afirma o arcebispo de Londrina

Londrina – Paraná (Segunda-Feira, 03/02/2014, Gaudium Press) Dom Orlando Brandes, arcebispo da arquidiocese de Londrina, no Estado do Paraná, em seu mais recente artigo refletiu sobras três perguntas que se encontram no salmo 4: Por quê fechais o coração?, Por quê amais a ilusão? e Por quê buscais a falsidade? Para ele, essas são perguntas em vista das nossas opções e nossa liberdade, além de tocarem nossa consciência e nossos projetos de vida.

Com relação a primeira pergunta – Por quê fechais o coração? -, o prelado afirma que os patriarcas e profetas, os homens de Deus sempre ensinaram: “Não fecheis o vosso coração, mas ouvi a Voz do Senhor”. Segundo dom Orlando, fechar o coração significa rejeitar, resistir, desacreditar do amor de Deus, é o pecado da incredulidade, da rebelião, da desobediência que vem desde Adão até hoje.

“Fechar o coração é fechar qualquer possibilidade de diálogo, de resposta, de acolhimento da revelação de Deus. Assim é o coração de pedra, não aceita a salvação, não se deixa amar, petrifica-se. Um coração fechado a Deus, também não abrirá sua porta ao próximo e será surdo à voz da consciência. Quando este fechamento permanece até na hora da morte, estamos diante de uma ‘impenitência final’. O coração fechado não permite Deus salvar”, ressalva.

Ainda de acordo com o arcebispo, desse fechamento origina-se o inferno que é a opção fundamental de não aceitar Deus, nem seu amor, sua graça, sua salvação. Ele explica que o coração fechado é aquele que não consegue perdoar, compreender, servir, que transforma-se num lixeiro. “‘É do coração que saem ambições, malícia, devassidão, inveja, difamação, arrogância’ (cf Mc 7,21-22). Um coração que se abre, torna-se um coração de carne, isto é, bom, humilde, aberto, solidário, generoso, fiel.”

Já no que diz respeito a segunda pergunta – Por quê amais a ilusão? -, o prelado destaca que esta é uma experiência universal, experiência frustrante, decepcionante, enganadora, pois a maior parte de nossa vida é ilusão, ilusões da idade, da sociedade, da cultura e do tempo, diz o salmista.

“Ilusões é que não faltam. Os santos pedem a Deus: ‘Senhor tira meus enganos’: amar a ilusão, é amar o nada, a vaidade, o fracasso, enfim, é amar os ídolos que fabricamos. Como é difícil a gente desapegar-se das ilusões. Elas são fascinantes, atraentes, envolventes. Peçamos a Deus o dom do discernimento, para não sermos tentados a colocar nossa segurança nas ilusões. Muitas vezes Deus usa a ‘terapia do choque’ para que descubramos e abandonemos as ilusões”, completa.

Por fim, com relação a terceira pergunta – Por quê buscais a falsidade? -, dom Orlando salienta que a mente humana tende para a verdade, pois quando buscamos a falsidade significa que estamos invertendo os valores. Conforme ele, elegemos a fraude, a mentira, a corrupção como filosofia de vida, e em um ambiente de falsidade de hipocrisia, as aparências, a fama, se tornam um estilo de vida, uma mentalidade, uma opção fundamental para o mal.

“No reino da falsidade tudo vale. A balança falsa, a ideologia do lucro, a propaganda consumista, o remédio adulterado etc. Onde há falsidade é impossível a confiança, a transparência, a coerência. As três perguntas do salmista são como que uma martelada em nossas cabeças para a gente acordar. Não podemos continuar justificando o mal nem invertendo os valores, ou seja, amar o mal e odiar o bem. Convertei-nos, curai-nos, conduzi-nos Senhor”, conclui. (FB)

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