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“Para morrer bem, é preciso viver fazendo o bem: levaremos a vida que levamos”, afirma o arcebispo de Londrina

Londrina (Terça-Feira, 05/11/2013, Gaudium Press) Pela passagem do dia dos finados, dia de reflexão, de saudade e de esperança, dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, no Estado do Paraná, escreveu um artigo, intitulado “O dia dos mortos”, onde ele fala sobre o significado da morte. No início do texto, o prelado afirma que a morte é ainda assunto-tabu, recalcado, silenciado.

Para dom Orlando, nós preferimos viver como se a morte não existisse, mas na sociedade atual a morte é também trivializada com as guerras, calamidades, eutanásia, aborto, acidentes com auxílio da mídia. Segundo ele, há ainda os que preferem fazer da morte uma experiência soft, é a “morte-soft”, relegada aos hospitais, funerárias e religiões.

“Aí a morte é maquiada, relativizada pelas instituições, chamada também de “morte digna”. Muitos de nós vivemos uma “vida inautêntica”, uma existência falsa porque não nos permitimos refletir e aceitar a morte”, ressalta.

De acordo com o arcebispo, a dura realidade é que a morte faz parte da vida, é o fim do curso vital, é uma invenção da própria vida em sua evolução. Ele afirma que morrer é uma experiência profundamente humana, pois é a morte que confere um certo gosto e encanto à vida. “Se tudo fosse indefinidamente repetível, a vida se tornaria indiferente, insossa e até desesperadora”, destaca ele, que salienta também que a morte é um bem, uma manifestação da sabedoria do Criador.

“Vemos assim que a morte não se opõe à vida, mas ao nascimento. A vida humana será sempre uma vida mortal, só na eternidade teremos uma vida vital. Para os que creem na eternidade, a morte é porta de entrada da vida, o acesso a uma realidade superior, a posse da plenitude. Assim a morte é um ganho, verdadeira libertação, uma bênção que livra a vida do tédio.”

Para dom Orlando, a ressurreição de Jesus trouxe uma revolução em relação à morte, transformou o “poente em nascente”, Cristo “matou a morte”. Bem escreveu o poeta Turoldo: “morrer é sentir quanto é forte o abraço de Deus”. Conforme o prelado, o fim transforma-se em começo e acontece um segundo nascimento, a ressurreição. Ele cita ainda Santo Agostinho: “Então, descansaremos e veremos. Veremos e amaremos. Amaremos e louvaremos. Eis o que haverá no Fim que não terá fim”.

“A fé nos garante que a morte não é uma aniquilação da vida, mas uma transformação. O homem vive para além da morte. Não precisa reencarnar. Creio na ressurreição da carne e no mundo que há de vir. A morte será então a maior festa da vida porque com ela dá-se o início da plena realização da pessoa humana. Habitaremos com Deus com um corpo incorruptível, espiritual e glorioso”, enfatiza o arcebispo de Londrina.

Outro santo lembrado pelo prelado é Santa Terezinha, que afirmou: “Não morro, entro na vida”. Ele acredita que a morte não é apenas um fim, ela é também e principalmente um começo, pois é o início do dia sem ocaso, da eternidade, da plenitude da vida. Segundo o arcebispo, a vida é imortal espiritualmente falando, e é na morte que chegamos a ser plenamente. “No céu veremos, amaremos, louvaremos”, disse Santo Agostinho.

“A participação na vida divina faz brotar em nossos corações, assombro e gratidão. Sem fé, porém, a morte é absurdo, inimigo, derrota, ameaça, humilhação, tragédia, vazio, nada. Na fé, a morte é irmã, é condição para mais vida, é coroamento e consumação; é revelação e glória do bem.”

Por fim, dom Orlando explica que a morte tem um valor educativo: ensina o desapego da propriedade privada, iguala e nivela todas as classes sociais, relativiza a ambição e ganância, ensina a fraternidade universal na fragilidade da vida, convida à procriação para eternizar a vida biológica, rompe o apego a circuito fechado entre as pessoas mesmo no matrimônio, leva ao supremo conhecimento de si e oportuniza a decisão máxima e a opção fundamental da pessoa.

“Para morrer bem, é preciso viver fazendo o bem: levaremos a vida que levamos. O bem é o passaporte para a eternidade feliz e o irmão que ajudamos será o avalista de nossa glória no céu: vinde benditos”, conclui. (FB)

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