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Leão XIV visita o Arquivo Apostólico e a Biblioteca do Vaticano

Papa Leão XIV inaugura a exposição “AQVA” na Biblioteca Apostólica Vaticana e destaca papel das instituições que preservam a memória da Igreja.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (14/09/2026 09:46, Gaudium Press) Nesta segunda-feira, 14 de setembro, o Papa Leão XIV inaugurou a exposição “AQVA” na Biblioteca Apostólica Vaticana, em sua primeira visita oficial ao local como pontífice. O evento marca a abertura do primeiro capítulo do ciclo quinquenal de exposição intitulado “Catástrofe e maravilha”. A iniciativa reúne o trabalho de três criadores contemporâneos — o artista JR, o tipógrafo Bill Moran e o chef Fulvio Pierangelini — e propõe uma reflexão ampla e interdisciplinar sobre os elementos naturais, vistos como espelho dos medos e das esperanças da humanidade.

Em seu discurso, o Santo Padre agradeceu a Dom Pagazzi, arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana, bem como aos responsáveis e colaboradores da Biblioteca e dos Arquivos Apostólicos, além dos benfeitores dessas instituições. Sua presença, afirmou, representa um sinal de proximidade e apreço pela missão dessas entidades, que servem ao desenvolvimento e à divulgação da cultura em benefício da Igreja e de toda a humanidade.

O Papa descreveu a biblioteca como um lugar que, à primeira vista, transmite serenidade. “Os livros são silenciosos e exigem silêncio”, observou. Ao mesmo tempo, porém, eles despertam inquietação, alimentam o desejo de conhecimento e a coragem da pesquisa. Ele citou Santo Agostinho como exemplo dessa dinâmica: o Livro das Escrituras que chegou às mãos do santo abriu o seu espírito. Ao guardar, estudar e disponibilizar os volumes do sucessor de Pedro, os profissionais da biblioteca “ajudam a Igreja e a humanidade a estar à altura da profundidade desse desejo. Sem ele, tudo se afasta do Deus vivo, fonte da verdade e do amor.”

Usando uma metáfora, Leão XIV comparou a Biblioteca Apostólica a um coração. O batimento cardíaco, símbolo da vida, resulta de dois movimentos opostos — sístole e diástole: contração e distensão, movimento em direção ao centro e à periferia. A biblioteca permanece viva na medida em que garante esses mesmos movimentos. Na dimensão da “sístole”, ela continua sendo um espaço rico em discrição, tranquilidade, respeito e cuidado. Seu ambiente quase monástico, disse o Papa, recorda diariamente a exortação do Salvador: “Se precisas construir ou combater, senta-te primeiro e estuda”.

O pontífice também ressaltou o valor inestimável do acervo. Embora valorize a digitalização e o acesso remoto, defendeu a importância de manter o gesto ancestral de se deslocar fisicamente até a biblioteca. Ela não é apenas um “banco de livros que se pode consultar comodamente do computador de casa, mas uma atmosfera composta de laços, diálogo, troca de ideias”.

Na Sala Leonina, dedicada ao Papa Leão XIII, o atual pontífice lembrou que seu predecessor soube captar os desafios dramáticos de sua época, como os decorrentes da Revolução Industrial, e promoveu avanços culturais importantes: abriu os Arquivos do Vaticano a pesquisadores de todo o mundo e ampliou o acesso à biblioteca, transformando um antigo depósito de armas na atual sala de consulta. Assim, a instituição testemunha a abertura cultural, antiga e renovada, da Igreja.

O acervo inclui obras de teologia, literatura, filosofia, astronomia, física, matemática, geografia, botânica, zoologia, medicina, história, direito, arte e economia. Não se limita a textos europeus e cristãos: abriga também escritos de outros contextos religiosos, vindos de diversas partes do mundo, e isso séculos antes de essa sensibilidade se tornar universal. Essa generosidade e abertura de espírito, afirmou o Papa, estão presentes desde suas origens humanistas.

Leão XIV destacou ainda a “diplomacia gentil” que encontra, nos documentos e livros dos Arquivos e da Biblioteca, caminhos abertos de reconciliação, como mencionados na encíclica Magnifica humanitas, quando lembra que “nas noites mais escuras, o Senhor suscita homens e mulheres capazes de não se resignarem e de perseverarem no bem”, “sustentados por uma esperança teologal que confere à realidade um horizonte e uma direção”.

Ao final, exortou: “Então, adiante! Fiéis ao passado e fiéis ao futuro, com as linguagens e os meios que lhes são próprios, encontrem novos caminhos de reconciliação”.

O Papa também chamou a atenção para a falta de espaços adequados, problema comum à Biblioteca e aos Arquivos Apostólicos. Anunciou ter dado, naquele mesmo dia, instruções para buscar soluções a essa necessidade prioritária. Por fim, expressou o desejo de continuar a tradição dos pontífices que, ao longo dos séculos, demonstraram o cuidado da Sé Apostólica com as instituições que preservam e promovem sua memória cultural e administrativa.

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