Paquistão: Bispos denunciam crescente perseguição a cristãos
Paquistão – Islamabad (Quarta-feira, 29-05-2019, Gaudium Press) A Comissão Nacional de Justiça e Paz da Conferência Episcopal do Paquistão lançou um comunicado onde denuncia o aumento das agressões contra as minorias no país.
Entre os atos de violência são apontados assassinatos, prisões por blasfêmia e profanação de sepulturas de cristãos, informou a Agencia FIDES.
Denúncia de perseguição religiosa
O comunicado da Comissão Nacional de Justiça e Paz (NCJP) da Conferência Episcopal do Paquistão alega que “os membros das minorias religiosas ainda são considerados cidadãos de segunda categoria no Paquistão”.
O pronunciamento dos Bispos salienta que “Nas últimas semanas verificou-se um aumento alarmante de episódios de violência, em particular contra as minorias religiosas” e assevera que “Condenam com firmeza as agressões contra as minorias por causa de sua fé. Esses ataques são intoleráveis: o Estado deve oferecer proteção e segurança a todos os cidadãos”.
Sepulturas cristãs profanadas
Entre os incidentes mencionados no texto, há a profanação de túmulos em Antonioabad, que fica próximo à cidade de Okara: as cruzes de 40 túmulos foram arrancadas e destruídas numa demonstração de preconceito e ódio aos cristãos.
No último dia 14 deste mês de maio, um cristão de 36 anos, Javed Masih, foi morto por seu patrão muçulmano na aldeia de Chak 7, perto de Faisalabad.
Masih sofreu violência e discriminação religiosa por parte de seu empregador e de seus amigos muçulmanos porque decidiu mudar de emprego.
Ainda neste mês de maio, no dia 27, o médico Ramesh Kumar, foi acusado de “blasfemar” contra o islamismo depois que um homem alegou ter recebido do médico remédios embrulhados em papel no qual, segundo ele, “havia versos do Alcorão” impressos. O médico foi detido pela polícia para não ser linchado pela multidão.
Adotar medidas de segurança
O Comunicado da Comissão “Justiça e Paz” pede ao governo que “adote imediatamente medidas eficazes para garantir a segurança das minorias, de acordo com o Artigo 36 da Constituição do Paquistão”, afirmando:
“O governo deve assegurar que os responsáveis por essas violações sejam” sejam levado à justiça e aplicar a decisão da Suprema Corte de 2014, que obriga o Executivo a promover e proteger os direitos legítimos das minorias religiosas”.
O texto do comunicado ainda pede atenção especial com “a segurança das propriedades e dos locais de culto das minorias”.
Prisão para responsáveis pelas perseguições
O arcebispo Joseph Arshad, presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, condena os episódios de violência e afirma no comunicado:
“Eu rezo pelas vítimas, (desta perseguição religiosa) em particular pela alma de Javed Masih e por sua família. Exorto o governo a tomar as medidas necessárias para garantir a segurança e para capturar os responsáveis por tais incidentes”.
Proteger as minorias religiosas
O Pe. Emmanuel Yousaf, diretor nacional do NCJP disse que “Esse tipo de ataques não é aceitável e representa uma séria ameaça à sobrevivência das minorias no Paquistão.”
O diretor executivo da Comissão, Cecil Shane Chaudhry, denunciou que “Os membros das minorias religiosas ainda são considerados cidadãos de segunda categoria no Paquistão. Eles estão lutando por seus direitos fundamentais que precisam ainda ser garantidos pelo Estado”. (JSG)
Deixe seu comentário