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Igreja denuncia massacre de cristãos na Etiópia

Homens armados invadiram comunidades cristãs na região de Oromia, matando moradores e incendiando residências. Igreja Ortodoxa Etíope exige providências das autoridades e denuncia o agravamento da violência contra seus fiéis.

Foto: Wikipedia

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Redação (28/10/2026 10:54, Gaudium Press) Pelo menos 60 cristãos ortodoxos foram assassinados em dois ataques realizados nos dias 20 e 24 de outubro na região de Oromia, no centro da Etiópia. Entre as vítimas estão crianças e idosos. O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo denunciou os crimes e exigiu do governo ações imediatas para garantir a segurança das comunidades ameaçadas.

Segundo informações da Reuters e do Vatican News, os ataques ocorreram na zona de Arsi, a cerca de 200 quilômetros ao sul da capital, Adis Abeba. O primeiro, no distrito de Merti, deixou 14 mortos. Quatro dias depois, outros 46 cristãos foram assassinados em localidades do distrito de Shirka.

Testemunhas relataram que homens armados invadiram casas e atacaram moradores com armas de fogo e facas. Pelo menos 20 residências foram incendiadas, mais de 20 pessoas ficaram gravemente feridas e uma igreja teria sido danificada. Templos vizinhos acolheram famílias que fugiam da violência.

Igreja denuncia perseguição e exige proteção aos cristãos

Em comunicado divulgado na segunda-feira, 26 de outubro, o Santo Sínodo classificou os ataques como atos desumanos, incompatíveis com os princípios religiosos e a liberdade religiosa, e que violam os direitos constitucionais à vida. Os bispos também alertaram para o aumento dos assassinatos, dos deslocamentos forçados e da destruição de propriedades de fiéis nos últimos anos.

A liderança ortodoxa exigiu que as autoridades identifiquem e punam os responsáveis, reforcem a segurança nas áreas ameaçadas e adotem medidas para prevenir novos ataques.

O Sínodo também convocou celebrações e orações pelas vítimas para terça-feira, 27 de outubro, em igrejas e mosteiros ortodoxos etíopes de todo o mundo.

Quem está por trás dos massacres?

Autoridades de Oromia atribuíram os massacres a grupos rebeldes ligados ao Exército de Libertação Oromo (OLA), organização armada que combate o governo etíope. O porta-voz regional Hailu Adugna acusou os insurgentes de atacar civis para fomentar tensões étnicas e religiosas e desviar a atenção de derrotas militares sofridas por forças rebeldes no norte do país.

Entretanto, segundo a Associated Press, as autoridades não apresentaram publicamente provas que sustentem as acusações. Uma fonte ligada à aliança rebelde, ouvida pela Reuters, responsabilizou o governo regional pelos assassinatos.

O projeto de monitoramento de conflitos ACLED informou à AFP que o ataque de 24 de outubro pode ter tido motivação religiosa e como alvo os cristãos ortodoxos. A organização também registrou um aumento da violência contra essas comunidades desde fevereiro de 2023, com intensificação no último ano.

Até o momento, não há confirmação independente sobre os responsáveis nem sobre a motivação de todos os assassinatos.

Cristãos enfrentam crescente insegurança na Etiópia

Oromia, a região mais populosa da Etiópia, com aproximadamente 40 milhões de habitantes, enfrenta há anos confrontos entre forças governamentais, movimentos separatistas e organizações armadas.

A população reúne cristãos ortodoxos, protestantes e muçulmanos. Embora os conflitos envolvam disputas políticas, territoriais e étnicas, organizações de monitoramento alertam para a exploração de tensões religiosas.

Dados do Conselho Etíope de Direitos Humanos indicam que pelo menos 432 civis e quatro integrantes de milícias locais foram mortos em ataques direcionados na região de Arsi Oriental, entre 2021 e junho de 2026.

A falta de segurança preocupa as lideranças religiosas, que temem novos massacres e o deslocamento de comunidades inteiras.

Bispos católicos também pedem o fim da violência

A Igreja Católica também manifestou preocupação com a deterioração da segurança no país. Em declaração publicada em 1º de outubro, a Conferência Episcopal Católica da Etiópia pediu às partes envolvidas nos conflitos que abandonem a violência e busquem soluções por meio do diálogo, do perdão e da reconciliação.

Os bispos advertiram que as guerras aprofundam divisões e ampliam o sofrimento da população, especialmente de crianças, mulheres, idosos e enfermos.

O apelo foi feito após o Papa Leão XIV pedir diálogo, em 30 de setembro, diante da intensificação dos confrontos em diferentes regiões etíopes.

Enquanto as investigações prosseguem, a Igreja Ortodoxa Etíope insiste na necessidade de garantir condições para que seus fiéis professem livremente a fé, sem medo de novos ataques. Em sua mensagem, o Santo Sínodo confiou as vítimas à misericórdia divina e pediu o descanso eterno para os mortos, manifestando o desejo de que recebam a honra do martírio.

Por Rafael Ribeiro

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