Igreja maronita profanada no norte de Israel
Arquieparquia Católica Maronita de Haifa condena o vandalismo, “uma agressão grave e inaceitável” em sala de oração em Nahariya e exige investigação.

Foto: Facebook/ لمدينة الاعلامي
Redação (02/11/2026 09:51, Gaudium Press) No dia 1º de novembro de 2026, festa da solenidade de Todos os Santos, a comunidade cristã maronita de Nahariya, no norte de Israel, foi surpreendida por um ato de vandalismo em sua sala de oração dedicada aos Santos Pedro e Paulo. Fiéis que chegaram ao local no final da tarde encontraram imagens quebradas e destruídas, e o espaço profanado.
O local funciona em um prédio municipal e serve à comunidade de origem libanesa, formada em grande parte por famílias de veteranos do antigo Exército do Sul do Líbano (SLA) e seus descendentes, que vivem na região há cerca de 26 anos. Segundo relatos, a sala atende cerca de 1.100 pessoas, com dezenas participando das orações aos domingos e centenas em festas religiosas. Entre os itens danificados estavam imagens da Virgem Maria e de São Charbel, santo particularmente venerado pelos maronitas libaneses.

Foto: Facebook/ لمدينة الاعلامي
Um detalhe chamou a atenção: no altar foi deixado um bilhete em inglês pedindo perdão, com palavras no sentido de “não sei o que me deu”. O padre Yosef Yaakov, porta-voz da comunidade maronita em Israel, informou que o vandalismo foi descoberto por volta das 17h30, quando um fiel chegou para preparar a oração marcada para as 19h. A polícia de Nahariya abriu investigação e examina todas as linhas possíveis, incluindo se houve motivação de ódio religioso. Até o momento, os autores e o motivo permanecem desconhecidos.
O Pe. Rody (ou Rudy) Noura, responsável pela comunidade local, expressou choque, mas afirmou que perdoa os responsáveis e que nada semelhante havia ocorrido em 26 anos de presença da comunidade na cidade. Ele destacou que o local pertence à municipalidade e é usado pela comunidade para atividades e orações.
A Arquieparquia Católica Maronita de Haifa, liderada pelo Arcebispo Moussa El-Hage, emitiu nota oficial condenando com firmeza o episódio. O texto classifica o ato como “uma agressão grave e inaceitável”, que atinge não apenas bens da Igreja, mas sobretudo o caráter sagrado de um espaço dedicado ao culto e o direito dos fiéis de praticar a religião com liberdade, segurança e dignidade.
A nota reforça que “o caráter sagrado das casas de Deus não pode ser objeto de compromisso ou negociação” e que “a liberdade de culto é um direito sagrado que deve ser respeitado e protegido para todos, sem exceção”. Destaca ainda que locais de culto de qualquer confissão ou religião devem ser preservados contra violência, vandalismo e profanação, pois tais atos violam princípios humanos e morais fundamentais, além dos valores de coexistência e respeito mútuo que deveriam unir os habitantes da região, independentemente de afiliações religiosas ou comunitárias.
A Arquieparquia exige que as autoridades competentes e os serviços de segurança assumam suas responsabilidades, investiguem de forma imediata e determinada, identifiquem e apreendam os autores e os levem à justiça, além de adotarem medidas para proteger o local e impedir novas ocorrências. A comunidade, por sua vez, afirma que não se deixará intimidar e continuará utilizando a sala para orações, com fé, determinação e serenidade, enquanto aguarda o desenrolar do processo judicial.
No mesmo documento, a Arquieparquia deixa claro que não responderá ao mal com o mal nem ao vandalismo com ódio. “Permanecemos firmes em nossa fé e em nossa missão, fundamentadas no amor, na paz e na dignidade humana. Contudo, o perdão não significa silêncio diante da agressão, e o amor não significa renunciar a nossos direitos. Buscar a justiça é um dever do qual não podemos nos esquivar.” A nota encerra com uma oração pedindo a Deus que proteja o povo, preserve os lugares de culto, inspire as autoridades a cumprir seu dever e faça daquela terra um espaço de paz, justiça e segurança para todos.
Nahariya, cidade de cerca de 60 mil habitantes próxima à fronteira com o Líbano, abriga essa comunidade cristã que manteve, durante décadas, uma convivência pacífica. O episódio, ocorrido em data tão significativa para a Igreja Católica, gerou indignação e preocupação, especialmente entre famílias com crianças que frequentam o local. Autoridades israelenses e representantes da comunidade maronita acompanham o caso de perto, enquanto a investigação policial segue em andamento.





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