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Acidente ferroviário na Espanha: sacerdote dá absolvição geral

O padre destaca a beleza do sacerdócio: “ser um sinal da presença de Deus e da misericórdia de Deus no meio do mundo. E isso vale a pena, com certeza”.

Foto: Wikipedia

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Redação (01/11/2026 11:05, Gaudium Press) Na manhã de 28 de outubro, dois trens de alta velocidade que seguiam de Madri a Sevilha colidiram perto da estação de Urda, na província de Toledo, Espanha. O impacto — em alta velocidade após uma falha no sistema de sinalização — deixou um cenário de destruição: vagões retorcidos, corpos e feridos espalhados, e um saldo de 69 mortos e mais de 200 feridos. Foi nesse cenário descrito por testemunhas como dantesco que chegou o Padre Fernando Fernández de Bobadilla, pároco de Los Yébenes, município vizinho.

Ele não foi como espectador nem apenas como voluntário. Foi como sacerdote. “Fui até o local com a ideia de que sou sacerdote e de que meu ministério sacerdotal, em síntese, consiste em levar as pessoas ao céu, administrando a graça da salvação”, resumiu depois em entrevista à EWTN. Diante da impossibilidade de atender individualmente cada ferido ou moribundo, lembrou-se de uma disposição do Direito Canônico. O cânon 961 permite a absolvição geral em perigo de morte iminente, quando não há tempo nem condições para confissões individuais.

Vendo que havia ali mortos e pessoas que estavam prestes a morrer, em voz alta, ele implorou a misericórdia de Deus e concedeu a absolvição sacramental coletiva, com a intenção de alcançar todos os pecados da vida daquelas pessoas. Depois, aproximou-se de cada uma que ainda podia ouvi-lo. “Sou o padre, venho rezar por você”, repetia. Algumas respondiam com uma lágrima; outras, com um sorriso. Até uma jovem norte-americana ouviu, em inglês, “I pray for you”, e sorriu. Em seguida, o sacerdote se colocou à disposição das equipes médicas: segurava soros, apoiava cabeças, ajudava a carregar feridos. Ficou horas no local, um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair.

O Pe. Fernando atribui essa postura a uma formação espiritual profunda, recebida do Venerável José Rivera, seu diretor espiritual, e influenciada também pelo Venerável Dom José María García Lahiguera. Trata-se de ser “sacerdote e vítima”: oferecer-se pelos que não se oferecem, rezar pelos que não rezam, unir o próprio sofrimento e o dos outros ao de Cristo.

Ele recorda a oração dos pastorinhos de Fátima — “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

No meio dos destroços, isso se traduziu em um desejo interior insistente: “Que este sofrimento não se perca”. Ele o oferecia a Deus unido ao de Jesus, confiante de que o Senhor sabe transformar o que parece inútil em algo fecundo no seu plano. O sofrimento físico de cada ferido é intransferível, mas a intenção de apresentá-lo a Deus pode ser assumida por outro.

E, olhando para trás, afirma que, nessas circunstâncias, se percebe com particular clareza a beleza do sacerdócio: “ser um sinal da presença de Deus e da misericórdia de Deus no meio do mundo. E isso vale a pena, com certeza”.

Com informações EWTN News 

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