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Leão XIV: nosso vínculo com os fiéis falecidos não é interrompido, mas transformado

A celebração no Campo Verano reafirmou a tradição papal de rezar pelos defuntos em um dos cemitérios mais significativos de Roma, unindo a memória dos que partiram à confiança na ressurreição e na comunhão dos santos.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (03/11/2026 10:56, Gaudium Press) Seguindo a tradição mantida por seus predecessores, o Papa Leão XIV dirigiu-se, no dia 2 de novembro de 2026, ao cemitério romano do Campo Verano para a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. O Campo Verano acolheu a Santa Missa presidida pelo Santo Padre. Vários milhares de fiéis participaram da liturgia.

Na homilia, o Papa destacou o sentido profundo da celebração nesse “lugar de oração e memória, de afeto e esperança”. A Eucaristia, disse ele, foi oferecida “em sufrágio dos fiéis falecidos, em particular daqueles que aqui repousam e de quem cada um de nós traz no coração”.

Leão XIV lembrou que comemorar os fiéis defuntos no dia seguinte à Solenidade de Todos os Santos “orienta a nossa prece”. A oração se dirige ao Pai do céu para que a vida de santidade e bem-aventurança já desfrutada por tantos filhos e filhas de Deus envolva também a alma daqueles que dormem o sono da paz.

Nas mãos de Deus

O Papa apoiou-se nas leituras da Missa para reforçar a confiança nas mãos de Deus. Citando o Livro da Sabedoria, afirmou que essas mãos “são capazes de preservar eficazmente a alma dos justos: ‘Nenhum tormento os tocará’ (Sb 3, 1)”. Essa “promessa de salvação”, destacou, torna-se, especialmente neste dia, “o cerne da súplica que elevamos ao Senhor da vida por todos os fiéis falecidos”.

Ele pediu que as mãos paternas e seguras de Deus os conservem para sempre, a fim de que possam desfrutar plenamente da comunhão prometida no Apocalipse: “Eles serão o seu povo e Deus estará com eles” (Ap 21, 3). A oração de cada um intercede para que se realize essa comunhão eterna de vida, prometida pelo Bom Pastor às suas ovelhas.

As Bem-Aventuranças no limiar entre o tempo e a eternidade

Leão XIV deteve-se no Evangelho das Bem-Aventuranças (Mt 5, 1-12), que descreveu como “o autorretrato de Jesus”. “As Bem-Aventuranças são o caminho para uma vida plena e completa, já agora e para a eternidade”, afirmou. Esse anúncio de salvação “ressoa com particular força espiritual no cemitério, que é como que limiar entre o aquém e o além, entre a existência terrena e o além que nos espera”.

Entre as oito bem-aventuranças, uma tocou o Papa de modo particular neste dia: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5, 4). “Neste momento”, disse, “queremos rezar por quantos perderam recentemente um ente querido; em particular, por aqueles a quem a violência absurda da guerra o arrancou. Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos comovam a consciência daqueles que têm o poder de silenciar as armas!”.

A morte transformada pela fé

No oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, o Papa recordou a “bem-aventurança” que o santo acrescentou ao Cântico das Criaturas ao sentir a proximidade do fim: o louvor à “irmã morte corporal” e a bem-aventurança daqueles que a morte encontra na vontade santa de Deus.

Encerrando a homilia, Leão XIV afirmou com clareza: “A fé em Cristo diz-nos que o nosso vínculo com os fiéis falecidos não é interrompido, mas transformado. Com a oração de sufrágio, acompanhamos os nossos entes queridos rumo à plena comunhão com o Senhor, aquela comunhão que realmente já antecipamos aqui, no Sacramento da Eucaristia”. Animados por essa fé cheia de esperança, os fiéis são convidados a prosseguir o caminho terreno na espera do dia em que o Senhor enxugará todas as lágrimas, quando “já não haverá morte, nem luto, nem lamento, nem angústia” (Ap 21, 4).

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