Santos Cornélio e Cipriano: modelos de confessores da fé até o martírio
Hoje, dia 16 de setembro, a Igreja celebra a memória de São Cornélio, Papa (†253) e São Cipriano, Bispo (†258), mártires. São Cornélio lutou pela unidade da Igreja. São Cipriano, bispo de Cartago, grande orador e mestre de moral, dedicou-se a organizar a Igreja na África.
Redação (16/09/2026 10:37, Gaudium Press) No calendário litúrgico da Igreja Católica, o dia 16 de setembro é dedicado à memória conjunta de dois grandes santos do século III: São Cornélio, Papa e mártir, e São Cipriano, bispo de Cartago e também mártir. Unidos pela amizade espiritual, pela defesa da unidade da Igreja e pelo testemunho fiel até o derramamento do sangue, eles são apresentados como modelos de confessores da fé.
São Cornélio, o Papa da misericórdia
O nome Cornélio significa “forte como um chifre”. Eleito Papa em março de 251, após um longo período de sede vacante causado pela violenta perseguição do imperador Décio (que havia martirizado seu predecessor, São Fabiano, em janeiro de 250), Cornélio assumiu o governo da Igreja em um momento extremamente delicado.
A perseguição de Décio exigia que todos os cidadãos do Império Romano realizassem sacrifícios aos deuses pagãos e obtivessem um certificado (libellus). Muitos cristãos, por medo da tortura e da morte, apostataram ou conseguiram o documento de forma fraudulenta. Esses fiéis, chamados de lapsi (caídos), mais tarde se arrependeram e pediram para ser readmitidos na comunhão eclesial.
Foi nesse contexto que surgiu o cisma de Novaciano. Esse sacerdote romano, de tendência rigorista, negava à Igreja o poder de perdoar certos pecados graves, especialmente a apostasia. Segundo ele, quem renegasse a fé nunca mais poderia ser reintegrado à comunidade cristã. Também afirmava que pecados como impureza, fornicação e adultério eram imperdoáveis. Apresentando-se como “mais puro” e “mais papista que o Papa”.
O Papa Cornélio, com firmeza e mansidão, defendeu a verdadeira doutrina: o arrependimento sincero, unido ao poder de ligar e desligar confiado por Cristo aos ministros da Igreja, obtém o perdão mesmo do pecado grave de apostasia. Essa posição pastoral, que equilibrava disciplina e misericórdia, foi plenamente apoiada por São Cipriano, bispo de Cartago.
O imperador Décio morreu em 251. Seu sucessor, Treboniano Galo, retomou a perseguição. Cornélio foi exilado para Centumcellae (atual Civitavecchia). De lá, recebeu cartas de encorajamento de Cipriano, que se alegrava por ele ter recebido a graça de sofrer por Cristo e pela Igreja. O Papa passou por privações, sofrimentos e, por fim, foi decapitado. Ele morreu no exílio em junho de 253. Seu corpo foi sepultado nas Catacumbas de São Calisto, em Roma.
São Cipriano, o grande bispo de Cartago
São Cipriano (Táscio Cecílio Cipriano) nasceu em Cartago, no norte da África (atual Tunísia), por volta do ano 210, em uma família pagã abastada. Advogado e professor de retórica de grande prestígio, converteu-se ao cristianismo por volta de 246, impressionado pela constância dos mártires. Pouco depois foi ordenado sacerdote e, em 249, aclamado bispo de Cartago pelo povo e pelo clero.
Seu episcopado foi marcado por grandes desafios: a perseguição de Décio, uma peste devastadora e, depois, a perseguição do imperador Valeriano. Cipriano desempenhou papel fundamental no fortalecimento do cristianismo no norte da África. Escreveu importantes tratados teológicos e pastorais, entre eles o famoso De unitate Ecclesiae (“Sobre a unidade da Igreja”), no qual afirma a célebre frase: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe”.
Durante a controvérsia dos lapsi, apoiou o Papa Cornélio contra o rigorismo de Novaciano e de grupos locais. Convocou um concílio em Cartago em 252 que condenou os cismáticos. Sua correspondência com Cornélio revela uma profunda amizade espiritual e comunhão eclesial entre Roma e a África.
Sob a perseguição de Valeriano, Cipriano foi primeiro exilado para Curubis (atual Kurba). Em 258, foi chamado de volta a Cartago. Perante o procônsul Galério Máximo, recusou-se a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos. Condenado à morte, respondeu simplesmente: “Graças sejam dadas a Deus” (Deo gratias). Foi decapitado em 14 de setembro de 258, diante de uma multidão de fiéis que o acompanharam com lágrimas e cânticos.
Cipriano foi morto no mesmo dia em que Papa Cornélio foi morto em Roma, embora não no mesmo ano.






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