"Nossa pátria é lá onde encontramos amigos", afirma o arcebispo de Londrina
Londrina (Sexta-Feira, 19/07/2013, Gaudium Press) No artigo desta semana, dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, no Estado do Paraná, escreveu sobre o dom da amizade, fazendo uma alusão ao Dia do Amigo, que é celebrado no próximo sábado, dia 20 de julho. Para ele, a amizade é o que existe de melhor, depois da sabedoria, sendo que a sabedoria é o mesmo que virtude.
No entanto, o prelado enfatiza, que só pode haver verdadeira amizade entre pessoas de bem, pois isso ela requer lealdade, constância e justiça. Segundo dom Orlando, na amizade tudo é verdadeiro, e o seu maior ornamento é o respeito. Para ele, onde não há verdade a amizade é nula, pois o que faz a amizade é a estabilidade entre os amigos. Sem virtude não há amizade possível, mas apenas bajulação, adulação, paixão. “Entre as pessoas de bem há uma inevitável simpatia e condescendência”, acrescenta.
Outra questão levantada pelo arcebispo é que a amizade tem grande poder de sedução e de atração pela força da afeição entre as pessoas amigas. Ele explica que a afeição cria vínculos, mais que o parentesco, e que é a afeição que proporciona o bem-estar entre os amigos, a simpatia recíproca. Conforme o prelado, sem amizade a vida não é amável.
“Na mais profunda amizade se encontra a mais profunda doçura. Sem afeição e simpatia a vida não tem alegria, porque a afeição se traduz em benevolência, afabilidade, reciprocidade. Portanto entre pessoas de bem. Quanto mais somos generosos, bondosos, desinteressados, amorosos, mais amizades conquistamos. Eis a força do valor moral”, completa dom Orlando.
Quanto à pessoa do “amigo”, o prelado afirma que ele é como um outro de nós mesmos, uma versão exemplar de nós mesmos. Ele lembra que são os amigos que tornam os duros golpes da vida mais leves e mais maravilhosos os favores da vida porque podem ser comunicados e partilhados com alguém.
Ainda de acordo com dom Orlando, é a amizade que dá otimismo para o futuro, não permitindo a capitulação nem a desmoralização. Para ele, retirar a amizade da vida é como retirar o sol do mundo, pois é nela que encontramos satisfação, descanso, conselhos e partilha, e por isso deve ser preferida a todos os bens da terra, porque é prestativa, respeitosa e fiel.
Com relação ao maior flagelo da amizade, o arcebispo cita a bajulação, a adulação, a complacência fácil. Ele alerta para a necessidade de distinguir o amigo do bajulador, pois é um erro pernicioso imaginar que na amizade as portas estão abertas a todos os abusos. Dom Orlando salienta que muitas vezes somos obrigados a fazer advertências e até repreensões aos amigos, embora com cortesia e sem adulação.
“A amizade é para a gente crescer no bem e não para a cumplicidade nos vícios. A verdadeira amizade controla a paixão. É sórdido preferir dinheiro, honrarias, prestigio no lugar da amizade. Aqui a amizade vira ódio. Nada mais desastrosos que o atrativo lucro, da concorrência, da cumplicidade. É lei da amizade nada pedir de vergonhoso aos amigos, querer que eles saciem nossas paixões, sejam cúmplices de uma injustiça. Isso faz perecer a afeição e engendra ódios eternos”.
O arcebispo de Londrina afirma também que é pela amizade que os ausentes estão presentes no afeto, os indigentes são ricos, os fracos são cheios de força, os mortos estão vivos na lembrança. Segundo dom Orlando, sem amizade nenhuma casa fica de pé, nenhuma cidade subsiste, a vida na terra é insuportável, porque ela é um sentimento de amor verdadeiro e espontâneo, que ameniza o convívio. “Sem amizade a vida se esvazia. O amigo é um tesouro”, sublinha.
Por fim, o prelado assegura que a amizade fiel é um refúgio seguro e não tem preço que pague. De acordo com ele, é um tesouro inestimável e dom de Deus, pois Deus cria os amigos, leva o amigo ao amigo, que é um escudo contra emoções negativas, é como asa que nos eleva acima do pó da terra, é como sol que ilumina a vida, é a visibilidade e o sacramento de amor de Deus.
“A amizade é feita de gratuidade e não de gratificações. Quanto mais gratuidade, mais felicidade. A amizade requer fidelidade e portanto sempre a verdade. Onde entra a falsidade morre a amizade. A harmonia de visão, a vontade do bem do outro e o afeto são três componentes essenciais da amizade. Nossa pátria é lá onde encontramos amigos. O amor de amizade é profundo, intenso, personalizado, aberto, livre”, conclui.(FB)





Deixe seu comentário