Ataque em abadia na Polônia deixa sacerdote morto e quatro feridos
Um homem de 31 anos, de origem ucraniana, assassinou a facadas um padre e feriu outras quatro pessoas no mosteiro das religiosas beneditinas em Jarosław, Polônia.

Foto: Archidiecezja Przemyska/ Facebook
Redação (26/09/2026 09:29, Gaudium Press) Um ataque a faca em um complexo católico no sudeste da Polônia, na manhã de 24 de setembro, resultou na morte de um sacerdote e deixou outras quatro pessoas feridas. O ataque, ocorrido no terreno da abadia das Irmãs beneditinas em Jarosław — cidade a cerca de 30 km da fronteira com a Ucrânia —, chocou a comunidade local e gerou manifestações de condolências tanto da Polônia quanto da Ucrânia, além de apelos de líderes da Igreja para que o crime não alimente ódio ou hostilidade.
Segundo a polícia, um cidadão ucraniano de 31 anos, identificado pelas autoridades como Ihor M., foi detido no local pouco depois do ataque. Os promotores informaram que o suspeito havia entrado na Polônia vindo da Alemanha na madrugada do dia 24 e tentava seguir para a fronteira com a Ucrânia, no posto de Korczowa. Ele não conseguiu cruzar a divisa, aparentemente por questões relacionadas ao seguro do veículo, e acabou em Jarosław. Ainda não se sabe exatamente como ou por que ele chegou à abadia.
O ataque começou por volta das 9h30, pouco antes de uma missa matinal na igreja de São Nicolau e São Estanislau, ligada ao Centro de Formação Cristã e Cultura situado no terreno da abadia. De acordo com investigações e relatos de testemunhas, o homem entrou na área da cozinha do complexo, pegou uma faca ali e iniciou a agressão. Ele foi em direção à igreja. Cinco pessoas foram esfaqueadas: três sacerdotes e dois leigos (um homem e uma mulher).
O Pe. Stanisław Zbojnowicz morreu em decorrência dos ferimentos. Ele tinha 67 anos e serviu como sacerdote por 40 anos. Relatos da superiora da comunidade beneditina, Irmã Barbara Dendor, e de testemunhas indicam que ele tentou intervir — saindo do confessionário ou tentando fechar grades para proteger os presentes — e acabou gravemente atingido, com múltiplos golpes na região do tronco e dos pulmões. Outros dois sacerdotes, entre eles o Pe. Marek Pieńkowski (que também tentou conter o agressor), ficaram em estado grave e passaram por cirurgias; nas horas seguintes, o quadro de alguns feridos evoluiu para estabilização. Nenhuma das irmãs estava na igreja no momento, e as crianças do pré-escolar administrado pelas beneditinas permaneceram em segurança.
Irmã Barbara descreveu o episódio como um golpe também à identidade e ao bem que a comunidade realiza no local. “Nossa identidade foi atacada”, afirmou ela à agência católica polonesa KAI. O local já havia acolhido refugiados ucranianos no início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, o que torna o ataque ainda mais simbólico e doloroso para muitos.
As autoridades polonesas não estabeleceram imediatamente um motivo claro. O suspeito foi ferido durante o ataque e permaneceu hospitalizado; seu estado mental impediu interrogatórios iniciais sobre as razões do crime. Relatos não oficiais mencionam possível pedido de ajuda (água ou assistência) na cozinha que teria gerado confrontação, e algumas fontes especularam sobre frustração após a recusa na fronteira ou problemas psicológicos, mas a promotoria enfatizou que as investigações continuam e que o homem atacou pessoas desconhecidas. Ele foi acusado de homicídio, tentativa de homicídio e lesão corporal grave, com possibilidade de prisão perpétua se condenado. Exames de sangue foram realizados para verificar presença de álcool ou substâncias psicoativas.
Reações oficiais e eclesiais
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky condenou o “crime horrível” em rede social, expressou choque, prestou condolências à família do padre morto e desejou rápida recuperação aos feridos. Afirmou que o autor deve responder plenamente perante a lei e pediu investigação rápida e completa de todas as circunstâncias.
O primeiro-ministro polonês Donald Tusk declarou que o suspeito enfrentará “toda a severidade da lei polonesa”. O presidente Karol Nawrocki pediu investigação célere e completa, destacando que o ataque abalou o país e exige resposta firme do Estado. Autoridades locais de Jarosław decretaram luto municipal e reforçaram medidas de segurança.
Na Igreja, o arcebispo Adam Szal, de Przemyśl (arquidiocese responsável pela região), pediu orações pelo padre falecido, pelos feridos e suas famílias, e também pelo agressor e sua conversão. Ele instou os fiéis a não permitirem que a violência gere “ódio ou hostilidade” e convocou orações comunitárias. O arcebispo Tadeusz Wojda, presidente da Conferência Episcopal Polonesa, também expressou condolências e rezou pelas vítimas e pela conversão do assassino.
Relações polaco-ucranianas
O ataque ocorre em um momento delicado nas relações entre Polônia e Ucrânia. Após mais de quatro anos da invasão russa em larga escala, a Polônia recebeu milhões de refugiados ucranianos e prestou apoio militar e humanitário significativo. Ao mesmo tempo, aumentaram tensões internas relacionadas a migração, custos da assistência de guerra, disputas históricas e cansaço de parte da opinião pública. Líderes políticos e religiosos reiteraram a importância de não generalizar o crime de um indivíduo para toda uma nacionalidade ou comunidade.
A investigação segue em andamento, com dezenas de testemunhas ouvidas. A comunidade de Jarosław e a Igreja local pedem paz, unidade e fraternidade, alertando contra qualquer exploração do drama para alimentar discórdia.





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