Por que Leão XIV será internado nesta terça-feira no Hospital Gemelli?
O Papa Leão XIV será internado na Policlínica Gemelli, em Roma, nesta terça-feira, 13 de outubro, no final da manhã, para se submeter a uma cirurgia de remoção de um nódulo no pulmão. Como ficará sua agenda?
Redação (12/10/2026 11:26, Gaudium Press) O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, confirmou nesta segunda-feira (12) a internação do Papa Leão XIV. A admissão na Policlínica Agostino Gemelli, em Roma, está prevista para o final da manhã desta terça-feira, 13 de outubro, em preparação para a cirurgia de retirada de um nódulo circunscrito no pulmão. A operação foi anunciada pelo próprio pontífice no Ângelus de domingo. A agenda do Santo Padre sofre alterações, assim como o programa do encontro sobre Amoris laetitia que ocorre no Vaticano.
O Papa Leão XIV, de 71 anos, será operado para remover um “nódulo circunscrito no pulmão”, detectado em exames recentes. Bruni esclareceu que se tratava de exames de rotina, respondendo a diversas perguntas de jornalistas sobre a saúde do pontífice. A previsão de internação pós-operatória de cerca de uma semana, já divulgada no domingo, permanece válida.
Foto: Vatican News/ Vatican Media
Encontro sobre 10 anos da Amoris laetitia
Desde o anúncio, Leão XIV tem recebido mensagens de solidariedade e votos de recuperação de igrejas e autoridades políticas dos cinco continentes. Nesta segunda-feira pela manhã, o Papa manteve todas as audiências previstas. No entanto, não participará à tarde do encontro, dedicado aos dez anos da publicação de Amoris laetitia, na Sala Paulo VI.
De modo geral, a operação e a internação subsequente implicam “mudanças também na forma de conceber o desenrolar do nosso encontro”, explicou o Padre Giacomo Costa, responsável pela metodologia do evento e consultor do Secretariado Geral do Sínodo, em coletiva de imprensa na Sala de Imprensa da Santa Sé.
Uma das alterações diz respeito à missa prevista para quarta-feira, 14 de outubro, na Praça de São Pedro, com todos os participantes (chefes das Igrejas orientais, presidentes de conferências episcopais, casais e especialistas). O Papa não presidirá a celebração. Ele próprio decidiu confiá-la ao Cardeal Luis Antonio Tagle, recentemente eleito decano do Colégio Cardinalício. “Durante essa missa, rezaremos de modo especial pela saúde do Santo Padre e pelas famílias”, afirmou o Pe. Costa.
Outra novidade envolve o relatório de síntese que deveria ser elaborado ao final do encontro. Segundo o jesuíta, o Papa “deseja ouvir e dar sua opinião”. Por isso, “pediu que o relatório não seja publicado, ao contrário do que estava previsto, pois gostaria de conhecê-lo e se pronunciar sobre o tema”. Leão XIV reserva-se o direito de receber o documento e, após a alta hospitalar, analisá-lo e se expressar. “Acho que esse desejo dele de escutar, de não deixar passar o encontro assim, de ter a possibilidade de se pronunciar para apoiar o compromisso de toda a Igreja, é algo bonito”, observou o Pe. Costa.
Imprensa italiana
A imprensa italiana trouxe detalhes adicionais sobre as circunstâncias da operação. Leão XIV teria realizado um controle médico inicialmente por uma inflamação. Foi nessa ocasião que os médicos identificaram o nódulo pulmonar, levando à decisão de intervir rapidamente. Exames comuns nesses casos incluem tomografia computadorizada do tórax, PET-scan (tomografia por emissão de pósitrons) e, eventualmente, biópsia. Essas investigações permitem avaliar as características da lesão e o grau de suspeita. O Vaticano, porém, não divulgou a lista precisa dos exames realizados no pontífice.
Permanece em aberto desde quando a anomalia estava presente, qual é exatamente o tamanho do nódulo e quais resultados levaram os médicos a optar pela cirurgia em vez de simples monitoramento. A expressão “estágio muito precoce”, usada pelo Papa, não basta para definir a natureza da lesão.
Luigi Carbone, o médico que acompanha Leão XIV
Um nome merece destaque especial: o do doutor Luigi Carbone, responsável pela Direção de Saúde e Higiene do Vaticano. Especialista em emergências, com longa experiência na Policlínica Gemelli, Carbone já teve papel importante durante a longa internação do Papa Francisco na primavera de 2025. Naquela época, participou da informação aos jornalistas sobre o estado de saúde do pontífice argentino, ao lado de Massimiliano Strappetti, enfermeiro pessoal de Francisco.
Em junho de 2025, após a eleição de Leão XIV, Carbone foi nomeado chefe da Direção de Saúde e Higiene do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, da qual era antes vice-diretor. Atualmente, ele coordena a equipe sanitária que acompanha Leão XIV, inclusive em viagens apostólicas. Viaja com o Papa, com pessoal de enfermagem e equipamentos para emergências médicas. Deve permanecer ao lado do soberano pontífice durante a internação.
