Arcebispo de Angola: não misturar fé católica com práticas pagãs
“É uma ilusão seguir a Cristo, receber o Corpo e o Sangue de Cristo, estar em comunhão com Ele e, ao mesmo tempo, estar em comunhão com os demônios”.

Foto: Paróquia de São José do Lubango – Sé Catedral/ Facebook
Redação (16/09/2026 10:37, Gaudium Press) Dom Gabriel Mbilingi, arcebispo de Lubango, em Angola, fez um forte apelo aos fiéis católicos para que rompam de forma decidida com práticas pagãs que ainda influenciam a vida de alguns cristãos. Segundo o prelado, tentar seguir Cristo mantendo, ao mesmo tempo, costumes religiosos incompatíveis divide a identidade dos crentes e enfraquece a autenticidade da fé.
A mensagem foi proferida na homilia da Missa dominical de 13 de setembro, celebrada na Catedral de São José, na Arquidiocese de Lubango. O arcebispo concluía uma visita pastoral a instituições religiosas e públicas do município. Para ele, a conversão ao cristianismo não se limita a um ato formal: deve transformar atitudes, costumes e decisões do dia a dia.
“Ainda há cristãos que, apesar de terem abraçado a fé, permanecem apegados aos costumes que tinham antes da conversão”, afirmou Dom Gabriel Mbilingi. O medo, segundo o arcebispo, impede muitos de abandonar essas práticas, gerando “uma espécie de divisão na vida dos fiéis”.
Ele usou uma imagem forte: “Há cristãos católicos que temem abandonar certas práticas pagãs; têm medo. Essas pessoas acendem uma vela ao santo para se protegerem, mas também acendem uma vela ao diabo”.
A necessidade de evangelização permanente
Dom Mbilingi destacou que essas contradições mostram a urgência de uma evangelização permanente. É preciso ajudar os cristãos a discernir o que é compatível com o Evangelho e o que ainda pertence a práticas não plenamente evangelizadas.
“O bem e o mal estão no interior, e a boca deixa sair o que há dentro. Por isso, neste dia, esta Palavra certamente nos desperta para a autenticidade da nossa fé, para que não vivamos na hipocrisia”, declarou.
Membro da Congregação do Espírito Santo (Padres Espiritanos), o arcebispo insistiu que a identidade cristã não pode ficar apenas nas aparências. “A vida cristã exige uma escolha coerente e não uma existência dividida entre referências incompatíveis”. Comparou essa situação à de alguém que tenta caminhar “com um pé deste lado da linha e o outro do outro lado”.
Para Dom Mbilingi, a vocação cristã pede compromisso claro com Cristo: “É uma ilusão seguir a Cristo, receber o Corpo e o Sangue de Cristo, estar em comunhão com Ele e, ao mesmo tempo, estar em comunhão com os demônios”.
Quem é Dom Gabriel Mbilingi
Nascido em 17 de janeiro de 1958 em Bândua, município de Andulo, na província do Bié, Dom Gabriel Mbilingi ingressou na Congregação do Espírito Santo e foi ordenado sacerdote em 1984. Nomeado bispo coadjutor de Luena em 1999, foi consagrado pelo Papa João Paulo II em 2000. Em 2009 sucedeu Dom Zacarias Kamwenho como arcebispo metropolita de Lubango.
Já presidiu a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e o Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SECAM). Seu lema episcopal e sua trajetória refletem um pastor próximo do povo, que visita presídios, doentes e comunidades, enfatizando a coerência entre fé e vida.
Contexto angolano e africano
O apelo de Dom Mbilingi dialoga com desafios históricos da evangelização na África. Em 2009, durante a visita do Papa Bento XVI a Angola, o próprio Papa alertou para o coração de muitos batizados ainda dividido entre o cristianismo e as religiões tradicionais africanas. Muitos, aflitos com problemas da vida, recorrem a práticas incompatíveis com o seguimento de Cristo, incluindo o medo de espíritos e rituais de bruxaria.
Em Angola, onde cerca de metade da população se declara católica, a convivência entre a fé cristã e elementos de religiões ancestrais (culto aos antepassados, magia e proteção contra forças maléficas) continua presente em alguns ambientes. A Igreja local tem insistido na necessidade de uma evangelização profunda que valorize o que há de positivo na cultura africana, mas rejeite o que contradiz o Evangelho.
Dom Mbilingi, em outras ocasiões, tem pedido aos sacerdotes que transmitam valores culturais e morais positivos, aliados aos valores cristãos de amor, solidariedade e respeito. Sua mensagem de 13 de setembro reforça que a fé autêntica exige escolha clara: não é possível servir a dois senhores.
O arcebispo convida, assim, todos os católicos a um exame de consciência e a um compromisso renovado com Cristo, para que a vida cristã seja coerente, sem hipocrisia e sem divisões internas. A conversão verdadeira transforma não só as palavras, mas o coração, as atitudes e as decisões de cada dia.
Com informações Aciafrique




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