Ângelus: a bondade de Deus acima dos cálculos humanos
No Ângelus deste domingo, 20 de setembro, o Papa Leão XIV refletiu sobre a parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16), destacando como a bondade de Deus transcende a lógica humana do mérito e do cálculo.

Vatican Media
Redação (20/09/2026 11:37, Gaudium Press) Na liturgia do dia, o Santo Padre recordou as palavras do profeta Isaías: os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e os seus caminhos não são os nossos caminhos (cf. Is 55,8). “Os desígnios de Deus são infinitamente maiores e, digamos até, mais ‘humanos’ do que aqueles que nós, homens e mulheres marcados pelo pecado, podemos conceber e realizar”, afirmou. Por isso, o apelo do profeta permanece atual: abandonar os caminhos tortuosos e regressar ao Senhor, que é misericórdia e perdão.
As parábolas de Jesus, explicou o Papa, descrevem a novidade do que Deus tem reservado para nós, mas também revelam a resistência que muitas vezes opomos a uma justiça mais generosa e a um amor maior. Na parábola, alguns trabalhadores são chamados de madrugada, outros ao longo do dia e alguns quase ao pôr do sol. O núcleo da narrativa, porém, está no momento da remuneração: o dono da vinha paga conforme o combinado aos primeiros, mas trata os últimos da mesma forma, diante dos olhos de todos.
Um detalhe não deve passar despercebido. O dono ordena que o pagamento comece pelos últimos até chegar aos primeiros (Mt 20,8). A reação negativa daqueles que trabalharam o dia inteiro poderia ter sido facilmente evitada; no entanto, foi intencional. “A revelação da bondade de Deus é para todos, não apenas para alguns”, sublinhou o Pontífice. Deus tem caminhos diferentes e pensamentos novos também para aqueles que se consideram os primeiros e acham que mereceram tudo o que alcançaram.
Todos, ao contrário, experimentamos alegria, inteligência e futuro quando a lei do amor interrompe a do cálculo, quando a experiência da misericórdia amplifica a do mérito e quando o dom da paz coloca fim às rivalidades e nos aproxima na gratidão.
Trabalhar na vinha do Senhor é uma graça e uma missão a serviço do Reino de justiça e de paz. Onde irrompe a novidade de Deus, não há lugar para invejas nem divisões. O Papa convidou os fiéis a buscar o Senhor enquanto Ele se deixa encontrar, a invocá-Lo enquanto está perto e a abandonar os caminhos tortuosos e os pensamentos iníquos (cf. Is 55,6-7).
Concluindo, Leão XIV voltou o olhar para a Virgem Maria, modelo de confiança em Deus: “É uma criatura como nós, mas sem mancha; por isso, Ela ajuda-nos a esperar em Deus e a confiar na sua misericórdia, para que os seus caminhos se tornem os nossos caminhos e os seus pensamentos os nossos pensamentos.”



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