“Entra”: o chamado inesperado que levou Isabel Gómez à fé católica
Seu regresso à fé não ocorreu de um dia para o outro. Foi um processo lento, marcado por pequenos acontecimentos que foram abrindo uma brecha nas certezas que ela havia construído durante anos.

Foto: CatolicoActivo
Redação (01/09/2026 09:19, Gaudium Press) Durante anos, Isabel Gómez esteve convencida de ter deixado definitivamente para trás a fé católica. Professora e vinculada por um tempo à política de esquerda, perdeu completamente suas crenças durante a passagem pela universidade pública catalã. Chegou inclusive a participar brevemente como candidata da CUP (Candidatura d’Unitat Popular), formação anticapitalista e independentista, chegando a encabeçar a lista da legenda para a prefeitura de Terrassa, nas eleições municipais de 2007.
Nada fazia pensar, naquela época, que ela terminaria regressando à Igreja. No entanto, dois acontecimentos aparentemente independentes começaram a remover, aos poucos, aquelas convicções: o nascimento de seu filho e uma entrada inesperada na catedral de Terrassa. Isabel contou sua história de conversão em entrevista ao jornalista Javier Navascués, publicada originalmente na InfoCatólica. Seu regresso à fé, explica, não ocorreu de um dia para o outro. Foi um processo lento, marcado por pequenos acontecimentos que foram abrindo uma brecha nas certezas que ela havia construído durante anos.
O primeiro impacto: as batidas do coração do filho
A primeira grande mudança chegou com a maternidade. Durante a primeira ultrassonografia, quando mal completava oito semanas de gravidez, Isabel ouviu pela primeira vez as batidas do coração de seu filho. Aquele som produziu nela um grande impacto. “Aí começa a mudar tudo. Minha conversão lenta começa naquele instante, graças a Deus e através do meu filho”, recorda.
Aquela experiência transformou especialmente sua maneira de compreender a vida humana. Até então, ela se situava longe das posições da Igreja a respeito do aborto. Escutar o batimento cardíaco do próprio filho fez com que começasse a questionar muitas de suas ideias. A possibilidade de que a lei permitiria terminar com a vida daquele menino cujo coração acabava de ouvir lhe produziu horror.
A gravidez também não foi simples. O pequeno nasceu prematuramente, com apenas 1,6 quilo, e precisou permanecer em uma unidade neonatal. Aqueles dias reforçaram ainda mais em Isabel a consciência do valor daquela vida que havia começado a crescer dentro dela. Em declarações posteriores, ela resumiu o efeito da maternidade de forma direta: “Ser mãe me demonstrou que o feto é um ser vivo”. Esse entendimento a afastou progressivamente de posturas anteriores e gerou atritos com antigos companheiros de militância, que passaram a criticá-la.
Mas aquela mudança ainda não significou o regresso pleno à Igreja. O processo interior continuava de forma silenciosa.
O chamado diante da catedral
Passaram-se os anos e aquela busca interior prosseguiu, embora Isabel ainda não fosse plenamente consciente de para onde estava sendo conduzida. O momento decisivo ocorreu em um sábado, enquanto ela passeava sozinha por Terrassa. Ao passar diante da catedral (a Catedral do Espírito Santo, elevada a essa dignidade em 2004), ouviu uma palavra que, segundo relata, foi clara e direta: “Entra”.
Sua primeira reação foi ignorá-la e continuar caminhando. Não queria entrar. No entanto, aquela voz voltou a se repetir: “Entra”. Finalmente, Isabel decidiu obedecer. Entrou na catedral sem saber muito bem o que esperava encontrar. Para sua surpresa, naquele momento estava sendo celebrada a Santa Missa.
Sentou-se no último banco. Não conhecia praticamente o desenvolvimento da celebração nem sabia o que estava ocorrendo ao seu redor. Havia passado de se sentir completamente afastada da fé a encontrar-se, quase sem procurá-la, dentro de uma igreja e participando de uma Missa. Aquele instante se converteria em outro dos grandes pontos de inflexão de sua história.
Um processo preparado em silêncio
Olhando agora para trás, Isabel compreende que sua conversão não começou realmente naquele dia em frente à catedral. A entrada na igreja foi, antes, o ponto culminante de um processo que Deus vinha preparando silenciosamente. Primeiro foi aquele batimento cardíaco ouvido durante uma ultrassonografia. Depois, o nascimento prematuro de seu filho e a experiência de contemplar sua fragilidade. E, finalmente, aquela palavra inesperada em frente à catedral: “Entre”.
O que durante anos havia parecido uma ruptura definitiva com a fé começou a se converter em um caminho de regresso. A história de Isabel Gómez mostra assim que uma conversão nem sempre chega acompanhada de um acontecimento extraordinário ou de uma experiência repentina. Às vezes começa com algo tão simples como escutar o coração de um filho, fazer-se perguntas que antes pareciam desnecessárias ou responder a um chamado interior que convida simplesmente a entrar.
Seu testemunho ilustra como a graça pode atuar de forma gradual, respeitando a liberdade humana e utilizando as circunstâncias ordinárias da vida — a maternidade, a fragilidade de um bebê prematuro, um passeio de sábado — para reabrir caminhos que pareciam fechados. De professora e militante de esquerda a mulher que reencontrou a fé católica, Isabel Gómez encarna um percurso de conversão lenta, marcada pela graça de Deus que nunca deixa de chamar.





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