Leão XIV no Ângelus: viver sem concessões, livres de más ambições e de interesses injustos
Com a sua presença para a oração do Ângelus deste domingo, Leão XIV sinaliza o início gradual da retomada de suas atividades.
Foto: Vatican News/ Vatican Media
Redação (18/10/2026 08:11, Gaudium Press) Menos de uma semana após a cirurgia pulmonar realizada no dia 13 de outubro, o Papa Leão XIV apareceu neste domingo, 18 de outubro, na janela de seus aposentos pontifícios para rezar o Ângelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. Foi a mesma janela de onde, uma semana antes, anunciara a operação, realizada com sucesso no Hospital Gemelli, em Roma.
Após cinco dias de internação e um dia depois de receber alta, o Pontífice agradeceu calorosamente as orações recebidas: “Desejo agradecer a todos aqueles que, nestes dias, rezaram por mim. Senti verdadeiramente o vosso apoio, obrigado!”. Manifestou ainda especial reconhecimento aos médicos, enfermeiros e a todos os funcionários da Policlínica Gemelli.
“Esta experiência fez-me sentir de modo particular a proximidade com todos aqueles que enfrentam a doença e uma condição de enfermidade”, afirmou. E acrescentou: “Superada esta fase delicada, como sabeis, agora retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e das vossas orações”.
Dai a César o que é de César
Na meditação dominical, Leão XIV centrou-se no Evangelho de São Mateus (Mt 22, 15-21), destacando uma das frases mais conhecidas de Jesus: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (v. 21). O Papa insistiu na importância de situá-la no contexto original.
Segundo o relato de Mateus, a situação era hostil: os fariseus reuniram-se para tentar apanhar Jesus em contradição e enviaram pessoas para interrogá-lo sobre uma questão polêmica: “É lícito ou não pagar o imposto a César?”. A resposta do Mestre foi “astuta”, pois o manteve fora da armadilha e desmascarou a hipocrisia dos interlocutores. Pedindo a moeda do tributo (um denário), Jesus perguntou de quem era a imagem e a inscrição. Ao ouvirem “De César”, declarou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Viver livre de toda má ambição
Leão XIV explicou que, em Jesus, contemplamos “um Deus que não teme a história e que, pelo contrário, vem habitar nela”. O Reino de Deus, afirmou, “não retira os cargos nem as responsabilidades humanas”. No entanto, pede que se viva “sem concessões, livres de más ambições e de interesses injustos, colocando acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça” (cf. Mt 6, 33).
O Papa destacou ainda o elogio que os próprios fariseus, apesar das más intenções, dirigiram a Jesus: “Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não olhas à condição das pessoas” (v. 16).
Concluindo a reflexão, Leão XIV definiu o perfil de quem “dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: “ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem”. E convidou: “Roguemos ao Senhor que nos ajude a ser assim”, por “intercessão da Virgem Maria”.
Após a oração do Ângelus, o Papa também lembrou a celebração da 100ª Jornada Missionária Mundial, pedindo orações para que a Igreja permaneça fiel ao mandato de Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15).



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