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Leão XIV: durante o voo para Paris

Papa Leão XIV saudou os jornalistas que o acompanhavam nesta viagem e falou sobre crise migratória em Ceuta e inteligência artificial.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (25/09/2026 08:43, Gaudium Press) Durante o voo de Roma a Paris, nesta sexta-feira, 25 de setembro, o Papa Leão XIV cumprimentou os cerca de 80 jornalistas que o acompanham em sua quinta viagem apostólica internacional. A visita à França, que se estende até 28 de setembro e inclui paradas em Paris, Lourdes e Metz, além de uma intervenção na Unesco, marca a primeira visita oficial de um pontífice ao país em 18 anos.

Como é tradição nos deslocamentos papais, pouco após a decolagem do Airbus da ITA Airways, Leão XIV deixou sua poltrona na parte dianteira da aeronave e se dirigiu à imprensa. Saudou os profissionais em francês (“Bonjour!”), inglês e italiano, expressou gratidão pelo trabalho de cobertura e destacou a importância dos temas que serão abordados nos próximos dias.

“Viajo à França, como a qualquer outro lugar do mundo, antes de tudo como discípulo de Jesus Cristo, desejoso de proclamar a paz, a paz de Cristo, por todo o mundo. É uma mensagem que, neste momento, como todos sabemos, tem uma importância particular”, afirmou o pontífice americano.

O Papa respondeu a perguntas sobre temas atuais. Sobre a crise migratória em Ceuta — o enclave espanhol no norte da África que, no final de julho, registrou a entrada de dezenas de milhares de pessoas em poucas horas, com dezenas de mortes e saturação dos serviços locais —, declarou ter acompanhado a situação “desde o primeiro dia”. “É uma crise que tem, por trás, causas de naturezas diferentes. É preciso buscar como responder para evitar esse tipo de emergência. Foi realmente uma crise humanitária”, disse. A declaração ganha relevo porque, neste domingo (27), a Igreja celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que Leão XIV marcará durante a estada na França.

Sobre a inteligência artificial, tema central de seu pontificado e objeto de sua primeira encíclica (Magnifica Humanitas, publicada em maio deste ano), o Papa informou que a comissão do Vaticano mantém contato com diversos líderes do setor. “Continuamos o diálogo que espero ter iniciado ou prolongado na encíclica. Muitos deles estão muito abertos a buscar meios de garantir que a inteligência artificial não substitua nem destrua a humanidade, mas permaneça uma ferramenta a serviço dos seres humanos. Coisas boas estão começando, pelo menos”, afirmou. Leão XIV tem alertado repetidamente contra o risco de um “paraíso de máquinas” que invada o cotidiano e enfraqueça a dignidade humana, defendendo um discernimento ético e regulação global.

O pontífice também pediu desculpas pessoalmente por um incidente ocorrido no retorno da viagem à Espanha, em junho, quando problemas técnicos impediram que os jornalistas voltassem juntos no avião papal, frustrando a tradicional coletiva de imprensa no voo de regresso. Além disso, reforçou o valor da liberdade de imprensa e de uma cobertura ampla e acessível a todos, em resposta a perguntas sobre restrições enfrentadas por veículos de comunicação em outros contextos.

Durante o encontro, Leão XIV recebeu dois livros como presentes. Um deles reúne cartas de cerca de 340 católicos franceses enviadas ao jornal La Croix, refletindo a fé e as preocupações dos fiéis no país. O outro contém fotografias dos sismos ocorridos na Venezuela e testemunhos de pessoas afetadas por essa catástrofe, um gesto de solidariedade com as vítimas de catástrofes naturais.

A visita à França ocorre em um momento de diálogo entre a Igreja e a sociedade francesa sobre laicidade, bioética (incluindo oposição da Igreja à “ajuda a morrer” recentemente legalizada), abusos e o papel da religião no espaço público. O Papa já foi recebido pelo presidente Emmanuel Macron no Eliseu, onde reiterou alertas sobre os riscos da IA e de desvios tecnológicos que possam transformar a ciência em empreendimento lucrativo, em detrimento da pessoa humana.

O presidente da República destacou que a presença do Santo Padre era “uma grande honra” que desperta “esperança”. Vale lembrar que Emmanuel Macron não participará de nenhuma missa de Leão XIV durante esses quatro dias.

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