“O caminho da missão é o caminho do encontro, da aproximação”, afirma bispo da diocese de Osório
Osório (Quarta-Feira, 30/10/2013, Gaudium Press) Dom Jaime Pedro Kohl, bispo da diocese de Osório, no Estado do Rio Grande do Sul, escreveu um artigo, com o título “Cultura do encontro”, onde ele sugere que, concluindo o mês missionário, nos perguntemos: falamos tanto de missão, mas qual seria a melhor metodologia ou pedagogia para a transmissão da fé, hoje?
O prelado afirma que quem acompanhou a visita do Papa Francisco por ocasião da Jornada Mundial da Juventude ou leu algo dos seus escritos deve ter percebido que suas mensagens são de uma linguagem simples e direta, e sua pedagogia é sempre dialogal. “Em que sentido isso tem a ver com a missão? Tem muito a ver porque missão é evangelização e evangelização apresentar uma proposta de vida, ou melhor, oportunizar um encontra com um pessoa viva: Cristo Ressuscitado”, explica.
De acordo com dom Jaime, falar da cultura do encontro sugere um movimento de saída, de ir ao encontro do outro, aproximar, visitar, ir para a rua, entrar nas casas e nos vários areópagos do mundo, na “praça dos gentios”, no bar da esquina, ou seja, lá onde as pessoas de alguma forma estão se encontrado, para lá semearmos a alegria e a esperança evangélicas: a boa notícia da salvação em Cristo Jesus.
Para o bispo, essa “cultura do encontro” pode ser traduzida como a “cultura do diálogo” ou o “caminho do diálogo”. Segundo ele, somente podemos encontrar alguém quando estamos dispostos a dialogar com o outro, seja esse outro pessoa, comunidade ou nação. O prelado ainda salienta que a disposição a encontrar e deixar-se encontrar é condição indispensável para estabelecer uma relação fecunda em todos os sentidos, não menos se tratando da evangelização, tanto ad intra como ad extra.
Dom Jaime recorda que falando aos dirigentes do nosso país o Papa propõe o diálogo como método para a solução de todos os conflitos. Diz ele: “Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: a cultura popular, a cultura universitária, a cultura juvenil, a cultura artística e a cultura tecnológica, a cultura econômica e a cultura da família, e a cultura da mídia.”
Depois ele continua: “Quando os lideres dos diferentes setores me pedem um conselho, minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo. A única maneira de uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira de fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Hoje, ou se aposta no diálogo, na cultura do encontro, ou todos perdemos.”
Conforme o prelado, é preciso ir ao encontro das pessoas, lá onde elas habitualmente estão, e sem muitas palavras, mas a partir do testemunho de vida comunicar a alegria e o sentido de vida que encontramos em Cristo Jesus. “Ir a todos sem discriminação e nem preferências. Caso queiramos privilegiar alguém, sejam os mais pobres, mais sofridos, mais sozinhos, mais afastados, mais necessitados de uma presença amiga que lhes passe um pouco de esperança e os ajude a prosseguir no caminho do bem, da justiça, do amor e da paz”, destaca.
O próprio Pontífice se pergunta e responde: “É ir ao encontro para convencer o outro a fazer-se católico? Não, não, não! Você vai encontrá-lo, é seu irmão! Isso basta! Vai ajudá-lo, o resto Jesus e o Espírito Santo o fazem”.
Dom Jaime afirma que essa é a verdadeira evangelização: a transmissão da fé feita por contágio, pelo testemunho de vida; a missão em todas as direções e que pode chegar a todos: pobres e ricos, letrados e não letrados, pequenos e grandes, doentes e sãos, presos e livres, todos os que aproximamos.
Por fim, o bispo avalia que o caminho da missão é o caminho do encontro, da aproximação, do diálogo, pois a missão é parar, descer, aproximar-se do caído ao longo do caminho e prestar-lhe o cuidado que necessita para se restabelecer e prosseguir sua vida, na busca de seus sonhos.
“Ou então, como muito bem expressa Dom Helder: ‘missão é partir, mais do que devorar estradas, cruzar mares ou atingir velocidades supersônicas, missão é abrir-se aos outros, descobri-los, ir-lhes ao encontro’. O caminho da missão parece bastante claro. Cabe a cada um percorrê-lo. É o caminho do encontro, do diálogo, da partida”, conclui. (FB)





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