A família é ninho, berço, sacrário da vida
Londrina – Paraná (Segunda-Feira, 20/01/2014, Gaudium Press) O arcebispo da arquidiocese paranaense de Londrina, dom Orlando Brandes, em seu mais recente artigo refletiu sobre o tema “Por uma cultura da família”. No texto, o prelado afirma que em nossos dias a família passa por um inverno, mas ela é indestrutível, porque é um “patrimônio da humanidade”, e tem seu fundamento em Deus.
De acordo com o arcebispo, a família é o ninho da vida, uma comunidade de pessoas onde acontece a paternidade, a maternidade, a filiação e a fraternidade. No entanto, ele questiona: o que é mesmo a família? Para dom Orlando, é berço da vida e do amor, é o primeiro lugar de humanização da pessoa e da sociedade. Sendo assim, o prelado enumera as razões de uma cultura da família.
Segundo ele, a família é uma comunidade de pessoas; é uma aliança, uma opção de vida, um consentimento marital entre um homem e uma mulher, unidos pelo consenso matrimonial para seu crescimento pessoal e para a procriação e educação dos filhos. Dom Orlando afirma que o segredo desta comunidade é o relacionamento das pessoas.
“Deus que não vive em solidão, mas em família, criou o ser humano com este instinto familiar, esta vocação social, esta necessidade grupal. Constituir família é algo natural, espontâneo, pulsional, instintivo. A família é a concretização do amor que se doa e transmite vida e amor”, avalia.
Outra razão conforme o arcebispo é que a família é um tesouro dos povos e civilizações, isto é, não existe cultura sem família, sem vinculo afetivo, procriativo, educativo. O prelado salienta que a família é a instituição mais antiga da humanidade, e que constituir família é uma ordem de Deus “deixarás pai e mãe” (Gen 2, 24), e ainda “não é bom ao homem estar só” (Gen 2, 18).
Por outro lado, completa dom Orlando, constituir família é um direito humano, mais que isso, um instinto primordial uma necessidade vital, uma exigência social. Ele lembra que os animais têm instinto gregário, os humanos têm pulsão familiar.
“A pessoa e a família, são anteriores ao Estado e ao poder civil. A sociedade e o Estado são para a família. O Estado existe a serviço da pessoa e da família. A dignidade da pessoa antecede, precede e fundamenta a existência de outras instituições. A vida, a pessoa, a família são um bem primário e fundamental que antecedem as outras instituições. Família é uma prioridade social, é a primeira célula de um corpo, da sociedade. Primeira sociedade natural, titular de direitos próprios.”
O arcebispo de Londrina destaca ainda que a família é uma escola. Segundo ele, desde o útero a família exerce a função educativa, cultural, humanizadora, onde Pai e mãe são pontos de referência educacional e a criança aprende imitando. Dom Orlando explica que crianças e jovens sem família ou com família desestruturada sofrem na escola, na catequese, no trabalho e fazem os outros sofrer. “A família é indispensável para a serenidade da pessoa, para a organização social e para o bem comum. Enquanto escola de valores, de fé e amor, a família é um ‘segundo útero’.”
Outra razão por uma cultura da família é que a instituição é uma igreja doméstica. De acordo com o prelado, a religião, a fé, os mandamentos de Deus, estão vinculados à família, porque a oração, o perdão, os valores espirituais, muito contribuem na educação da pessoa, a consistência da família e o bem da sociedade. Ele acrescenta que a dimensão religiosa é parte integrante da vida humana.
Por fim, dom Orlando diz que a família é sacrário da vida. Para ele, o amor conjugal e familiar é fecundo e a procriação é um bem do matrimônio, e assim a família é ninho, berço, sacrário da vida. “As pessoas se casam para crescer, amadurecer, santificar-se e salvar-se. O nascimento dos filhos e sua educação, além de ser dom de Deus e propagação da espécie humana, são um bem para a sociedade, pois, a vida é acolhida, amada, respeitada, desenvolvida desde a fecundação até seu término natural, no seu lugar natural que é a família”, conclui. (FB)





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