Uma internação já preparada
O Gemelli mantém há mais de quarenta anos uma relação privilegiada com os papas. João Paulo II foi internado várias vezes após o atentado de 13 de maio de 1981 e chegou a chamar o hospital de seu “terceiro Vaticano”. Francisco também esteve lá em diversas ocasiões, inclusive por 38 dias em 2025, poucas semanas antes de sua morte. Com a internação anunciada de Leão XIV, o Gemelli reforça seu lugar singular na história médica do papado contemporâneo.
O décimo andar da Policlínica, tradicionalmente reservado aos soberanos pontífices, deve acolher Leão XIV. O espaço conta com instalações médicas, quartos adaptados às exigências de segurança e uma capela. Permite ainda que as equipes do Vaticano trabalhem junto com os especialistas do hospital. O Gemelli dispõe de serviços reconhecidos em cirurgia torácica, oncologia e medicina especializada. Entre seus responsáveis estão os professores Sergio Alfieri (cirurgia digestiva) e Domenico D’Ugo (unidade de cirurgia geral com forte atividade oncológica).
Até o momento, a identidade do cirurgião que operará Leão XIV não foi revelada. O serviço de cirurgia torácica do Gemelli, dirigido pelo professor Stefano Margaritora — especialista reconhecido em intervenções pulmonares minimamente invasivas e robotizadas —, poderia ser o responsável. Sua equipe tem expertise particular no tratamento de nódulos pulmonares, mas ainda não há confirmação oficial.
Nódulo benigno ou lesão cancerosa?
Essa é a principal incógnita. O Vaticano fala de um nódulo localizado e descoberto precocemente, mas não esclareceu se se trata de lesão benigna ou maligna. O professor Claudio Micheletto, diretor do serviço de pneumologia do Hospital Universitário de Verona, explica que nódulos benignos costumam ser apenas monitorados, enquanto a cirurgia pode ser indicada quando a lesão precisa ser retirada. Ele destaca que uma intervenção em um nódulo bem circunscrito pode, em alguns casos, ser suficiente.
Já o professor Federico Venuta, especialista em cirurgia torácica em Roma, lembra que um nódulo pulmonar não equivale automaticamente a um diagnóstico de câncer. Pode corresponder a uma cicatriz antiga, uma inflamação ou outra condição benigna. Somente o exame anatomopatológico dos tecidos retirados esclarecerá a natureza da lesão.
Fontes médicas adicionais apontam que nódulos pulmonares menores que 3 centímetros nem sempre são operados; a conduta depende do aspecto e do risco de malignidade. A decisão de operar Leão XIV, portanto, levanta a pergunta: quais elementos levaram seus médicos a preferir a intervenção em vez de monitoramento?
A duração prevista de internação (cerca de uma semana) também não permite avaliar a gravidade. Técnicas minimamente invasivas permitem hoje algumas cirurgias pulmonares com convalescença relativamente curta, mas a recuperação depende da extensão da operação.
Rumores, mas nenhuma confirmação de doença mais grave
Desde o anúncio de domingo, surgiram questionamentos sobre a possibilidade de uma patologia mais séria. No entanto, nenhuma informação médica verificada confirma atualmente a existência de câncer em Leão XIV, nem de outra doença mantida em segredo. A questão da transparência médica do Vaticano permanece aberta. Vale notar que a mãe de Leão XIV morreu de câncer e que existem antecedentes familiares.
Até agora, o prontuário conhecido de Leão XIV parecia tranquilo, mas os pontificados anteriores convidam à prudência. João XXIII continuou seu ministério por longo tempo enquanto sofria de câncer de estômago cuja gravidade não foi revelada de imediato. Mais recentemente, as internações de Francisco mostraram como comunicados médicos sucessivos podem alterar a percepção do estado real de um Papa. Leão XIV optou por uma postura diferente ao anunciar ele mesmo a operação, antes de entrar no hospital. Essa transparência pessoal, contudo, ainda não constitui uma informação médica completa.
A viagem à América Latina será mantida?
Outra interrogação diz respeito ao programa do Papa. De 6 a 17 de novembro, Leão XIV deve visitar o Uruguai, a Argentina e o Peru — países onde exerceu longamente seu ministério. A viagem prevê muitos deslocamentos e uma agenda particularmente intensa. O Papa manifestou a intenção de mantê-la, mas a realização dependerá necessariamente da evolução de seu estado de saúde após a intervenção.
Nesta segunda-feira, 12 de outubro, os elementos conhecidos permitem afirmar que um nódulo pulmonar foi descoberto e que uma intervenção foi decidida rapidamente. Eles não revelam a natureza da lesão, há quanto tempo ela existe nem quais podem ser as consequências da cirurgia.
Para os fiéis que agora rezam pelo sucessor de Pedro, os próximos comunicados médicos serão decisivos. Além dos rumores, uma pergunta permanece: o Vaticano tornará públicos os resultados da análise do nódulo e o diagnóstico exato formulado pelos médicos?






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