O veneno da serpente sob a “inocência da pomba”
Quantas vezes não somos surpreendidos por maléficos métodos de perseguição? Imitemos a sabedoria do Senhor: não nos deixemos surpreender…

Denário de César, por Philippe de Champaigne – Museu de Belas Artes de Montreal (Canadá) Foto: Gustavo Kralj
Redação (17/10/2026 16:11, Gaudium Press) Em certas circunstâncias, o católico se depara com desafios que, retirando-o de sua placidez, o obrigam a reagir energicamente. É o que nos ensina a liturgia d0 29º Domingo do Tempo Comum.
A armadilha…
“Naquele tempo, os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus”… (Mt 22,16)
O Evangelho de hoje desvela o paradoxo em que os fariseus se encontravam. Eles queriam a todo custo a morte de Nosso Senhor, mas, por medo da multidão, recorriam a métodos sibilinos para O encurralar em alguma armadilha.
Perversidade, eis o fator que unia fariseus e herodianos em torno de um mesmo ideal maléfico. Eram de partidos opostos, com princípios opostos, mas, quando se tratava de lutar contra o bem, tornavam-se amigos íntimos.
Em sua estratégia, qualquer arma eficaz para perverter deve ser empregada. Assim, diante de Nosso Senhor, utilizaram uma das mais eficazes: a adulação.
“‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?’” (Mt 22,16-17)
Aparentemente, uma pergunta feita com formalidade, reverência e educação. No fundo, um esguichar de veneno que se esconde sob a “inocência da pomba”.
Desmascarar a maldade
Certamente, foi este um caso montado pelos fariseus com muita cautela e precisão.
Em seus pensamentos, tratava-se uma armadilha perfeita, pois os romanos obrigavam os judeus a pagarem o imposto. Contudo, segundo a mentalidade farisaica, o Messias seria aquele que libertaria os judeus do poder estrangeiro. Deste modo, Jesus, sendo o Messias, deveria dispensá-los de tal fardo. Isto incorreria, entretanto, numa revolta contra o poder civil.
Era a circunstância perfeita para prender a Nosso Senhor.
Assim, este episódio demonstra que, quando os maus desejam armar uma cilada aos bons, costumam preparar longamente sua ação: primeiramente enfraquecendo, depois convencendo e, finalmente, arrastando.
Como as serpentes, eles se aproximam de sua presa sorrateiramente, sem serem percebidos. Quando se julgam suficientemente seguros, aguardam que a vítima dê um passo em sua direção para lançar o bote.
Deste modo, quando tudo estava pronto para os fariseus:
“Jesus percebeu a maldade deles e disse: ‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha?’” (Mt 22,18)
Que grande diferença entre os métodos empregados respectivamente pelo mal e pelo bem!
Os fariseus adulam para perverter. Jesus increpa para salvar.
Quiçá Nosso Senhor tenha surpreendido seus adversários pela veemência da resposta. Não é para menos, pois, enquanto os homens respondem às palavras, Deus responde aos pensamentos.
Em nossa vida privada, quantas e quantas vezes, não somos nós surpreendidos por este mesmo método farisaico? Imitemos a sabedoria de Nosso Senhor Jesus Cristo e não nos deixemos surpreender…
Saibamos responder à altura: nunca titubear ante as falácias do demônio e sempre ostentar com altivez a onipotência da verdade.
Por Lucas Cremasco





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