Princesa Diana: o terço de Madre Teresa que a acompanhou na última despedida
Um rosário presenteado por Madre Teresa de Calcutá teria acompanhado a princesa Diana até o fim, como lembrança de uma amizade que surgiu apesar das diferenças entre suas vidas e religiões.

Foto: screenshot/ Facebook
Redação (03/09/2026 09:50, Gaudium Press) A Princesa Diana e a Madre Teresa de Calcutá pertenciam a mundos extremamente diferentes. Uma era uma princesa britânica, membro da Igreja da Inglaterra, constantemente exposta à atenção global da mídia. A outra era uma religiosa católica albanesa que dedicou décadas de sua vida ao serviço dos mais pobres entre os pobres nas ruas de Calcutá e em diversas partes do mundo. Apesar das diferenças de status, religião e estilo de vida, entre elas nasceu uma amizade sincera e profunda, que se manteve até os últimos meses de vida de ambas. Um dos detalhes mais emocionantes dessa relação é o rosário que a Madre Teresa presenteou a Diana e que, segundo vários relatos, foi colocado entre as mãos da princesa durante o funeral e o enterro.
Diana morreu em 31 de agosto de 1997, aos 36 anos, após sofrer ferimentos graves em um acidente de carro em Paris. Seu funeral solene ocorreu em 6 de setembro na Abadia de Westminster, diante da família real britânica, personalidades internacionais e centenas de milhares de pessoas que lotaram as ruas de Londres. De acordo com o jornalista e escritor Jonathan Mayo, que reconstruiu detalhes dos últimos momentos de Diana por ocasião do 20º aniversário de sua morte, em 2017, a princesa foi enterrada com alguns objetos pessoais significativos: um rosário dado por Madre Teresa e uma fotografia de seus filhos, os príncipes William e Harry.
Segundo o relato, o rosário permanecia no apartamento de Diana no Palácio de Kensington. O antigo mordomo da princesa, Paul Burrell, o encontrou colocado sobre uma pequena imagem (relatos variam entre a Virgem Maria e Jesus Cristo). Após o acidente, Burrell recebeu a tarefa de levar ao hospital em Paris alguns objetos pessoais importantes para Diana. Entre eles estava precisamente o rosário. O motorista da princesa, Colin Tebbutt, entregou o objeto a uma enfermeira e pediu que o colocasse nas mãos de Diana. Junto a ela também foi posicionada a fotografia dos dois filhos, que ela costumava carregar na bolsa. Esse detalhe ganha um significado especial porque Diana não era católica: pertencia à Igreja da Inglaterra e fora criada na tradição anglicana. O rosário, portanto, não simbolizava uma conversão ou filiação à Igreja Católica, mas o vínculo pessoal e espiritual que ela construíra com a Madre Teresa e o valor que atribuía àquele presente.
Uma amizade que começou em Roma
Diana e Madre Teresa se conheceram em Roma, em fevereiro de 1992, durante uma visita da princesa a uma casa das Missionárias da Caridade. O encontro havia sido planejado anteriormente em Calcutá, mas precisou ser adiado porque a religiosa estava doente. Em Calcutá, no entanto, Diana visitou a comunidade, conheceu as freiras e as crianças doentes, rezou descalça com elas na capela e viveu o que seu mordomo Paul Burrell descreveu mais tarde como um “despertar espiritual” profundo. A princesa teria dito que as freiras eram “anjos enviados à Terra” e que aquilo mudara sua vida para sempre, dando-lhe um sentido mais claro para sua atuação humanitária.
O encontro presencial com a própria Madre Teresa ocorreu finalmente em Roma. Segundo relatos de quem estava presente, as duas conversaram a sós por cerca de meia hora no quarto particular da religiosa e depois rezaram juntas na capela, pedindo para ficar “sozinhas com Jesus”. Meses depois, voltaram a se encontrar em Londres, em setembro de 1992. A partir de então, mantiveram contato e se viram em outras ocasiões.
Apesar das diferenças, compartilhavam uma preocupação profunda com as pessoas que sofriam e frequentemente ficavam à margem da atenção pública. Diana usou sua enorme influência internacional para chamar a atenção para causas sociais: pessoas com HIV/AIDS (em uma época de grande estigma), crianças necessitadas e, especialmente, as vítimas de minas terrestres. A Madre Teresa, por sua vez, havia transformado o serviço aos “mais pobres entre os pobres” no centro de sua vida religiosa. Essa preocupação comum fortaleceu a relação entre elas. A princesa chegou a doar uma casa às Missionárias da Caridade em Washington, D.C., destinada a mulheres grávidas solteiras que buscavam apoio.
O último encontro em Nova York
A última reunião conhecida entre as duas ocorreu em 18 de junho de 1997, apenas algumas semanas antes da morte de Diana, em uma casa das Missionárias da Caridade no Bronx, em Nova York. Relatos da época descrevem que ambas rezaram juntas, se abraçaram, se beijaram e se despediram com carinho. A Madre Teresa, então com 87 anos e enfrentando sérios problemas de saúde, abençoou Diana. A princesa ajudou a religiosa frágil a descer os degraus do convento. O encontro durou cerca de 40 minutos. Ninguém imaginava que aquela seria a última vez que se veriam.
Diana morreu em 31 de agosto de 1997. Seis dias depois, em 5 de setembro, faleceu a Madre Teresa em Calcutá, aos 87 anos, após anos de problemas cardíacos e outros. A morte da religiosa ocorreu apenas um dia antes do funeral de Diana. Enquanto milhões de pessoas se preparavam para se despedir da princesa em Londres, o mundo recebia também a notícia do falecimento da monja que havia compartilhado com ela uma amizade tão improvável.
Ao saber da morte de Diana, Madre Teresa enviou uma mensagem de condolências: “Ela estava muito preocupada com os pobres. Estava muito ansiosa para fazer algo por eles, e isso era lindo. Por isso ela estava próxima de mim.”
O terço nas mãos de Diana durante o enterro se tornou, com o passar dos anos, um dos detalhes mais emotivos associados à sua relação com a Madre Teresa. Não foi um elemento público destacado no funeral, mas um objeto pessoal escolhido para acompanhá-la junto à fotografia dos filhos. A história também lembra que a relação entre elas não se baseava apenas em encontros públicos ou fotografias. Houve momentos de oração, conversas íntimas e gestos pessoais que refletiam o afeto genuíno.
Madre Teresa (canonizada como Santa Teresa de Calcutá pelo Papa Francisco em 2016) e a Princesa Diana, a “princesa do povo”, encontraram pontos em comum na preocupação com o sofrimento humano. Uma anglicana e uma católica, uma figura da realeza e uma religiosa de vida austera, mostraram que a compaixão e o desejo de aliviar a dor do próximo podem unir pessoas dos mundos mais distantes. O rosário que a religiosa deu à princesa e que a acompanhou em seu último adeus permanece como um símbolo silencioso, porém poderoso, dessa amizade singular.
Com informações ChurchPop





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