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Igreja Católica na Bélgica: menos fiéis e mais Batismos de adultos

O nono relatório anual da Conferência Episcopal da Bélgica (CEB), divulgado nesta quarta-feira, mostra uma queda geral no número de sacramentos católicos administrados à população belga, com exceção dos batismos de adultos, que atingiram o nível mais alto dos últimos nove anos.

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Redação (30/10/2026 08:46, Gaudium Press) O nono relatório anual da Igreja Católica na Bélgica, divulgado em 28 de outubro e referente ao ano de 2025, confirma um processo de retração que já se observa há décadas. Menos fiéis nas missas, menos casamentos religiosos, menos sacerdotes e igrejas sendo desativadas. Em um país historicamente marcado pela influência católica, os números retratam uma instituição que perde importância. Ao mesmo tempo, o crescimento no número de Batismos de adultos aponta para uma mudança: a fé deixa de ser herdada automaticamente e passa a ser, cada vez mais, uma decisão pessoal.

A presença na missa dominical e a recepção de Sacramentos diminuem

No terceiro domingo de outubro de 2025, data do recenseamento nacional de frequência, 155.084 pessoas participaram da missa. Em 2024, eram 173.335 — uma queda de cerca de 10,5% em apenas um ano. No Natal, o número sobe para 388.096 participantes, mostrando que as grandes festas ainda mobilizam mais gente do que os domingos comuns.

Os sacramentos acompanham a tendência. Em 2025 foram celebrados 27.666 Batismos (incluindo adultos); 29.073 primeiras comunhões de crianças em 2025 contra 30.523 em 2024, o que representa uma queda de 4,7% (após uma queda de quase 10% já registrada no ano anterior); 26.959 crismas. Os casamentos religiosos caíram de 4.896 para 4.122 (quase 16% a menos). Os 31.743 funerais católicos representaram apenas 31,4% do total de óbitos no país contra 35.515 em 2024, o que representa uma queda de 10,6%. Esses dados reforçam o fim da prática institucional “automática”: o Catolicismo deixa de fazer parte da vida da maioria dos belgas.

A crise das vocações

A escassez de sacerdotes é o ponto mais crítico. A Bélgica conta com 3.262 padres (1.603 diocesanos e 1.659 religiosos), número inferior aos 3.363 do ano anterior. Apenas quatro ordenações ocorreram em 2025. Os seminários reúnem apenas 28 candidatos, dos quais 20 são belgas. Para manter a vida pastoral, a Igreja conta com 368 padres diocesanos vindos de outros lugares, em sua maioria estrangeiros. Esse reforço ajuda no curto prazo, mas não resolve a falta de vocações locais.

O mapa paroquial também se transforma. Ainda existem 3.438 paróquias, mas 66 foram absorvidas por fusões ou reagrupamentos em 2025. Vinte e nove igrejas foram dessacralizadas; três delas passaram a ser usadas por outros cultos cristãos. O patrimônio religioso, outrora central na paisagem e na vida cotidiana belga, vai sendo redistribuído ou desativado.

Um cenário religioso em transformação

Essa retração católica ocorre em um país cujo aspecto religioso mudou profundamente. Um estudo de 2026, realizado por pesquisadores das universidades de Liège, Bruxelas e Cambridge, contabilizou 345 mesquitas na Bélgica, sendo 80 só na região de Bruxelas (21 em Molenbeek, 18 em Schaerbeek, 13 na cidade de Bruxelas e 10 em Anderlecht). Segundo dados do Serviço Público Federal de Justiça, os religiosos remunerados do culto islâmico passaram de 38 em 2012 para 105 em 2025, enquanto os da religião católica caíram de 3.094 para 2.620.

Esses números medem a presença institucional e financiamento público, não o número absoluto de fiéis. A secularização belga continua crescendo. O contraste, contudo, é visível: enquanto estruturas católicas se retraem, o culto muçulmano ganha visibilidade e organização.

Sinais de vitalidade: Batismos de adultos e engajamento leigo

No meio do quadro de retração, um indicador cresce de forma consistente. Os Batismos de adultos subiram de 362 em 2024 para 534 em 2025 (aumento de cerca de 47,5%). As projeções para 2026 apontam para pelo menos 689, triplicando o número de uma década atrás. Também aumentaram as Crismas de adultos já batizados (313 em 2025). Esses números ainda são modestos em escala nacional, mas revelam uma fé que se torna escolha consciente, muitas vezes após percursos de busca espiritual em contextos seculares ou de outras tradições.

Isso não impede, porém, que se registre uma nova queda de 10% no número de fiéis belgas em 2025.

A Igreja também se apoia em uma base leiga numerosa: cerca de 96.573 voluntários atuam nas paróquias. Os grandes santuários marianos (Scherpenheuvel, Banneux, Oostakker e Beauraing) recebem, segundo estimativas, cerca de 1,54 milhão de visitantes por ano, mantendo um papel de atração espiritual e cultural.

Monsenhor Luc Terlinden, presidente da Conferência Episcopal belga, tem insistido que “tudo na Igreja deve estar orientado para a missão” de anunciar o Evangelho.

O relatório de 2026 não esconde a gravidade do declínio estrutural: quatro ordenações, dezenas de igrejas desativadas e frequência dominical em queda rápida. Ao mesmo tempo, o aumento dos batismos de adultos, a mobilização voluntária e a permanência dos santuários mostram que a fé continua a atrair quem a busca de forma pessoal.

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