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"A Nova Evangelização deve começar pelo coração misericordioso", afirma Arcebispo de Londrina

Londrina – Paraná (Quinta-Feira, 29/08/2013, Gaudium Press) “Igreja, Bíblia e Nova Evangelização” é o título do mais recente do artigo de Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina, no Paraná. No texto, ele afirmou que a Fé, encontro com o Senhor, é o fundamento de tudo o que fazemos. Ele ressaltou que se for sólida como uma rocha, não desabará nas inundações e ventos fortes, mas, se as bases não forem firmes, não poderemos resistir ao mínimo obstáculo.dom_orlando.jpg

No que diz respeito ao encontro e relação com Cristo, o prelado explicou que não somos nós que tomamos a iniciativa, mas sim, Ele que vem bater à nossa porta (Ap. 3, 20). Dom Orlando destacou que para nós, a forma mais simples, eficaz e concreta de encontrar o Senhor é através dos Livros Sagrados: “deixemo-lo entrar através da porta da Bíblia, pois a Palavra se tornará para nós ‘espírito e vida’ (Jo. 6, 63)”.

O Arcebispo ainda citou um outro problema: a oração. Para ele, nós católicos estamos tão acostumados a fórmulas prontas que corremos o risco de perder a espontaneidade, a alegria, o fervor, o entusiasmo e cair numa simples rotina. Dom Orlando acredita que todas as perguntas e desafios relativos à Nova Evangelização possam ser reduzidos apenas a um: a Palavra do Senhor.

“É preciso memorizá-la como fez Santa Terezinha que decorou todos os trechos bíblicos que encontrou, disse o Apóstolo Pedro: ‘Somos um povo regenerado não de uma semente corruptível, mas imortal, a Palavra de Deus viva e eterna’ (I Pd. 1, 23). A Palavra de Deus é o ventre do nosso ser. Devemos voltar a este lugar original do nosso ser”, salientou.

Segundo o prelado, o Sínodo da Nova Evangelização deve estar em conexão com o Sínodo da Palavra: evangelizar-se para evangelizar. Ele afirmou que hoje existe uma mentalidade que despreza a religião como obstáculo ao desenvolvimento social e científico, fato que leva a uma indiferença mortal, uma forma de ateísmo mascarado, mas, difundido e praticado.

Outra questão abordada pelo Arcebispo é sobre a prática da penitência, que ajuda as pessoas a levar uma vida serena e tranquila. Ele explicou que isso se entende quando na Missa se derrama algumas gotas de água no vinho: a água representa a natureza humana e o vinho é o sangue de Cristo que nos transforma em seu Corpo glorioso.

“A Nova Evangelização deve começar pelo ‘Misterium Pietatis’: o Coração Misericordioso que ajuda os fieis a ter consciência da gravidade do pecado. É preciso restabelecer o hábito de confessar-se. Recordemos a parábola da ovelha tresmalhada, da dracma perdida, do filho pródigo e as palavras de Jesus: ‘há mais alegria no céu’ (Lc. 15,7) por um pecador que se converte. A liturgia não é obra do homem nem frenesi criativo, é encontro com Deus”, completa.

Para Dom Orlando, nosso modo atual de evangelizar perdeu seu poder de atrair o mundo, pois produzimos conferências e documentos, mas, as mensagens não foram transmitidas nem difundidas em medida suficiente. Conforme ele, devemos admitir com humildade que as nossas respostas foram superadas pelas mudanças do mundo, e simplesmente não somos capazes de oferecer soluções aos indivíduos e às sociedades, prisioneiras nas estruturas e nas ocasiões de pecado.

Por fim, o prelado diz que as nossas vozes são suprimidas por leis nacionais e pela força da mídia, porque há ainda o impulso do fanatismo e do extremismo. Por isso, enfatizou Dom Orlando, existe uma exigência urgente de transmitir a doutrina da Igreja em relação à linguagem, à forma, às expressões e meios. Segundo ele, os escândalos, as lideranças esgotadas, os estilos de vida materialistas e a perda de zelo pastoral estão entre os riscos da missão evangelizadora.

“A formação dos seminaristas deve ser revista. A vida quase fora da realidade e por demais intelectual, fácil e confortável, destacada do mundo, faliu na formação de pastores competentes e receptivos face às necessidades das pessoas. A doutrina Social deve se tornar um elemento essencial e indispensável da catequese e da pregação. O Evangelho explicado à luz da doutrina social pode tornar-se mais aceito à mente moderna”, conclui o Arcebispo. (FB)

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