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Fugiu da Polônia: os poloneses foram buscá-lo no Céu

Em 28 de outubro, nascia aquele que viria a ser o padroeiro da Polônia: Estanislau Kostka. Apesar de ter deixado a terra natal, após a morte foi visto, em diversas ocasiões, à frente do exército polonês.

Santo Estanislau Kostka - Igreja dos Jesuítas, Santander (Espanha) - Foto: Sérgio Hollmann

Santo Estanislau Kostka – Igreja dos Jesuítas, Santander (Espanha) – Foto: Sérgio Hollmann

Redação (27/10/2026 18:52, Gaudium Press) Viena, 1566. Numa hospedagem encontra-se Estanislau Kotska acometido de uma gravíssima doença. [1] Sentindo a morte aproximar-se, pede os sacramentos. Mas o seu anfitrião luterano nega-lhe o pedido.

Entre preces e tormentos, tem a visão de um anjo que lhe traz a Sagrada Comunhão. Contempla, ainda, uma visita de Nossa Senhora, que faz ao moribundo um único pedido: entrar na Companhia de Jesus.

* * *

28 de outubro de 1550. Qualquer transeunte que estivesse em Varsóvia e passasse pelas proximidades do castelo de Rostkowo encontraria um ambiente festivo: nascia Estanislau, o segundo filho dos Kotskas.

Em meio ao contentamento geral, surgiam as primeiras expectativas: seria ele político como o pai, ou cavaleiro como tantos de seus antepassados? Ingressaria na vida religiosa? Perguntas que só o futuro poderia responder.

Todavia, a Providência já dava mostras de sua predileção: ao nascer, o menino apresentava no peito três cruzes vermelhas. Essas marcas representavam as batalhas que o aguardavam no itinerário curto e intenso que lhe reservara a Santíssima Virgem.

Do estudante nasce o santo

Já criança, Estanislau demonstrava uma enorme piedade, influenciado fortemente pela mãe. Conta-se que seu primeiro ato de razão foi uma consagração a Deus, feita com todo o fervor.

Além disso, revelava um enorme gosto pelos estudos: entusiasmavam-no as aulas de latim, gramática e religião dadas por seu tutor, o Pe. Bilinski.

Graças ao bom aproveitamento nos estudos, em 1964, foi enviado, junto com seu irmão, a Viena, a fim de receber formação dos jesuítas no recém-fundado Collegium nobilium – Colégio dos nobres. No convívio com os demais estudantes, demonstrava tamanha generosidade, dedicação e zelo nos estudos que despertava admiração até mesmo entre aqueles menos inclinados às vias da santificação.

Inicialmente, o jovem Kotska ficou contentíssimo com os estudos. Entretanto, com o passar do tempo, essa mudança se tornaria um verdadeiro martírio: seu irmão, ludibriado pelo delírio da falsa liberdade, entregou-se aos piores vícios, e, não satisfeito, tentava arrastar Estanislau. Diante da recusa deste, passou a persegui-lo.

Pouco depois, o imperador Maximiliano II requisitou dos jesuítas a desocupação das dependências do Collegium utilizadas pelos estudantes. Sem outra alternativa, os Kotskas tiveram de transferir seu filho para um castelo localizado no centro da capital, pertencente a um luterano.

A partir de então, o jovem passou a viver em um antro de perdição, tendo em seu quarto o único refúgio. Aquelas quatro paredes seriam, ao longo de dois anos, testemunha de uma luta contínua e de perseverança, conquistada com muitas orações e lágrimas.

Transcorreram dois anos naquele ambiente hostil à religião, até que a tragédia narrada acima deu ao jovem polonês a coragem para encetar a vida religiosa.

Como contava apenas dezesseis anos, Estanislau precisava da autorização do pai para ingressar na Companhia de Jesus. Como obteria a aprovação de quem almejava ao seu filho uma carreira política? Diante desse primeiro obstáculo, confiou no auxílio d’Aquela de quem nunca se ouviu dizer que alguém não fosse atendido.

