“Fé do cristão admite uma escolha concreta: seguir o Mestre”, diz Bispo Frederico Westphalen
Frederico Westphalen (Quarta-Feira, 02/10/2013, Gaudium Press) Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo da diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, refletiu em um artigo sobre as dificuldades e situações absurdas da vida. Ele afirma no texto que com frequência nos achamos embaraçados com os acontecimentos que nos relatam jornais, revistas e noticiários, bem como situações absurdas a que assistimos no nosso dia-a-dia: injustiças, fome, desemprego, doenças inexplicáveis, desgraças nunca imaginadas.
De acordo com o prelado, ao nos depararmos com esses problemas não conseguimos encontrar respostas aceitáveis para tais adversidades e, então, como no tempo de Habacuc, procuramos interrogar o Senhor e exigir d’Ele uma resposta para tais situações. Todavia, explica o bispo, a resposta de Deus é sempre a mesma: “Continua a acreditar. Talvez hoje não consigas entender os fundamentos da minha permissão, mas mantém-te fiel; um dia assistirás à minha interferência libertadora”.
Dom Antônio também explica que a nossa oração não modifica a atitude de Deus, mas ajuda-nos a descobrir as nossas limitações, a tacanhez dos nossos planos, as nossas inseguranças, e a ouvir a voz do Senhor. Conforme ele, essa voz abre-nos o coração, ajuda-nos a abandonar as nossas esperas, as nossas firmezas, os nossos programas e interrogações e faz com que admitamos os planos de Deus. Para o bispo, é isso que Deus nos pede e é esta fé que nos salva.
“A fé não consiste em só admitir um punhado de verdades. A fé do cristão admite uma escolha concreta: a de seguir o Mestre. Ela não é estática, mas dinâmica. Algumas vezes ela é diminuta, como foi a dos Apóstolos, que pediam ao Senhor que aumentasse a sua fé. Para tal é necessário ter audácia para repudiar certos hábitos, fazer algumas rejeições, dar determinados passos”, avalia.
Outro ponto refletido pelo prelado é que a fé em Jesus é capaz de realizar coisas que aos olhos dos homens parecem impossíveis. Ele acredita que se a fé se traduzir em uma adesão determinada e radical à proposta do Mestre, se for transformada em um compromisso concreto de vida, os resultados serão sempre excepcionais. “Jesus não nos convida a usar a fé para obrigar Deus a satisfazer as nossas ambições ou manias. Ele convida-nos a darmos um sentido à nossa vida sanando rancores antigos, diminuindo distâncias raciais, preconceitos que nos entravam o diálogo com pessoas difíceis.”
Segundo dom Antônio, muitos caracterizam os cristãos sublinhando a fé, outros salientam a caridade, mas poucos evocam o cristão como o homem da esperança, aquele que não só acredita mas tem a certeza de que o Reino de Deus triunfará. Ele reforça que o cristão que procura agir bem no seu quotidiano apenas para receber um prêmio da parte de Deus está radicalmente enganado, pois não faz as coisas por amor, mas por egoísmo. Para o bispo, esta é uma das profundas raízes existentes em nós que teremos de arrancar do coração e do pensamento.
“Todas as boas obras por nós praticadas são, no fundo, um dom do próprio Deus e não mérito nosso. Só seremos felizes se agirmos gratuitamente. Tudo o que fizermos não deve ser para agradar aos homens, nem para aprovação final por Deus. Fazendo-o desinteressadamente seremos na verdade imagem e semelhança de Deus Pai que está nos céus. Recebemos muitos dons. É necessário reavivar a consciência da nossa condição de privilegiados e da responsabilidade que ela comporta”, enfatiza o bispo.
Por fim, o prelado nos convida a cada dia reacender o amor, a fé e a esperança que, no dia do batismo, foram ateadas pelo Espírito, a fim de não desanimarmos e podermos renovar o empenho e as opções fundamentais da nossa vida. E para conseguirmos isso, ele afirma que é preciso procurar uma maior reflexão da Palavra do Mestre, para um crescente entendimento da sua mensagem.
“A fidelidade ao depósito da fé não consiste na repetição rigorosa e sempre idêntica de fórmulas às vezes impenetráveis e de gestos rituais que talvez não nos digam nada. A fé do cristão não é uma fidelidade morta, mas viva e ativa, em contínuo crescimento, por obra do Espírito Santo. Procuremos reavivar e fazer crescer em nós esta fé que consegue mover montanhas”, conclui. (FB)





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