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Leão XIV: peçamos a Maria o seu Bom Conselho para acolhermos a Palavra divina

O Papa Leão XIV celebrou missa no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho em Genazzano, Itália, na véspera da Natividade de Maria.

Foto: Vatican Media

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Redação (07/09/2026 15:49, Gaudium Press) Na véspera da festa litúrgica da Natividade da Virgem Maria, o Papa Leão XIV dirigiu-se, nesta segunda-feira, no final da tarde, ao Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano. O local, de tradição agostiniana, já havia sido visitado pelo Pontífice dois dias após sua eleição ao trono de Pedro, em maio de 2025.

Foto: Vatican Media

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Chegando de papamóvel e recebido por numerosos fiéis, o Santo Padre foi acolhido pelos religiosos agostinianos e pelo bispo de Tívoli-Palestrina. Em seguida, assistiu à inauguração de um afresco com sua efígie no interior da igreja do santuário. Depois, recolheu-se em oração diante da imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, depositando uma rosa de ouro perante o ícone ali venerado.

pintura papa

O Papa presidiu a celebração eucarística e, na homilia, expressou a alegria de retornar ao local logo no início de seu pontificado. “É com alegria que estou novamente aqui, para celebrar com vocês a Vigília da Natividade da Bem-Aventurada Virgem e para confiar a Maria Menina tudo o que ainda nasce nesta pobre, mas magnífica, humanidade: frágil como uma semente, mas sinal da fidelidade de Deus”, afirmou. Em seguida, convidou os fiéis: “Peçamos a ela o seu Bom Conselho, para acolhermos a Palavra divina, guardá-la dentro de nós e trazê-la à luz por meio de decisões corajosas e sábias, de uma conversão autêntica”.

Inspiração em São Tomás de Villanova

O Pontífice baseou grande parte de sua reflexão nos escritos de São Tomás de Villanova, religioso agostiniano. Segundo o Papa, o santo “soube ver o paradoxo da pequenez e, por assim dizer, da marginalidade de Maria, colocada no centro da economia da salvação”. Leão XIV destacou ainda o fato de as Escrituras relatarem de maneira tão sucinta a história da Virgem Maria. “Como deve ter sido o nascimento de uma menina na época de Joaquim e Ana? Refleti muitas vezes”, escreve São Tomás de Villanova, “e perguntei-me por que os evangelistas, que falaram tão extensamente de São João Batista e dos apóstolos, nos contam de forma tão sucinta a história da Virgem Maria, que supera todas as outras em sua experiência e estatura pessoal. Por que, pergunto, não nos foi contada a sua concepção, o seu nascimento, a sua educação, os seus hábitos, as virtudes que a adornavam, a relação humana que tinha com o seu filho, como se relacionava com ele, como vivia com os apóstolos após a sua ascensão? Todas essas coisas eram importantes, e os fiéis as teriam lido com singular devoção, e teriam agradado ao povo comum. Ó evangelistas, eu me dirijo a vós! Por que nos privastes de tamanha alegria com o vosso silêncio? Por que omitistes detalhes tão alegres, tão aguardados, tão agradáveis?”.

As palavras de São Tomás, observou o Papa, oferecem uma indicação importante para a fé: “interrogar a Escritura e seus autores, discutir com o texto e dialogar com as testemunhas da Revelação, como com amigos. Somos, de fato, ‘concidadãos dos santos e membros da família de Deus’, e da própria Maria aprendemos a inteligência que conversa com Deus, que faz perguntas e interpreta os acontecimentos, guardando-os e conectando-os no coração.”

De acordo com São Tomás de Villanova, os evangelistas “permaneceram em silêncio sobre ela, pela simples razão de que a glória da Virgem estava toda nela, e podia ser imaginada em vez de descrita, e que, como resumo da sua história, o que está expresso no título é suficiente: que Jesus nasceu dela”.

O Evangelho segundo Mateus, prosseguiu o Santo Padre, parece confirmar, por seu silêncio, a intuição do santo agostiniano: o texto relata a presença de Maria, mas não registra nenhuma de suas palavras. “O simples fato de Maria estar ali – e de seu Filho estar nela – faz avançar toda a história: a de José e de toda a sua casa. A presença de Maria provoca como um salto na genealogia, como uma novidade inesperada, capaz de modificar não apenas as expectativas, mas também os comportamentos previsíveis de um homem”.

E acrescentou: “O que José ouve, o que decide e o que faz é, de fato, uma resposta a Deus e à presença de Maria, à sua diferença absoluta, que ultrapassa todo discurso possível e toda narrativa. Em Maria, a salvação encontra sua morada: Deus conosco!”.

Foto: Vatican Media

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Ver a obra de Deus e servi-la

“Caros irmãos e irmãs, somos tomados por um sentimento de vertigem diante deste Mistério: é impossível acostumar-se a ele! Celebramos o nascimento de uma menina chamada a tornar-se a Mãe de seu Criador, a Mãe de Deus que salva”, sublinhou Leão XIV. “No entanto, ela nasce simplesmente uma menina, como as filhas e netas que seguramos em nossos braços. Hoje lhe atribuímos títulos nobres e elevadíssimos, os de Senhora e de Rainha, mas o caminho de Deus foi e continua sendo mais simples e mais silencioso, sem deixar de ser menos poderoso nem menos transformador”. Assim como Maria, “também nós somos predestinados a ser conformes à imagem do Filho”.

São Tomás nos convida a esse maravilhoso exercício de imaginação. E observa: “O Espírito Santo não a descreveu por escrito, mas esperou que você a pintasse interiormente”.

Das descrições discretas e silenciosas da Virgem nas Escrituras, recordadas por São Tomás de Villanova, o Bispo de Roma extraiu um ensinamento: “na oração contemplativa toma forma aquilo que o mundo não nos conta, mas que já existe; aquilo que ainda é invisível, mas que, em si mesmo, possui um novo tipo de força. Não se trata de fantasia, mas de profecia. Precisamos disso, em tempos de destruição e incerteza, para ver a obra de Deus e servi-la”.

O Papa concluiu a homilia recordando a oração de abertura da Missa, na qual se pede a Maria “que a festa de seu nascimento faça crescer em nós a paz”. “Deixemos a paz crescer em nós. Ela germinará no mundo. E a Mãe do Bom Conselho nos acompanhará nesta missão”.

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