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Leão XIV no Ângelus: sem o amor, nossa fé ficaria desprovida do seu conteúdo

Cristo coloca o amor no centro de nossa relação com Deus, lembrou Leão XIV, e Deus espera de nós uma relação pessoal.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (25/10/2026 11:48, Gaudium Press) No Ângelus deste domingo, 25 de outubro, na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV comentou o Evangelho de Mateus (Mt 22, 34-40). Nele, um doutor da Lei tenta colocar Jesus à prova perguntando: “Qual é o maior mandamento da Lei?”. A resposta de Jesus, ressaltou o Pontífice, resume a essência da relação com Deus e com o próximo.

Jesus responde citando o Deuteronômio: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente” (Mt 22, 37; cf. Dt 6, 5). O Papa destacou que Cristo coloca a dimensão do amor como ponto fundamental da relação com Deus. “Realmente, não basta saber que Deus existe, que é único ou que é o Todo-Poderoso; o Senhor espera de nós uma relação pessoal: o único Deus verdadeiro quer tornar-se o nosso Deus”, afirmou.

Leão XIV enfatizou que, no encontro com Deus, o mandamento do amor não é obrigação nem imposição. “Na verdade, não se pode amar ‘por ordem de alguém’. O amor a Deus é uma exigência que faz parte do desejo do homem, que encontra a sua plena realização na comunhão com Ele. Por isso, o nosso amor só pode ser autêntico quando é uma resposta ao seu amor, que sempre nos precede. Daí a necessidade de uma totalidade que envolva integralmente a pessoa: coração, alma e mente”.

Ao primeiro mandamento, Jesus acrescenta um segundo: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 39). Segundo o Papa, essa regra de vida surge da mesma fonte. “A partir da relação íntima com Deus, tornamo-nos capazes de olhar para nós próprios e para o próximo com o mesmo olhar de Cristo, segundo a sua perspectiva. Desta forma, o egoísmo é superado e até o amor a si mesmo se transforma em caridade: a nossa existência volta-se para o outro e torna-se um dom para quem está ao nosso lado”.

Para ilustrar a força desse amor, o Pontífice citou Santa Teresinha do Menino Jesus: “Só o amor – escrevia ela – impele os membros da Igreja à ação; se esse amor se extinguisse, a Igreja já não anunciaria o Evangelho”. Sem o amor, explicou Leão XIV, “a nossa fé ficaria desprovida do seu conteúdo, as nossas boas obras reduzir-se-iam a moralismo e a nossa esperança seria vã”.

O Papa concluiu de forma clara e direta: “Caríssimos, não podemos amar a Deus de verdade sem que esse amor transborde em amor pelos nossos irmãos e irmãs. E não podemos amar verdadeiramente o nosso próximo senão como filhos do mesmo Pai, que em seu Filho Jesus nos amou primeiro”.

Antes de rezar o Angelus, Leão XIV convidou os fiéis a pedirem “a graça de um coração novo, capaz de acolher e viver o grande mandamento”. E confiou essa súplica à intercessão da Virgem Maria, “em cujo coração imaculado nada mais há senão amor”.

Após a oração, o Papa também recordou a grave situação humanitária no Iêmen (especialmente em Taiz), o atentado na Jordânia e o encontro inter-religioso em Assis pelo 40º aniversário da iniciativa de São João Paulo II, reforçando o pedido de oração pela paz.

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