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Vaticano: Fundação ‘Donum Missionis’ para os colégios missionárias de Roma

A nova Fundação “Donum Missionis” unifica gestão dos colégios missionários em Roma.

Foto: Vatican News

Foto: Vatican News

Redação (02/10/2026 08:46, Gaudium Press) A partir do próximo 1º de novembro, as fundações Domus Missionalis e Domus Urbaniana deixarão de existir como entidades separadas e passarão a formar uma única instituição: a Fundação Donum Missionis. A mudança foi formalizada por um Rescriptum ex Audientia Sanctissimi assinado pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin e publicado pela Santa Sé neste dia 1º de outubro.

A decisão foi aprovada pelo Papa Leão XIV em audiência concedida em 28 de julho. O pontífice havia autorizado a criação da nova estrutura já em junho de 2025, no contexto da adequação das entidades canônicas às normas vigentes e à reforma da Cúria Romana impulsionada pela Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, promulgada pelo Papa Francisco em 2022. O objetivo é simplificar a administração e garantir maior eficiência na gestão dos bens patrimoniais vinculados ao Dicastério para a Evangelização (Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares).

Uma estrutura única a serviço da formação missionária

A Donum Missionis assume a conservação e a manutenção (ordinária e extraordinária) dos imóveis de propriedade do Dicastério que acolhem e acompanham seminaristas, sacerdotes, religiosos e religiosas vindos de territórios de missão. Entre as instituições sob sua responsabilidade estão:

– o Pontifício Colégio Urbano de Propaganda Fide;

– o Colégio Missionário Internacional São Pedro Apóstolo;

– o Pontifício Colégio Missionário Internacional São Paulo Apóstolo;

– o Colégio Missionário Internacional São José;

– o Colégio Missionário Internacional Mater Ecclesiae;

– e o Centro Internacional de Animação Missionária (CIAM).

Esses espaços recebem anualmente centenas de formandos provenientes principalmente da África, Ásia, Oceania e de outras igrejas jovens. Só a antiga Domus Missionalis acompanhava, em anos recentes, mais de 600 sacerdotes em seus estudos nas universidades pontifícias de Roma. O Colégio Urbano, por sua vez, acolhe atualmente cerca de 170 seminaristas de dezenas de países e dioceses.

À frente da nova fundação foi nomeado o sacerdote jesuíta Stefano Fossi (Província Italiana da Companhia de Jesus), que também atuava como oficial da Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo. O sacerdote Alessandro Brandi assumirá a função de subdiretor.

Herança de quase quatro séculos

A reorganização preserva uma tradição formativa que remonta à antiga Congregação de Propaganda Fide, criada pelo Papa Gregório XV em 1622. O Pontifício Colégio Urbano, fundado em 1º de agosto de 1627 pela bula Immortalis Dei Filius do Papa Urbano VIII, celebrará em 2027 o seu quarto centenário. A instituição nasceu graças à doação do Palácio Ferratini (atual sede histórica de Propaganda Fide) feita pelo prelado espanhol Juan Bautista Vives em 1626, com a condição de que ali fosse criado um colégio para formar missionários de todas as nações.

Os demais colégios complementam essa missão: São Pedro e São Paulo atendem especialmente sacerdotes em formação permanente; Mater Ecclesiae acolhe religiosas; e São José é voltado à formação de reitores e responsáveis por seminários. O CIAM, por sua vez, promove animação missionária e também oferece hospedagem também a peregrinos, grupos de oração e leigos.

Aspectos jurídicos e financeiros

As duas fundações originais haviam sido instituídas no mesmo dia — 20 de maio de 2005 — pelo Papa Bento XVI, como entidades instrumentais da então Congregação para a Evangelização dos Povos. A fusão representa, portanto, um ajuste administrativo e patrimonial: a Donum Missionis torna-se um único ente jurídico instrumental do Dicastério, com sede legal no Vaticano (Via del Pellegrino) e sede operacional no Palazzo di Propaganda Fide. O pro-prefeito do Dicastério (atualmente o Cardeal Luis Antonio Tagle) é o representante legal por direito. A presidência cabe ao secretário da Seção, e a vice-presidência ao secretário-adjunto para a Administração.

O patrimônio inicial da nova fundação foi fixado em um milhão de euros. As principais fontes de financiamento incluem a contribuição anual das Pontifícias Obras Missionárias, aportes do próprio Dicastério, rendimentos do patrimônio e receitas da atividade de hospedagem do CIAM. A estrutura fica sujeita aos mecanismos de vigilância econômica da Santa Sé, alinhando-se às exigências de transparência e boa gestão reforçadas nos últimos anos.

Continuidade a serviço das igrejas jovens

Com a criação da Donum Missionis, a Santa Sé reforça o compromisso de assegurar a continuidade de um serviço formativo considerado essencial para a preparação do clero e dos agentes pastorais das igrejas mais jovens do mundo. A unificação administrativa não altera a finalidade espiritual e acadêmica dessas instituições: oferecer acolhida, acompanhamento e condições adequadas para que futuros padres, religiosos e religiosas de territórios de missão aprofundem sua formação em Roma e retornem fortalecidos para o serviço evangelizador em suas comunidades de origem.

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