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Angola: 302 novos crismados convidados a participar da missão da Igreja

A proclamação do amor de Deus é dirigida a todos os povos, independentemente de sua raça, idioma ou origem étnica, afirmou o arcebispo.

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Redação (23/10/2026 11:07, Gaudium Press) O arcebispo de Lubango, em Angola, Dom Gabriel Mbilingi, fez um forte apelo aos fiéis para que rejeitem o tribalismo e qualquer forma de discriminação baseada na língua, na cultura ou na origem étnica. Segundo o prelado, quem recebeu o Espírito Santo é chamado a acolher pessoas de diferentes origens e a promover a unidade na diversidade.

A mensagem foi proferida durante uma Missa celebrada no dia 17 de outubro na Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada, na Arquidiocese de Lubango, ocasião em que 302 candidatos receberam o Sacramento da Confirmação. Diante de uma assembleia numerosa, Dom Mbilingi advertiu contra o uso da identidade cultural e linguística como instrumento de exclusão.

Membro da Congregação do Espírito Santo — também conhecida como Espiritanos ou Padres do Espírito Santo —, o arcebispo angolano afirmou que aqueles que receberam o Espírito Santo não devem alimentar divisões nem utilizar uma linguagem que “promova o desprezo por quem não pertence à sua própria cultura”.

“O Espírito Santo é a fonte da unidade da Igreja, a qual se expressa na diversidade de línguas, culturas e cores”, destacou.

Unidade na diversidade, inspirada em Pentecostes

Dom Mbilingi explicou que os cristãos não podem mais se fechar em suas próprias comunidades linguísticas, culturais ou étnicas. As diferenças de língua e tradição, segundo ele, devem favorecer a abertura, o respeito mútuo e a compreensão.

Ao evocar o episódio de Pentecostes, o arcebispo lembrou que os discípulos receberam a capacidade de comunicar o Evangelho a pessoas de diferentes origens. Essa experiência, afirmou, mostra que a diversidade linguística e cultural deve gerar oportunidades de diálogo e de relações mais sólidas.

“A missão dos discípulos consistiu em proclamar o amor de Deus”, declarou o ordinário local da Arquidiocese de Lubango desde setembro de 2009.

O prelado reforçou que a mensagem cristã não pode se limitar a um grupo social, a um idioma ou a uma tradição cultural específica. A proclamação do amor de Deus está destinada a todos os povos, independentemente da raça, da língua ou da origem étnica.

A comunhão cristã, explicou, não exige que todos falem o mesmo idioma ou compartilhem o mesmo contexto cultural. Trata-se da unidade na diversidade. “A Igreja deve comunicar a mesma mensagem: a mensagem da salvação, a mensagem do amor de Deus”, concluiu.

Dom Mbilingi instou os cristãos a expressarem essa mensagem por meio do trato com o próximo e da participação na vida comunitária. Pertencer a uma comunidade concreta, ressaltou, nunca deve justificar o menosprezo por pessoas cujas costumes, tradições ou formas de expressão diferem das próprias.

Exortação aos crismados

Dirigindo-se especificamente aos jovens e adultos que recebiam o Sacramento da Confirmação, Dom Mbilingi os animou a aprofundar a formação cristã e a participar ativamente da missão da Igreja. Explicou que esse sacramento fortalece o povo de Deus para difundir e defender a fé, bem como para dar testemunho dos valores evangélicos nas comunidades.

Nascido em 17 de janeiro de 1958 em Bândua, no município de Andulo, província do Bié, Dom Gabriel Mbilingi ingressou na Congregação do Espírito Santo e foi ordenado sacerdote em 26 de fevereiro de 1984. Nomeado bispo coadjutor de Luena (Lwena) em 1999, foi consagrado pelo Papa João Paulo II em 6 de janeiro de 2000. Sucedeu como bispo daquela diocese no mesmo ano, foi nomeado arcebispo coadjutor de Lubango em dezembro de 2006 e assumiu a arquidiocese em setembro de 2009, sucedendo Dom Zacarias Kamwenho.

Ao longo de sua trajetória, presidiu a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), a Assembleia Inter-Regional dos Bispos da África Austral (IMBISA) e o Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SECAM), de 2013 a 2019.

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