23 diáconos ordenados no Quênia
O Núncio Apostólico do Quênia destacou identidade do diácono: “Não é apenas sacramental, mas uma ponte entre a comunidade eclesial e o mundo”.

Fotos: Hekima University College/ Facebook
Redação (16/02/2026 12:23, Gaudium Press) Durante a cerimônia de ordenação diaconal de 23 membros da Companhia de Jesus (jesuítas), realizada no sábado, 14 de fevereiro, na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, na Arquidiocese de Nairóbi, o Núncio Apostólico no Quênia, Arcebispo Hubertus van Megen, enfatizou que o ministério diaconal envolve o serviço aos pobres e à Igreja, ao mesmo tempo em que estabelece uma ponte entre a comunidade eclesial e o mundo.
Em sua homilia, o arcebispo holandês refletiu sobre o verdadeiro significado de ser diácono. “A identidade do diácono não é exclusivamente sacramental”, declarou Dom Hubertus van Megen. “Ele é, em muitos aspectos, a ponte entre o sagrado que celebramos aqui e o profano que existe lá fora. O diácono serve na liturgia, mas também na vida cotidiana.”
Para viver plenamente sua vocação, prosseguiu o núncio, o diácono — comparado ao levita do Antigo Testamento — precisa de uma fé profunda, um profundo apego a Deus, ao altar, ao sacerdote e à comunidade que serve. “Os primeiros diáconos da Igreja foram chamados sobretudo para atender às viúvas, saciar os sedentos e alimentar os famintos. Eles cuidavam dos pobres e proclamavam o Evangelho”, recordou, remetendo à tradição apostólica.
Inspirando-se na figura dos levitas, que viviam dos frutos do Templo e se dedicavam integralmente ao serviço divino, o arcebispo destacou que a vida celibatária dos futuros presbíteros expressa uma entrega total ao Senhor — uma entrega que “só pode ser vivida pela graça, e não pelo esforço humano”.
Fidelidade à oração e à Liturgia das Horas
Dom van Megen lembrou aos ordenandos o compromisso com a fidelidade à oração, especialmente por meio da Liturgia das Horas. “Vocês estão decididos a cultivar e aprofundar um espírito de oração conforme o seu estado de vida, e a celebrar fielmente a Liturgia das Horas pela Igreja e pelo mundo inteiro?”, perguntou, reforçando a centralidade da vida de oração no ministério.
Ele descreveu o diácono como aquele que assiste ao altar e, simultaneamente, atua como mediador entre a Igreja e o mundo. “De certo modo, até mais do que o presbítero, o diácono é esse mediador”, explicou.
Felipe, o diácono modelo
Como exemplo vivo do ministério diaconal, o núncio citou São Felipe, narrado nos Atos dos Apóstolos. “Felipe é o pregador ideal”, afirmou. Guiado pelo Espírito Santo, ele se tornou um anunciador corajoso do Evangelho. “A missão do pregador não é se apresentar a si mesmo, mas conduzir os outros a Cristo. Nunca atraia as pessoas para você”, alertou.
Após realizar o batismo do eunuco etíope, Felipe “simplesmente desaparece”, recordou o arcebispo, comparando-o à missão do anjo Gabriel, que se retira após cumprir sua tarefa. “Não se trata de nós, mas de Cristo”, insistiu. Ele exortou os novos diáconos a adotarem a atitude do servo humilde: “Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever”.
O verdadeiro discípulo, destacou, revela-se pela humildade e pelo serviço desinteressado, sem esperar nada em troca.
Ao concluir a homilia, Dom Hubertus van Megen sublinhou que, na ordenação, os 23 diáconos se comprometeram plenamente com Cristo por meio do celibato, da oração contínua e do serviço — sobretudo aos mais pobres. “Ele é o nosso Rei, Ele é a Divina Majestade”, declarou. “E como seus diáconos, nós nos dedicamos exclusivamente a Ele.”
A celebração marcou um momento significativo para a Província Jesuíta da África Oriental e para a Igreja no Quênia, reforçando o chamado ao diaconato como serviço humilde, profético e diaconal no coração do mundo.
Com informações Aciafrica






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