"A união dos opostos, o encontro dos diferentes é a beleza da unidade", afirma o arcebispo de Londrina
Londrina – Paraná (Segunda-Feira, 13/01/2014, Gaudium Press) “As quatro perguntas da humanidade” é o título do mais último artigo de dom Orlando Brandes, arcebispo da arquidiocese de Londrina, no Estado do Paraná. No texto, o prelado faz uma reflexão sobre os questionamentos em relação à morte, à liberdade, à unidade e ao sentido.
No que diz respeito à pergunta sobre a morte, dom Orlando lembra que o tempo é breve, tudo passa, e a morte é certa. Para ele, a certeza da morte nos faz refletir, perguntar e mudar, pois nos obriga a pensar. Segundo o arcebispo, para o homem moderno a morte é tabu, para o homem sem fé, a morte é absurdo, e para quem crê a morte é porta, entrada, início.
“A interrogação sobre a morte ajuda-nos a mudar o que está errado, a fortalecer o bem, a justiça, o amor, a ter consciência da nossa fragilidade. Ela é a escola do essencial. Os santos dizem: ‘o dia da minha morte será o dia da maior festa da minha vida'”, completa.
Outra questão apresentada pelo prelado sobre esse tema é que para os cristãos a morte foi vencida pela ressurreição de Jesus, é o início da vida plena, é condição para a visão de Deus face a face. “É o dia natalício para a eternidade da alegria, na luz, na paz, na comunhão dos santos. Jesus ‘matou a morte’. Nossa vida não é tirada, mas transformada. Para Francisco de Assis, a morte é nossa irmã porque nos leva a estar com Cristo”, avalia dom Orlando.
Já a pergunta sobre a liberdade, de acordo com o arcebispo, nos leva a concluir que o que importa é sermos livres do mal para a prática do bem. Ele destaca que o direito à liberdade nos faz lutar pela democracia, pela libertação, pela inclusão contra todas as escravidões e exclusões. O prelado acrescenta que liberdade sem responsabilidade é anarquia, liberdade sem a verdade é libertinagem e Justiça sem liberdade é ditadura.
“Ser livre não é fazer o que eu quero, mas, o que eu devo. Liberdade é dom e tarefa. Cristo nos libertou para sermos livres, para vivermos em comunhão e participação, em relação com os outros através do diálogo. Pela liberdade somos interlocutores com Deus, com os outros e com a história”, sublinha.
Com relação a pergunta sobre a unidade, dom Orlando afirma que temos o desejo, o sonho, a expectativa da união, da fraternidade, do ser família, da convivência e do respeito mútuo. Conforme ele, a divisão, a discórdia, a agressão, a briga, a violência são sempre destrutivas, ao passo que da unidade vem a paz, o bem querer, o sucesso, a alegria.
“O outro não é uma ameaça, um inimigo, um estranho, mas, um peregrino da verdade, um igual a nós em dignidade, um amigo, um irmão. A solidariedade, a interdependência, a corresponsabilidade, a confraternização, o altruísmo, o voluntariado são expressões da unidade.”
Ainda segundo o prelado, a unidade, que hoje tem o nome de globalização, ecumenismo, reconciliação, diálogo, interação, vence a solidão, o vazio, a distância, as exclusões, além de promover a comunicação e a aproximação. Dom Orlando ressalta que a união dos opostos, o encontro dos diferentes, é a beleza da unidade.
Por fim, o arcebispo de Londrina analisa a pergunta sobre o sentido, salientando que sem dar significado e sentido à vida, caímos na ilusão, no engano, no vazio, na neurose, na depressão. Ele explica que o sentido quer dizer razão para viver, valores a defender, rumo e bússola a seguir. Para o prelado, a pergunta pelo sentido da vida nos leva a Deus, e a busca da verdade, do bem, da liberdade, da justiça e da beleza é sinal de saúde psíquica, de esperança e de expectativa.
“A ordem, o tempo, a história se constroem a partir do sentido e do significado que damos aos valores. A fé abre as portas de novos horizontes, ideais, sonhos. Tudo tem sentido, nada é inútil, existimos para ser mais, crescer e chegar à plenitude”, conclui. (FB)





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