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Bispo de Uruguaiana trata da “Constituição Sacrosanctum Concilium"

Uruguaiana (Terça-Feira, 12/11/2013, Gaudium Press) Dom Aloísio A. Dilli, bispo da diocese de Uruguaiana, no Estado do Rio Grande do Sul, escreveu um artigo falando sobre os 50 anos da Constituição Sacrosanctum Concilium.

No início do texto, ele afirma que há 50 anos estava acontecendo o maior evento da Igreja no século XX: o Concílio Ecumênico Vaticano II, onde mais de 2,5 mil bispos do mundo inteiro se reuniram em Roma para buscar novos caminhos para que a Igreja continuasse a ser, com maior evidência, sal da terra e luz do mundo.

Segundo o bispo, os caminhos da reforma iniciaram pela liturgia. Ele explica que a partir do começo do século XX alimentava-se na Igreja um visível desejo de renovação teológica, espiritual e pastoral no campo da liturgia, pois esta continuava a sofrer o danoso fixismo e rubricismo de quatro séculos tridentinos, somados à forte influência das tendências litúrgicas de todo o IIº milênio, com seus acentuados “deslocamentos de eixo” na compreensão e vivência da liturgia.

O prelado também salienta que a centralidade da liturgia, como celebração do mistério pascal, cedera lugar às devoções (Santíssimo Sacramento: ver e adorar; santos intercessores; novenas; promessas…). Ele recorda que as devoções ocupavam o lugar central, e os sacramentos eram vistos muito como remédio para curar, para satisfazer outras necessidades e para livrar de castigos divinos.

Para dom Aloísio, a dimensão eclesial e comunitária da liturgia cedera lugar ao individualismo religioso, pois o padre era considerado único celebrante: um especialista realizava a ação sagrada por todos.

Ainda conforme o bispo, o gênio romano puro (simplicidade, sobriedade e praticidade) fora substituído pela pompa barroca, triunfalista e luxuosa, com destaque exagerado aos elementos externos do culto, como afirma o liturgista Frei José Ariovaldo da Silva: passou-se “do essencial para aspectos acidentais, do teologal para o devocional, do eclesial-comunitário para o individualismo religioso, do mistério celebrado para o cumprimento meramente exterior dos ritos, da adaptação às culturas para a uniformidade rígida e obrigatória para todos”.

Outra questão abordada pelo prelado, é que desde o final do séc. XIX surgiram tentativas de mudança, as quais se fortaleceram durante o Movimento Litúrgico clássico do séc. XX. De acordo com dom Aloísio, o Papa Pio XII chegou a afirmar no Congresso Eucarístico Internacional de Assis (1956): “O movimento litúrgico apareceu como um sinal das providenciais disposições divinas em nosso tempo, como uma passagem do Espírito Santo sobre sua Igreja, para aproximar muito mais os homens dos mistérios da fé e das riquezas de graça que provêm da participação ativa dos fiéis na vida litúrgica”.

Por fim, o bispo de Uruguaiana destaca que mesmo com algumas resistências, foi de todos os documentos o que causou menos dificuldades, pois uma comissão pré-conciliar apresentou texto inicial, já em outubro de 1962, o qual, depois de emendado mais vezes e votado pelos Padres conciliares, foi aprovado e promulgado em sessão solene presidida pelo Papa Paulo VI, em 04 de dezembro de 1963, como primeiro documento do Concílio Ecumênico Vaticano II.

“Estava, assim, aberto o caminho do Concílio e da reforma litúrgica na vida da Igreja. A Liturgia resgatara a centralidade do Mistério pascal, em todas as suas formas celebrativas, como momento histórico da salvação, a fonte mais excelente de espiritualidade cristã. No início de dezembro estaremos celebrando o 50º da aprovação da Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, que trouxe e ainda deverá trazer tantos benefícios à Igreja, à medida que entendermos o seu verdadeiro espírito”, conclui o prelado. (FB)

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