Com a ajuda de alguns jesuítas, o jovem decidiu empreender uma viagem a fim de suplicar o auxílio de São Pedro Canísio. “Fugiu”, pois, Kotska no dia 10 de agosto de 1567, dia de São Lourenço, disfarçado de peregrino, iniciando um trajeto que terminaria no céu.

Andrea pozzo bozzetti a tempera per le storie di san stanislao kostka 06 stanislao ricevuto a roma da francesco borgia nella compagnia del gesu

Como fugir para o Céu?

A Baviera amanhecia com o sol de agosto, que incidiam sobre a entrada da Universidade de Dillingen. Ali, um jovem peregrino solicitava ingresso na vida religiosa.

Embora receoso, o superior o acolheu e o submeteu a algumas provas antes de aceitá-lo. Deu a esse filho da nobreza polonesa funções próprias aos serventes: servir às mesas, arrumar os quartos e limpar os corredores…

Durante três semanas, Kostka cumpriu com perfeição todas as tarefas que lhe eram confiadas. Esse período foi suficiente para que o superior reconhecesse a autenticidade de sua vocação. Entretanto, devido à incompreensão dos progenitores, não era possível aceitá-lo como noviço. Restava-lhe uma solução: dirigir-se a Roma.

Na Cidade Eterna, encontrava-se Francisco de Bórgia, o Superior-Geral da Companhia de Jesus, a quem caberia decidir sobre sua admissão na Ordem.

Estanislau, já habituado à vida de peregrino, partiu rumo à capital do mundo católico, onde chegou em 23 de outubro de 1567.

Quantas emoções deveriam passar na alma deste rapaz que apenas começava sua vida religiosa! Todo aquele ambiente, impregnado de bênçãos, o encantava. Porém, longe de gozar dos prazeres mundanos, dirigiu-se imediatamente ao encontro do Superior. Finalmente, pelas mãos de Pedro Canísio, Estanislau Kostka pôde cumprir a vontade de sua Senhora, Maria Santíssima.

Apenas dois dias depois de sua chegada, recebeu o hábito de noviço, passando a orientar todos os seus atos pelo lema inaciano: “Ad majorem Dei gloriam”.

Destacavam-se nele, sobretudo, a devoção eucarística, obediência e humildade heroicas. A devoção marial incendiava o seu coração, razão pela qual muitos o chamavam de “serafim de amor”.

Sua última viagem

No entanto, tão somente um ano após a fuga de Viena, este noviço que tanto prometia foi acometido por uma febre. Embora os enfermeiros não identificassem nela sinais de gravidade, Estanislau já pressentia que tal doença o levaria à morte.

Ele, que já passara por situação semelhante, agora estava no lugar que Nossa Senhora desejava: havia cumprido seu chamado.

A solenidade da Assunção foi a data escolhida pela Rainha dos Céus para acolher seu amado filho. Ela atendia inclusive um pedido que ele havia deixado por escrito algum tempo antes: o de transpor os umbrais desta vida nesse mesmo dia. Sua morte, atestam os biógrafos, foi de amor à Santíssima Virgem.

Patrono da Polônia

Sua vida de santidade e os milagres a ele atribuídos resultaram no decreto de sua canonização em 1714, por Clemente XI, e, em 31 de dezembro de 1726, sob o pontificado do Papa Bento XIII, ocorreu a cerimônia solene de sua canonização junto com São Luís de Gonzaga.

Logo após sua morte, a devoção a Estanislau Kostka se alastrou, de maneira especial na sua terra natal, a Polônia.

Conta-se que várias vezes ele foi visto à frente do exército polonês em combate contra os turcos e os cossacos. Por isso, atendendo ao pedido da nação, o Papa João Paulo II proclamou padroeiro da Polônia aquele jovem que fugiu para o Céu.

Por Caio Pulgatti


[1] Os dados biográficos contidos no presente artigo foram extraídos das obras: GONZÁLEZ, Francisco Pérez. Dos mil años de santos. Madrid: Palabra, 2001; GUÉRIN, Paul, Vie de Saints. Paris: A. Taffin-Lefort, 1894; FABRE, Pierre Antoine; PIERRE, Benoist. Les Jésuites. Histoire et dictionnaire. Paris: Bouquins, 2022.

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