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Como eu trato os convites de Deus?

Devemos estar muito atentos para não desprezarmos os convites de Deus em meio aos afazeres concretos da vida.

Parábola da festa de bodas - Igreja de Santa Maria, Óbidos (Portugal) Foto: Francisco Lecaros

Parábola da festa de bodas – Igreja de Santa Maria, Óbidos (Portugal) Foto: Francisco Lecaros

Redação (10/10/2026 15:20, Gaudium Press) O Evangelho deste 28º Domingo do Tempo Comum nos recorda um ponto primordial de nossas vidas nesta terra de exílio: como está meu empenho em alcançar a salvação eterna?

Fomos chamados pelo batismo

“O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir” (Mt 22,2).

No Antigo Testamento, as comemorações familiares tinham grande importância. Basta lembrar que as festas de casamento costumavam durar uma semana inteira!

Assim, muitos exegetas assinalam dois simbolismos nessa parábola: o primeiro vê na festa de casamento uma imagem da união da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade com a natureza humana; o segundo entende que os convidados representam o povo judeu.

Todavia, também poderíamos aplicar tal imagem às núpcias do Cordeiro com sua Esposa, revestida de linho fino (cf. Ap 19,7). Ora, a Esposa Mística de Cristo é a Santa Igreja, e nós — filhos d’Ela pelo batismo — somos os principais convidados para este ato.

Novos convites

“O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram” (Mt 22,4-6).

Apesar da primeira recusa, o rei mandou outros empregados para renovar o convite. “De acordo com o costume dos povos orientais: independentemente do primeiro convite, não deixam eles de avisar ainda uma vez os convidados, pouco antes do banquete”.[1]

Deus age conosco de modo análogo. Ele está sempre nos fazendo um novo convite seja por meio de uma graça, de nosso Anjo da Guarda, de uma homilia que ouvimos ou, até mesmo, de um conselho que recebemos.

Devemos estar muito atentos para não desprezarmos essas solicitações ao nos ocupar com as coisas concretas da vida.

Importância da caridade

“Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’” (Mt 22,11).

Bem podemos interpretar, com São Gregório Magno, ser esse traje de festa a caridade: “Entra para as bodas sem as vestes nupciais aquele que, entrando na Igreja, não tem a caridade”.[2]

Com efeito, o Batismo nos introduz na vida da graça e nos abre o caminho da salvação, desde que cooperemos para tal fim. Portanto, não basta apenas ser batizado, é necessário viver e agir de acordo com a doutrina da Igreja.

Quem, tendo recebido grandes graças, deixa de corresponder a elas, assume uma responsabilidade ainda maior diante de Deus no dia do Juízo Final. Aquele que teve a graça de ser introduzido na Santa Igreja Católica e instruído com suas doutrinas recebeu muito; e a quem muito é dado, muito será cobrado (cf. Lc 12,48).

Aquela que nunca recusou o convite

Maria Santíssima é o modelo que Nosso Senhor nos deu para acolhermos os convites que recebemos ao longo de nossa vida.

Com efeito, desde a Encarnação do Verbo em Seu seio puríssimo até a morte de Seu Divino Filho na Cruz, Ela permaneceu fiel à vontade de Deus e jamais recusou um pedido.

Saibamos recorrer continuamente ao auxílio d’Ela, para que, seguindo seu exemplo, estejamos sempre dispostos a acolher os convites de Deus e a corresponder fielmente à sua graça.

Por Kaio Calixto


[1] FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée. Paris: Letouzey et Ané, 1912, t.VII, p.143-144.

[2] SÃO GREGÓRIO MAGNO. Homiliæ in Evangelia. L.II, hom.18, n.9. In: Obras. Madrid: BAC, 1958, p.754.

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