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Argentina: peregrinação Juvenil a Luján reúne número recorde de 2,7 milhões de fiéis

O arcebispo de Buenos Aires convidou os peregrinos a levar o abraço de Maria aos outros: “experimentamos em Luján que, em seu abraço maternal, nos reconhecemos como irmãos”.

Foto: Santuario de Luján/ Facebook

Foto: Santuario de Luján/ Facebook

Redação (07/10/2026 12:16, Gaudium Press) No último fim de semana, 3 e 4 de outubro, a Argentina viveu uma das maiores manifestações de fé da sua história contemporânea. A 52ª Peregrinação Juvenil ao Santuário de Nossa Senhora de Luján, Padroeira do país, atraiu cerca de 2,7 milhões de pessoas, segundo dados oficiais do Ministério da Segurança da Província de Buenos Aires. O número supera as edições anteriores e confirma a força permanente dessa tradição, iniciada em 1975, quando cerca de 30 mil jovens percorreram o mesmo caminho sob o lema “A juventude peregrina a Luján pela pátria”.

A imagem peregrina da Virgem partiu às 10h do sábado do Santuário de São Caetano, no bairro de Liniers, na Cidade de Buenos Aires. Ela foi carregada e escoltada por uma delegação da Diocese de Lomas de Zamora. Acompanharam a saída o arcebispo de Buenos Aires, Dom Jorge García Cuerva, e o arcebispo de La Plata, Dom Gustavo Carrara. O lema deste ano — “Mãe, em teu abraço nos reconhecemos irmãos” — deu o tom de toda a caminhada.

Apesar da chuva intensa que marcou o início do trajeto, a multidão não desistiu. Com capas de chuva improvisadas ou compradas de última hora, os peregrinos iniciaram a jornada de mais de 60 quilômetros pela Rota Nacional 7, atravessando os municípios de Tres de Febrero, La Matanza, Morón, Ituzaingó, Merlo, Moreno e General Rodríguez até chegar a Luján. Ao longo do caminho, postos de apoio montados por paroquias, movimentos e organizações ofereceram água, alimentos, assistência sanitária e até “abraços gratuitos”. Cerca de 6 mil voluntários participaram do dispositivo, que contou ainda com hospitais móveis, ambulâncias, caminhões-pipa e mais de 80 postos de apoio.

Depois do meio-dia, o tempo melhorou e o sol apareceu. Os primeiros grupos começaram a chegar a Luján ainda à tarde. Muitos enfrentaram dificuldades físicas; outros caminhavam apoiados por companheiros. A emoção era visível nos rostos. No final do dia, o número de pessoas era tão grande que as últimas quadras até a Basílica levaram mais de uma hora para serem percorridas, segundo relatos.

A Missa central foi celebrada no domingo, às 7h, na Plaza Belgrano, em frente à Basílica, presidida por Dom Jorge García Cuerva. Em sua homilia, o arcebispo de Buenos Aires fez um forte apelo à reconciliação. “Nossa Pátria tem muitos abraços pendentes: abraços de perdão diante de tanta desqualificação e insulto; abraços solidários diante de tanta indiferença; abraços de encontro diante de tanto extravio”, afirmou. Ele criticou as “feridas da desqualificação, da intolerância e da violência física e verbal” e convidou os fiéis a se tornarem “artesãos da fraternidade”.

Dom García Cuerva destacou que, na peregrinação, não há “divisões ideológicas nem exclusões”. “O caminho nos nivelou a todos; caminhando, todos gastamos os tênis, todos nos cansamos, todos queríamos chegar à casa de Maria”, disse. Diante da iminente visita do Papa Leão XIV à Argentina — prevista entre 8 e 11 de novembro, com passagem pela Basílica de Luján —, o arcebispo pediu que a experiência de Luján se transforme em “escola de fraternidade” para o país. “É tempo de nos unirmos. Se a Virgem de Luján nos abraça a todos, é impossível olhar para o outro com desprezo, porque o outro é meu irmão”.

“Que Maria nos ensine a respeitar uns aos outros, a perdoar-nos e a dialogar com todos; que deixemos de menosprezar o próximo, de ser indiferentes com quem sofre e de dar espaço ao ódio entre nós, pois experimentamos em Luján que, em seu abraço maternal, nos reconhecemos como irmãos”.

Testemunhos de peregrinos e voluntários reforçaram o clima de solidariedade. Uma jovem da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho descreveu a experiência como “muito reconfortante” e destacou “o valor de ajudar o próximo”. Um fiel da Paróquia Nossa Senhora de Fátima valorizou o gesto de caminhar “não por obrigação, mas para se conectar ainda mais com a Virgem, com Deus, consigo mesmo e até com a própria família”. Uma voluntária de “abraços grátis” explicou que o gesto é um “empurrãozinho” para os últimos quilômetros e, ao mesmo tempo, uma troca de afeto: “Esse abraço não é só para quem eu dou, mas também para quem eu recebo. É um carinho na alma”.

A Basílica e Santuário Nacional de Nossa Senhora de Luján é o principal centro de devoção mariana da Argentina. Sua origem remonta a 1630, quando uma imagem da Imaculada Conceição, trazida do Brasil a pedido de um fazendeiro português, teria parado miraculosamente nas margens do rio Luján. Uma pequena capela foi construída no local. Com o tempo, a devoção cresceu, e a atual basílica neogótica começou a ser erguida em 1890, sob a inspiração do Pe. Jorge María Salvaire. O templo recebeu o título de basílica menor em 1930 e continua sendo um dos santuários marianos mais visitados da América Latina.

Com informações Aciprensa

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