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Leão XIV no Ângelus: a dívida do amor mútuo

O Papa Leão XIV refletiu sobre as duas maneiras pelas quais Jesus convida os cristãos a praticar o amor mútuo: correção fraterna e chegar a um acordo.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (06/09/2026 11:06, Gaudium Press) No Angelus deste domingo, 6 de setembro, na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV ofereceu uma reflexão profunda sobre os critérios fundamentais de pensamento e ação presentes no capítulo 13 da Carta de São Paulo aos Romanos e no Evangelho do dia. A partir da afirmação paulina “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13, 9), o Pontífice insistiu em um ponto central: “Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros” (Rm 13, 8).

Jesus, lembrou o Papa, “ensinou-nos a suplicar e a praticar a remissão das dívidas”. Existe, no entanto, “um patrimônio que devemos uns aos outros, sem ficarmos presos a ele: é a dívida do amor mútuo”. E acrescentou: “Toda a atenção, cuidado e bem que recebemos tornam-nos mais livres e capazes de assumir responsabilidades”.

Liberdade na caridade: a correção fraterna

No Evangelho, Jesus sugere às comunidades cristãs pelo menos duas maneiras concretas de viver esse amor mútuo. A primeira é a abertura à correção fraterna. O Papa descreveu-a como “uma arte delicada e, muitas vezes, esquecida, que exige franqueza e gradualidade”.

Falar uns com os outros com sinceridade — “primeiro a sós; depois, se necessário, com mais duas ou três pessoas; e, por fim, quando for preciso, com toda a comunidade” — significa “enfrentar a realidade e transformar problemas e conflitos em oportunidades de crescimento”. As queixas e as calúnias, advertiu, “são mais fáceis, mas não produzem nada e paralisam muitas situações”. O Evangelho, ao contrário, “educa-nos para a liberdade, na caridade”.

Unidade na oração e no perdão

A segunda forma de amar fraternalmente consiste em “chegar a um acordo”. Não apenas em situações de conflito, mas também para pedir a Deus uma graça. O Papa citou as palavras de Jesus: “Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão de obtê-la de meu Pai que está no Céu” (Mt 18, 19).

Essa promessa, explicou Leão XIV, “sugere que podemos ter desejos comuns, dores comuns, esperanças comuns e, através da oração, crescer na unidade”. Sem a fé, cada um poderia sentir-se sozinho e desconfiar dos outros, “vendo-os como estranhos e inimigos”. Pela graça, porém, “somos, pelo contrário, irmãos e irmãs que podem estar unidos: encontrando-nos, perdoando-nos e ouvindo-nos uns aos outros no Senhor”.

Ao final, o Papa convidou os fiéis a pedirem a Maria, “que após o anúncio do anjo se apressou a ir ter com a sua prima Isabel, para partilhar a alegria e o cansaço da gravidez”, que nos ensine também “a dívida alegre do amor fraterno”.

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