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“Vida boa” e amor a Deus e ao semelhante

Montes Claros – Minas Gerais (Sexta-feira, 27-09-2013, Gaudium Press) “Dentro do relativismo muitos querem vida ‘boa’ mas sem a bondade ética e moral, ou o compromisso com a vida digna e com valores mais elevados”, afirmou Dom José Alberto Moura, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros e Presidente do Regional Leste 2 da CNBB, em seu mais recente artigo.dom_jose_alberto_moura.jpg

Para o prelado, as pessoas confundem o “bem” com o “bem estar momentâneo”, nem sempre baseado em atributos “que tornam a pessoa realmente humana e de ideal buscado na altivez de caráter e no bem comum, assim como em valores inerentes à dignidade da vida e da comunidade”.

O Arcebispo, para sintetizar sua ideia, citou a passagem bíblica de Amós: “Os que bebem vinho em taças e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José… o bando dos gozadores será desfeito” (Amós 6,6.7).

De acordo com Dom José Alberto, a vida boa deve ser baseada no amor a Deus e ao semelhante, pois “exige doação de si pelo bem do semelhante, compromisso com valores eternos e que elevam a dignidade humana”, levando a pessoa “até a renúncia ao comodismo, ao sacrifício de si pelo bem do outro, à superação dos desejos que impedem a realização do compromisso com a verdade, a honestidade, a dignidade da vida e da pessoa humana, da família, dos empobrecidos e de todos os que vivem uma vida sem sentido”.

“Sem saber carregar a cruz das dificuldades e dos desafios para viver realizando o bem conforme as coordenadas da justiça fundamentada na verdade de Deus e dos valores inerentes à vida, a pessoa não é capaz de ter a vida boa em qualidade plena. Santo Agostinho lembra que o ser humano não é feliz de verdade, enquanto não se encontrar com Deus”, ressaltou.

O exemplo de despojamento do Filho de Deus foi citado pelo Arcebispo, remetendo ao fato de que Ele “nos chama atenção para a fragilidade de quem fixa o objetivo da vida no que é transitório e circunstancial”.

Ainda segundo Dom José Alberto, “confundir a vida boa só com o prazer momentâneo diminui amplamente a realização humana”:

“O que é material e prazer instintivo é bom, mas dentro de coordenadas que os faça ser usados com parâmetros de responsabilidade ética, apresentados dentro do quadro inerente à natureza criada por Deus e também por Ele explicitado na lei divina”, assinalou.

“Muitos valores da vida humana não podem ser relegados só porque também o são considerados pelas verdades religiosas”, explicou.

O Arcebispo de Montes Claros, usando a parábola do homem rico e de Lázaro, contida no Evangelho de São Lucas, esclareceu que “temos o grande ensinamento da vida ‘boa’ do primeiro, que já teve na terra sua recompensa” (Lucas 16,19-31).

“Quem sabe usar da vida terrena, vivendo como imagem e semelhança de Deus, cuida da convivência humana e da natureza, como o Criador cuida de todo o universo. A comunidade das pessoas divinas forma uma só unidade de amor”.

No final do artigo, Dom José Alberto lembrou ao escrever que “o ser humano é chamado a fazer a vida boa, na convivência do amor, conforme a vida e o ensinamento do Filho de Deus”, pois “Ele nos deu sua vida” e “quando também damos a nossa para tornar o planeta mais justo e humano, vemos a bondade da vida de sentido”.

“Só quem dá de si pelo bem comum, conforme os valores apresentados por Deus, vai colher frutos de plena realização humana. Como é bom vermos pessoas de grande altivez moral por saberem lutar na vida em vista de valores perenes!”, concluiu. (LMI)

Com informações A12

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