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Deus quer perdoar!

“A onipotência de Deus se manifesta, sobretudo, perdoando e praticando a misericórdia, porque, por essas ações, se mostra que Deus tem o supremo poder”.

Sagrado Coração de Jesus  Foto: Lucio César Rodrigues

Sagrado Coração de Jesus Foto: Lucio César Rodrigues

Redação (12/09/2026 18:37, Gaudium Press) Neste 24º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos apresenta uma importante atitude que devemos estar sempre dispostos a praticar ao longo de nossa vida: o perdão.

No Oriente daquela época, a justiça fundamentava-se na célebre lei de Talião: “Olho por olho, dente por dente”, isto é, o criminoso deveria sofrer o mesmo mal que havia infligido a outrem. Esta regra foi estabelecida a fim de mitigar as práticas judiciárias ainda mais severas que vigoravam até então, nas quais o dano causado pela penalidade superava a ofensa recebida. Com efeito, “as penas eram atos de vingança, e raras vezes bastava cortar a cabeça; encontramos amiúde, sobretudo na Assíria, a empalação e o esfolamento. Deixava-se insepulto o cadáver, para servir de escarmento. Para delitos de menor monta, estava na ordem do dia cortar a mão, o nariz, as orelhas, arrancar os olhos. O devedor insolvente ficava escravo perpétuo do credor, o qual podia vendê-lo ou utilizá-lo em seu serviço”.[1]

É neste contexto que São Pedro perguntou a Nosso Senhor se deveria perdoar o próximo até sete vezes (Cf. Mt 18,21). Ao dizer tal número ele julgava ter formulado uma proposta ousada, imaginando que tal quantidade seria o limite máximo do perdão. Qual não foi sua surpresa ao ouvir do Divino Mestre: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”(Mt 18,22).

Provido de caráter simbólico, o número sete significava plenitude. Assim, Nosso Senhor Jesus Cristo quis ensinar que eles deveriam estar dispostos a perdoar o próximo de modo ilimitado. “À misericórdia sempre parcimoniosa do homem, o Mestre contrapõe sua misericórdia infinita”.[2]

Devedores de uma dívida infinita

“O Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna” (Mt 18,23s).

Outras traduções especificam que tal empregado devia dez mil talentos. Ora um talento correspondia a mil diárias de trabalho, portanto tal empregado devia o equivalente a dez milhões de diárias! Ou seja, uma dívida impossível de ser paga com o mero esforço humano. Todos os homens estão representados por esse empregado, pois, sendo a gravidade da ofensa medida segundo a dignidade do ofendido e sendo Deus o ofendido – cuja dignidade é infinita –, todos os pecadores contraíram um débito infinito perante o Criador.

Deus se manifesta perdoando

Ora, tendo reconhecido sua contingência e suplicado um prazo ao patrão, o empregado recebeu muito mais do que havia pedido: o patrão, movido de compaixão, perdoou-lhe a dívida inteira! Nosso Senhor quis demonstrar, por meio desse fato, a infinita disposição de Nosso Criador em nos perdoar. Para esse fim, deixou-nos o Sacramento da Penitência. “A onipotência de Deus se manifesta, sobretudo, perdoando e praticando a misericórdia, porque, por essas ações, se mostra que Deus tem o supremo poder”.[3]

Entretanto, não basta apenas pedir perdão por nossas faltas, é necessário estar sempre dispostos a perdoar as culpas de nossos irmãos. Um matiz importante deste Evangelho é a necessidade de perdoar de coração. De nada adianta aceitarmos externamente um pedido de perdão enquanto interiormente guardamos o rancor e desejo de vingança.

Peçamos a Nossa Senhora, também chamada de “Refúgio dos Pecadores”, a graça de reconhecermos nossas faltas. Que Ela nos auxilie a obter o perdão de Seu Divino Filho e a estarmos sempre dispostos a perdoar, de coração, os nossos irmãos.

Por Kaio Calixto


[1] WEISS, Juan Bautista. História Universal. Barcelona: La Educación, 1927, v.I, p.509.

[2] CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos. Città del Vaticano: LEV; São Paulo: Lumen Sapientiæ, 2013, v.II, p.1337.

[3] SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.25, a.3, ad 3.

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