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Pela primeira vez, número de ateus supera o de católicos praticantes na Espanha

Em 2019, os católicos praticantes representavam cerca de 23% e os ateus, em torno de 11%.

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Redação (17/09/2026 11:40, Gaudium Press) Dados recentes do Centro de Investigações Sociológicas (CIS) da Espanha revelam um marco histórico no panorama religioso do país: pela primeira vez desde que há registros detalhados (a partir de 2019), o percentual de pessoas que se declaram ateias ultrapassou o de católicos praticantes.

Segundo a pesquisa, 17,1% dos entrevistados se definem como ateus, enquanto 15,9% se identificam como católicos praticantes — ou seja, aqueles que costumam frequentar a missa e participar da vida da Igreja com certa assiduidade. Os católicos não praticantes permanecem o grupo mais numeroso, com 38,5%. Completam o quadro os agnósticos (12,2%), os indiferentes ou não crentes (11,3%) e os fiéis de outras religiões (3,2%).

A evolução é clara. Em 2019, os católicos praticantes representavam cerca de 23% e os ateus, em torno de 11%. Nos anos seguintes, a distância foi se estreitando até o empate virtual registrado em julho de 2026 (pouco depois da visita do Papa Leão XIV à Espanha), quando os praticantes estavam em 16% e os ateus em 15,2%. Agora o número de ateus superou o de católicos praticantes.

Secularização

Esses números refletem um processo de secularização acelerado que a Espanha vive há décadas. A identificação católica total (praticantes + não praticantes) ainda supera os 50%, mas a prática efetiva continua em queda. Muitos que se declaram católicos não praticantes mantêm um vínculo cultural ou sentimental com a fé — batizados, casamentos e funerais na igreja, festas religiosas e tradições —, sem uma vivência regular dos sacramentos ou da vida comunitária.

Análises de instituições eclesiais, como o Departamento de Sociologia da Arquidiocese de Madri, apontam que o grupo dos não praticantes tem diminuído de forma constante, enquanto cresce a área de ateísmo, agnosticismo e indiferença. Ao mesmo tempo, entre os que se declaram praticantes, há contradições: parte deles admite ir pouco ou quase nunca à missa fora de cerimônias sociais.

A questão geracional é especialmente relevante. Os católicos praticantes estão concentrados nas faixas etárias mais avançadas. Entre os jovens, a identificação religiosa é menor, embora alguns estudos recentes apontem sinais de maior intensidade de prática entre os poucos que permanecem fiéis.

A esperança da Igreja após a visita do Papa

A notícia chegou como uma surpresa para muitos setores eclesiais, especialmente após a visita do Papa Leão XIV, que reuniu multidões e gerou expectativas de um “efeito Leão XIV” — um possível reavivamento de vocações e da prática religiosa. Bispos espanhóis expressaram confiança de que o impulso pastoral e a visibilidade da fé possam, com o tempo, produzir frutos.

Do ponto de vista católico, o dado não é apenas estatístico: ele revela o desafio pastoral de uma sociedade em que a fé deixou de ser herdada automaticamente e precisa ser proposta de forma consciente, íntegra e pessoal. A Igreja na Espanha — e, por extensão, em muitos países de tradição católica — enfrenta a tarefa de acompanhar o “pequeno rebanho” de praticantes, que tende a ser mais motivado e comprometido, ao mesmo tempo em que dialoga com o amplo setor de católicos de ocasião e com aqueles que se afastaram completamente da religião.

Um chamado à evangelização

A superação dos católicos praticantes pelos ateus não significa o desaparecimento do catolicismo espanhol. Ele permanece presente na cultura, nas instituições de caridade, nas escolas e na memória coletiva. Porém, deixa claro que a transmissão da fé precisa de exemplos vivos e integridade.

Esses números são um convite à conversão pessoal, à nova evangelização e à autenticidade do testemunho. Como tem sido sublinhado em análises eclesiais, as comunidades menores, mas mais conscientes e vivas, podem ser o caminho para o futuro. A fé católica não se mede apenas por percentuais, mas pela fidelidade daqueles que continuam a viver e anunciar o Evangelio em meio a uma sociedade cada vez mais secularizada.

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