Espere só um pouquinho
Essas simples palavras representam uma das maiores torturas para a geração atual. Por quê?

Foto: magnific.com
Redação (13/10/2026 11:40, Gaudium Press) Um dia desses, enquanto caminhava por uma praça, observei uma cena que me chamou atenção. Um pai estava saindo com seu filho de uma padaria e deu ao menino um doce, dizendo: “quando chegar em casa, você pode comer”. O menino, entretanto, não resistiu e acabou por abrir a embalagem e deliciar-se com o presente. O pai, espantado, exclamou: “mas, filho, já estamos na rua de casa, mais alguns passos e chegamos no portão. Por que você não esperou?” Ao que o jovem respondeu: “estava demorando muito, e eu não aguentei”.
A cena logo me fez recordar de uma notícia de dois anos atrás, a respeito de um diácono ansioso que foi excomungado por “celebrar uma Missa” na véspera de sua ordenação sacerdotal. E uma pergunta me veio à mente: o que está por trás de reações como essas? Será esse um problema de alguns ou de toda a geração?
A sociedade do instantâneo
A sociedade contemporânea habituou-se a viver em uma tal velocidade que bem poderia ser denominada de “sociedade do instantâneo”. Está escuro? Aciono um interruptor e o ambiente fica iluminado como se estivesse ao meio-dia. Quero saber o que está acontecendo em outro continente? Abro um site de notícias e obtenho informações de tudo, quase em tempo real. Cometi um erro ao escrever ou eliminei o arquivo errado? “Ctrl + Z” e tudo está resolvido. Preciso falar com alguém do outro lado do mundo? Faço uma chamada por celular ou envio uma mensagem em alguns segundos.
Esse novo ritmo de vida — impulsionado pelas modernas tecnologias — que facilitou os afazeres mais complexos, trouxe consigo, entretanto, uma grande mudança na psicologia das novas gerações: gerou o horror à abstração, ao recolhimento, uma repulsa à vida de pensamento e uma incapacidade de esperar.
Nem tudo na vida é instantâneo
Por que isso é um problema? A resposta é muito simples: nem tudo na vida é instantâneo. Se eu, por acaso, ficar doente, não serei curado imediatamente após tomar um remédio; se tenho que fazer um exame difícil ou um teste físico, não conseguirei me preparar em um minuto. Existem certas realidades de nossa vida que exigem uma espera, a fortiori tratando-se das realidades espirituais, pois a santidade não se atinge com o simples apertar de um botão, é necessário um longo e árduo processo.
Qual é, então, o resultado? Essa “cultura do instantâneo”, da permanente mudança, do descartável, do relativo, favorece o surgimento de gerações cada vez mais entregues aos instintos desregrados, às sensações, capazes de cometerem as piores ações simplesmente por não suportarem a espera. Por meio da exacerbação das tendências, ocorreu, assim, uma revolução tão universal e profunda que dificilmente seria alcançada apenas pela doutrinação.
Avanços?
Diante de tudo isso, o leitor ver-se-á obrigado a uma dura, mas necessária reflexão: todos esses avanços tecnológicos podem realmente ser considerados unilateralmente como progressos, mesmo com todos os malefícios que causam?
Imaginemos que um atleta encontrasse uma substância que o fizesse correr mais rápido, mas que, em contrapartida, prejudicasse progressivamente seus pulmões, enfraquecesse seu coração etc.. Poderia ele considerá-la benéfica?
Não quero afirmar que devamos voltar ao primitivismo, mas sim que precisamos tomar cuidado ao utilizar essas tecnologias. Caso contrário, iremos deformar e destruir a nós mesmos.
Por Alberto Moreira





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