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“O chão da Palavra de Deus são nossos ouvidos e nosso coração”, afirma o arcebispo de Londrina

Londrina (Quarta-Feira, 18/09/2013, Gaudium Press) Neste mês de setembro, dedicado a Bíblia, dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, no Estado do Paraná, em um artigo intitulado “Familiaridade com a Bíblia” refletiu sobre a Palavra de Deus. Ele cita o Verbum Domini – Palavra de Deus, que é o documento do Sínodo da Palavra realizado em Roma, na Itália, de 5 a 26 de outubro de 2010, como um inestimável presente oferecido por Bento XVI.

O prelado recorda que o Papa nos convida a que nos debrucemos sobre a Palavra, façamos uma redescoberta da Bíblia, tenhamos familiaridade com a Palavra para que ela seja o coração de toda a atividade eclesial. Segundo dom Orlando, somos convidados a ser amigos da Palavra e a amar cada vez mais as Sagradas Escrituras, para que cada fiel possa dizer: “sou amigo da Palavra”.

O arcebispo afirma que a fé da Igreja se renova na Palavra de Deus, daí o deixar-se plasmar pelas Escrituras que são o coração da vida cristã. Conforme ele, a Igreja funda-se, nasce e vive da Palavra e as comunidades crescem graças à escuta, celebração e estudo da Palavra. “Há que reconhecer que nas últimas décadas aumentou na Igreja a sensibilidade pela Palavra de Deus”, completa.

Como São Paulo, devemos dizer: “Faço tudo por causa do evangelho” (ICor 9,23). De acordo com o arcebispo, o Papa deseja que melhore a nossa relação com as Sagradas Escrituras na leitura orante, na liturgia, na catequese, na investigação científica, pois é assim que iremos adquirir maior familiaridade com a Palavra de Deus.

“Deus fala e responde através da Palavra. Estabelece um profundo diálogo conosco, deixa-se conhecer e fala a nós como um amigo. O chão da Palavra são nossos ouvidos e nosso coração. Assim, a Escritura Sagrada deve ser proclamada, escutada, lida, acolhida, vivida profundamente”, destaca o prelado.

Dom Orlando ainda explica que Bento XVI faz uma clara distinção entre Palavra de Deus e Bíblia. Para ele, a Palavra é mais ampla, ela vem antes do Livro e vai além do Livro, existe uma “sinfonia” da Palavra. Ela fala através da criação porque Deus tudo criou pela Palavra e fala através dos Profetas. O arcebispo ressalta que a definitiva revelação da Palavra de Deus é Jesus: “O Verbo se fez carne”. Segundo ele, os Apóstolos e as comunidades ensinavam a Palavra antes dela ser escrita, só mais tarde vem o Livro, ou seja, a Bíblia, principalmente o Novo Testamento.

“Veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, mas, o cristianismo não é a ‘religião do Livro’, é a ‘Religião da Palavra’. A Igreja deve ser a ‘mestra da escuta’ para ser discípula. A Palavra é maior que a Igreja, embora, a Sagrada Escritura seja um ‘livro da Igreja’, deve ser interpretado na fé da Igreja. Por isso a Igreja é a ‘casa da Palavra’.”

Por fim, dom Orlando avalia que a Igreja não será mais a mesma depois deste documento. Ele acredita que seremos mais profetas, mais discípulos, mais apóstolos, pois se inicia a aurora de uma nova primavera na Igreja. Para o prelado, já fizemos muitos progressos em ralação à Bíblia, mas, precisamos de mais ousadia e chegar a uma “mobilização bíblica” na vida da Igreja.

O arcebispo salienta que a Palavra tem o poder de nos reencantar, fascinar e recuperar, e que todo o nosso entusiasmo pela Palavra de Deus tem um objetivo: estabelecer um encontro pessoal vivo, definitivo, persuasivo com Jesus Cristo, Palavra do Pai. Ele acrescenta que ouvindo a voz de Jesus, ouvimos o Pai, pois Jesus é o alto falante do Pai, ele fala o que o Pai mandou falar.

“Para que aconteça uma revolução bíblica na Igreja precisamos fazer diariamente a leitura orante, frequentar os grupos bíblicos de reflexão, participar do dia da palavra, estudar mais a Bíblia, procurando viver a Palavra. É assim que aumentará a nossa familiaridade com as Sagradas escrituras. As boas ações falam mais que as palavras. Cabe-nos permanecer na Palavra, que é pão, rocha, espada, ouro, mel, lâmpada, leite, chuva para que sejam restauradas a profecia, o discipulado e a missão na Igreja”, conclui. (FB)

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