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Benefício da correção

Quem foge da correção, foge do remédio; falta virtude e falta juízo.

Davi é repreendido pelo profeta Natã Foto: RAE

Davi é repreendido pelo profeta Natã Foto: RAE

Redação (29/09/2026 18:55, Gaudium Press) Uma das coisas em que mais se manifesta a grande soberba do homem é a grande dificuldade com que recebe a correção e o aviso de suas faltas; tanto é assim, que mal há quem deseje e queira ser repreendido e avisado delas.

Diz muito bem Santo Agostinho: “Quem será capaz de achar um homem que queira ser repreendido? Onde acharemos aquele sábio de quem diz Salomão nos Provérbios: ‘Repreende o sábio, e amar-te-á?’ Sábio é ele por certo, porque sabe agradecer com amor um tão grande benefício, como o é a correção. Porém, onde acharemos sábios deste feitio? ‘Quem é este, e o louvaremos?’” (Eclo 31, 9) […]

A verdadeira humildade consiste em conhecer-se a si mesmo, ter-se em pouca conta e desejar que os outros também conheçam as suas faltas e o tenham em pouca conta. Porque está escrito: “o justo é o primeiro que se acusa ou confessa as suas faltas” (Pr 18, 17). […]

Os santos comparam estes tais aos enfermos que estão frenéticos e loucos, os quais não consentem que se aproxime deles o médico, mas fogem dele, e resistem aos remédios que lhes aplicam, e os lançam longe de si; e isto pela grandeza do mal, e por julgarem que não estão enfermos.

É comparação do Espírito Santo: “Quem detesta a correção e o aviso, não digo só que tem falta de virtude e humildade, mas tem falta de juízo” (Pr 12, 1) e está louco e frenético, pois detesta o remédio, e se indigna contra o médico, que só pretende curá-lo e remediá-lo.

RODRIGUES, Afonso. Exercícios de Perfeição e virtudes cristãs. São Paulo: Cultor de Livros, 2017, v.3, p. 443-445.

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