“O Advento nos dá a oportunidade de aproximar do sacramento da alegria, a confissão”, afirma Dom Rossi Keller
Frederico Westphalen – Rio Grande do Sul (Quarta-Feira, 18/12/2013, Gaudium Press) “O mistério da encarnação” é o título do mais recente artigo de dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo da diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul. No texto, ele afirma que são notáveis as palavras do profeta Isaías a Acab quando lhe foi falar da parte de Deus, como nos relata o texto da 1ª leitura deste quarto domingo do Advento (Isaías 7,10-14). O prelado recorda que para o tirar da sua incredibilidade diz-lhe: Pede o sinal que quiseres, e este se recusa a pedir um sinal, alegando o pretexto de não tentar a Deus.
Mas, de acordo com o bispo, o que de fato Acab não queria era não se ver obrigado a deixar a sua impiedade, pois Isaías lança-lhe à cara a sua covardia: assim mostras não ter fé, não saber que Deus é todo poderoso e pode livrar-te do perigo. Para dom Antônio, também nós adotamos muitas vezes essa atitude tão absurda para quem diz ter fé: titubear, temer, oscilar. Ele destaca que atitudes assim não se compreendem em quem se sabe filho de um Deus que nos ama infinitamente.
“Infelizmente vivemos em um tempo caracterizado pela rejeição da Encarnação, mistério central da nossa fé. É como se Jesus já não encontrasse lugar em um mundo cada vez mais secularizado. Cristo é relegado para um passado remoto ou para um céu longínquo. Quando se nega Cristo desaparece o sentido e o valor da vida; a esperança dá lugar ao desespero e a alegria à depressão, não se ama corretamente o corpo nem a sexualidade humana, nem sequer se valoriza a natureza, a própria criação”, completa.
Conforme o prelado, o Advento é tempo de espera do Salvador que os profetas anunciaram e a Virgem Mãe esperou com inefável amor. Ele avalia que o trecho do Evangelho que vamos ouvir, neste Domingo (Mateus 1,18-24), refere-se à concepção do Verbo de Deus em Maria, Mãe de Jesus, bem como à aceitação por José e o nascimento do Salvador. Segundo o bispo, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe do seu Filho uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré, Virgem que era noiva de um homem da casa de David.
“Todo o Advento contém uma referência à Maria. No seu seio o Espírito Santo formou a carne do Redentor, tornando assim possível que o Verbo nela se encarnasse e assim pudesse realizar a salvação mediante a sua morte e ressurreição. Só Maria conhece o segredo da Vida que se esconde no seu seio. Como tantas mães, ela esperou com alegria o momento de dar à luz o filho que Deus Pai havia formado no seu ventre. Só Maria é a mulher que traz nas suas entranhas o Salvador.”
Por fim, dom Antônio salienta que o centro da história é Cristo, como vamos professar no próximo dia de Natal, mas quando se quer contemplar o Sol, a Aurora é o presságio gozoso do desfrute da luz, o Salvador. Por isso, explica o bispo, prestes a dar à luz o Messias esperado, Maria e Belém enchem a nossa contemplação.
Ele ainda pergunta: Quem não se sente como que mais perto de Deus nestes dias? Quem não se encontra um pouco mais leve de preocupações, com uma verdadeira paz? Quem não experimenta uma grande alegria? E nos convida a nos dispormos a acolher o Salvador, limparmos o coração, porque estes dias nos dão a oportunidade de nos aproximar do sacramento da alegria, a confissão.
“Havemos também de partilhar a nossa alegria com os mais pobres, os doentes, os abandonados. Estamos alegres porque temos Jesus no Sacrário, porque Deus está ao nosso alcance na oração, porque temos por mãe, a Mãe do Senhor. Vamos repartir com o outro qualquer coisa do que temos: mais amizade, mais perdão, mais alegria. Assim, sim, será Natal”, conclui. (FB)





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