“O amor nos dá coragem para procurar o bem-estar de todos e por todos sofrer e lutar”, afirma o arcebispo de Londrina
Londrina – Paraná (Sexta-Feira, 24/01/2014, Gaudium Press) Abordando o assunto “O bem-estar dos outros”, dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, no Estado do Paraná, afirmou em seu mais recente artigo que se alegrar com o bem-estar e o sucesso dos outros é o que traz paz interior e felicidade profunda. Para ele, querer o bem-estar dos outros faz bem para nós próprios: é a suprema emoção, é a satisfação mais plena, cuja lei máxima é não prejudicar.
De acordo com o prelado, precisamos de treino, esforço, disciplina e conduta ética para o desapego de nós mesmos e para colocar em primeiro lugar os interesses e o bem-estar dos outros. Ele também destaca que é assim que nos tornamos altruístas e que para experimentarmos a felicidade pelo bem-estar alheio precisamos de: paciência, compaixão, humildade, tolerância, perdão. O arcebispo afirma que estas virtudes facilitam a empatia que nos leva a ocupar-nos com outros.
“Que adianta sermos religiosos e não nos ocuparmos com o bem-estar dos outros? A lei é esta: quanto mais consideração pelos outros, tanto mais felicidade genuína teremos. O altruísmo é componente essencial da felicidade. A sensibilidade, a compaixão, a ternura e a compreensão, fortalecem em nós o sentimento de confiança, isso tudo traz as maiores alegrias e satisfações”, acrescenta.
Ainda segundo dom Orlando, cada vez que acordamos para começar um novo dia, precisamos reavivar a decisão de querer o bem dos outros. Ele acredita que o que pensamos, dizemos, fazemos, desejamos, omitimos é que condiciona a paz interior ou gera emoções aflitivas. Além disso, o prelado salienta que quem desvia o foco de atenção de si mesmo para os outros, conquista a liberdade e a paz, pois a preocupação excessiva consigo mesmo aumenta o sofrimento.
“Para viver bem o tempo e sentir o significado na vida, é preciso tratar os outros como irmãos, não prejudicar a vida, fazer tudo pelo seu bem. As religiões que ajudam a amar o próximo, a ter atitudes altruístas, a ter compaixão e respeito, são remédio para as dores da vida e chave para um mundo melhor.”
Outro aspecto lembrado pelo arcebispo é que a nossa realização pessoal também é fruto da saída de nós mesmos, da transcendência até ao outro, do altruísmo, do voluntariado e da gratuidade. Para ele, a atenção exagerada sobre nós mesmos alimenta a hipertensão e a depressão, ao passo que o amor altruísta é remédio que faz nossa vida saudável, salva e santa.
Conforme o prelado, quem faz da sua existência, uma pró-existência, faz de sua vida um monumento. Ele enfatiza que todo o bem que fazemos aos outros, não morre, portanto, é o bem e o amor que conferem sentido à vida e nos enchem de esperança, nos projetam na eternidade.
“Querer o bem estar dos outros é ajudar os quer perderam o rumo, servir os necessitados, consolar os aflitos, dar abrigo aos peregrinos, proteger os desamparados, socorrer os que estão em perigo. Esta é a lógica da gratuidade que traz a felicidade e o sentido da vida. Nascemos para ajudar os outros a viverem bem. Mais que vizinhos ou amigos, somos irmãos. A maior pobreza da vida é a reclusão sobre nós mesmos, o fechamento, o isolamento, o egocentrismo”, avalia.
Também foi destacado pelo arcebispo o fato de que no mundo somos uma grande família, uma só carne, cujo segredo está na interação, na relação, na integração e reciprocidade entre as pessoas e os povos. Ele reforça que o capital mais precioso e autêntico é o ser humano, e por isso é preciso criar riqueza para todos porque as desigualdades sociais indicam que somos egoístas, dominadores, exploradores. “Os povos da fome se dirigem de modo dramático aos povos da opulência, para que se implante a prática do bem comum, que leva ao cuidado do outro e pelo outro”, completa.
Por fim, dom Orlando afirma que a lógica da dádiva e o princípio da gratuidade superam o espírito mercantil agressivo e destruidor dos fracos. De acordo com ele, toda a questão social e econômica é antes de tudo uma questão antropológica cujo princípio é a dignidade e a centralidade da pessoa. Para o prelado, temos tanta tecnologia e pouca sabedoria, tanto hiperdesenvolvimento material e tanto subdesenvolvimento ético, espiritual e humanitário.
“Quem pensa no bem estar dos outros, não destrói o meio ambiente, não se vale da corrupção, não explora nem exclui. A miséria maior é aquela espiritual que desconhece e rejeita a verdade e o amor. Não haverá bem comum, nem o bem-estar dos outros, sem o desenvolvimento ético e espiritual. O amor nos dá coragem para procurar o bem de todos e por todos sofrer e lutar”, conclui. (FB)





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