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Sangue de San Gennaro volta a liquefazer-se em Nápoles: milagre se repete pela terceira vez em 2026

Nápoles celebrou mais uma vez o tradicional milagre de San Gennaro. A relíquia com o sangue do santo mártir foi encontrada liquefeita no início da solene celebração de sua festa, provocando a alegria dos fiéis.

Foto: screenshot/ Facebook

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Redação (21/09/2026 12:12, Gaudium Press) Neste último sábado, 19 de setembro, o sangue de São Januário (San Gennaro, em italiano) voltou a liquefazer-se na Catedral de Nápoles, renovando um dos milagres mais antigos e enraizados na história e na piedade do povo napolitano. O anúncio oficial ocorreu às 10h04 da manhã e foi acolhido com prolongados aplausos pelos milhares de fiéis que lotavam o templo desde as primeiras horas do dia.

Monsenhor Vincenzo De Gregorio, abade da Capela do Tesouro de São Januário, comunicou do altar que o sangue se havia liquefeito. Como manda a tradição, o anúncio foi acompanhado pelo movimento de um lenço branco, sinal ansiosamente esperado pelos napolitanos. Pouco antes das dez horas, o Cardeal Domenico “Mimmo” Battaglia, arcebispo de Nápoles, dirigiu-se à Capela do Tesouro, onde as ampolas são guardadas. Participaram da abertura do cofre o abade De Gregorio e representantes das autoridades civis, entre eles o prefeito de Nápoles, Gaetano Manfredi, e o presidente da Região da Campânia, Roberto Fico. As relíquias foram então levadas em procissão até o altar-mor para a solene celebração eucarística.

Um ano excepcional: três liquefações em 2026

Este ano o prodígio reveste-se de uma circunstância especial: é a terceira vez que o sangue de São Januário se liquefaz em 2026. Além das datas habituais, ocorreu em 8 de maio, enquanto o Papa Leão XIV segurava a ampola durante sua visita pastoral a Nápoles. A tradição prevê três ocasiões principais em que os fiéis aguardam a liquefação: o sábado anterior ao primeiro domingo de maio (em memória da trasladação das relíquias), o 19 de setembro (festa do martírio do santo) e o 16 de dezembro (recordação da proteção atribuída a São Januário durante a erupção do Vesúvio de 1631).

Quem foi São Januário?

São Januário foi bispo de Benevento e morreu mártir durante a perseguição de Diocleciano, por volta do ano 305. Decapitado perto de Pozzuoli, segundo a tradição seu sangue foi recolhido por uma mulher chamada Eusébia e conservado em duas ampolas de vidro. Desde o século XIV — a primeira menção documentada data de 1389 — o fenômeno da liquefação ocupa lugar central na devoção napolitana. As ampolas são guardadas na Capela do Tesouro da Catedral de Nápoles e, quando o sangue passa do estado sólido e escuro para o líquido, vermelho e, por vezes, borbulhante, os fiéis veem nisso um sinal da intercessão e da proteção do santo sobre a cidade.

A devoção a São Januário está profundamente ligado à identidade de Nápoles. Ele é invocado contra erupções vulcânicas, terremotos, guerras e epidemias. Quando a liquefação não ocorre nas datas previstas, a tradição popular interpreta o fato como mau presságio. Entre os anos em que o sangue permaneceu sólido estão 1939, 1940, 1943, 1973, 1980 e dezembro de 2016 (e também em dezembro de 2020, em plena pandemia).

Denúncia social e explicações científicas

Durante a Missa, o cardeal Battaglia aproveitou a festa do padroeiro para pronunciar uma dura denúncia contra a Camorra (máfia). Recordou que não basta exibir sinais externos de religiosidade enquanto se despreza a vida do próximo, e evocou especialmente os jovens recrutados pelo crime organizado e as famílias submetidas ao medo e ao silêncio.

Ao longo dos séculos, a liquefação tem sido objeto de tentativas de explicação científica. Uma das hipóteses mais citadas é a tixotropia: a propriedade de certos materiais de mudarem de consistência quando agitados ou submetidos a movimento. Análises realizadas no passado (como a de 1902) confirmaram tratar-se de sangue humano, mas o fenômeno continua a desafiar explicações definitivas. Para gerações de napolitanos, porém, o acontecimento permanece inseparável do vínculo com o santo mártir e de uma devoção que atravessou séculos de história, guerras, epidemias e mudanças sociais.

Com informações katholisch.de / InfoCatólica

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