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Vocações Sacerdotais em Portugal: “visão fatalista” de fracasso contestada com Estatística

Lisboa – Portugal (Terça-feira, 26-02-2019, Gaudium Press) A Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios (CEVM), da Igreja Católica em Portugal, publicou dados recentes do número de alunos nos Seminários.
Com relação aos últimos anos, as estatísticas indicam um crescimento significativo.

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Entrevista

Em entrevista à Agência Ecclesia, o secretário da CEVM, o padre José Alfredo da Costa, destaca uma estatística que representa para a Igreja Católica “uma esperança”, no meio de uma certa “visão fatalista” diante dos casos mediáticos em que tem estado envolvida, mas significa também “um desafio para que a formação seja cada vez mais eficaz”.

Para o padre José Alfredo, “Se há jovens que continuam a confiar na Igreja, nós temos que merecer esta confiança e naturalmente tem que aprimorar a sua formação sobretudo em duas dimensões: a humana e afetiva e depois na formação permanente, contínua, que no passado por vezes ficou um pouco esquecida”.

Estatística

A Estatística Nacional dos Seminários, atualizada até janeiro de 2019, compreende um arco que vai desde o Pré-Seminário aos Seminários Menores, aos alunos do chamado Ano Propedêutico, aos Seminários Maiores e aos Seminários Redentoris Mater.

A análise, que se estendeu às 20 dioceses do país, permitiu verificar que existem atualmente 580 adolescentes, jovens e adultos que frequentam as diversas instituições formativas e vocacionais da Igreja Católica no país.

O número é mais elevado quando são tidos em conta os alunos provenientes de dioceses estrangeiras: 595.

Em 2012…

Em 2012, a estatística nos Seminários era de 474 alunos, o menor número no século XXI. Porém, diz o Padre Costa, desde então o número de candidatos voltou a crescer e a aproximar-se de dados de outras épocas, como em 2000, quando o total era de 547.

Para o secretário CEVM, “Os frutos veremos depois mais dentro de alguns anos, é preciso confirmar com o número das ordenações e outros aspetos, que é um trabalho que também estamos fazendo mas ainda não está em altura de ser publicado”, ressalva o Padre Costa que, no entanto, considera estes indicadores já “um ganho” para a Igreja Católica em relação ao “investimento das dioceses”.

O Padre José Alfredo cita de modo especial os seminaristas que estão em caminhada no Pré-Seminário, a primeira fase da formação vocacional. Eles são 258.

“O trabalho desta realidade, do Seminário em Família, implica equipes, atividades, logística, e nesse sentido é um dado importante, porque significa que as dioceses investindo neste trabalho da pastoral vocacional, o que é muito bom”.

Diocese por diocese

No que toca à realidade de cada diocese, Lisboa (109), Porto (89) e Braga (62) permanecem como os territórios com um maior número de vocações, seguidas de perto pelas dioceses de Angra (47), Aveiro (46), Setúbal (40) e Viana do Castelo (40).

Um dos desafios da CEVM é trabalhar no sentido de favorecer a dinamização de mais vocações em regiões mais desertificadas ou do interior, como a Guarda e Portalegre-Castelo Branco (2), o Algarve e Viseu (5). Dioceses que, como recorda o padre José Alfredo, foram historicamente “dioceses com muitas vocações”.

“Como não seria necessário um trabalho vocacional, estas dioceses foram estagnando nessa dimensão e agora é preciso fazer um trabalho de atualização da promoção vocacional, reconstruir esse trabalho”, considera o sacerdote.

Os Seminários Redemptoris Mater, contam com candidatos vindos da Índia, por exemplo; ou a vinda de alunos de dioceses estrangeiras (15 provenientes da Ucrânia, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Moçambique) também surge em destaque na Estatística Nacional dos Seminários.

Para completar e finalizar suas informações, o padre José Alfredo da Costa diz:
“Acreditamos que é um ganho para a Igreja em Portugal, até porque resulta na vinda de pessoas de diversas proveniências, de diversas geografias missionárias, que certamente trarão para a Igreja em Portugal desafios de integração dessas pessoas, na nossa pastoral, e elas próprias trarão outras dinâmicas, conhecimentos, experiências”. (JSG)

 

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