Ângelus: nunca julgue a obra de Deus
No Ângelus, em Castel Gandolfo, Leão XIV pediu aos fiéis que soubessem cultivar a docilidade, ao aceitar o que Deus nos pede para além das nossas expectativas.

Foto: Vatican Media
Redação (30/08/2026 12:34, Gaudium Press) Neste domingo, 30 de agosto, o Papa Leão XIV presidiu a oração do Ângelus na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, e comentou o Evangelho do 22º Domingo do Tempo Comum (Mt 16,21-27). O Pontífice refletiu sobre a reação de Pedro à revelação de Jesus sobre o Mistério da sua Páscoa iminente e extraiu duas lições fundamentais para a vida de fé de todos os cristãos.
Jesus anunciou aos discípulos que o Messias deveria “ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar” (Mt 16,21). Essas palavras, destacou o Papa, estavam “muito longe das expectativas deles de um Messias triunfante e poderoso, com cuja ajuda derrotariam e esmagariam os inimigos”.
Pedro, que pouco antes havia professado: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo” (Mt 16,16), reagiu com surpresa e, talvez, decepção. Ele repreendeu Jesus: “Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!” (v. 22). Segundo a interpretação de Leão XIV, o apóstolo parecia dizer: “Sim, acredito que és o Messias, mas não é assim que se salva o mundo”. Era um impulso de zelo, animado por amor sincero, mas que convida à reflexão.
O Papa reconheceu que “também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”. Nesses momentos, surge a tentação de pensar “que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”.
Apesar de sua impulsividade, Pedro ensina duas coisas importantes. A primeira: “nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor; pelo contrário, manifestar-Lhe com confiança até mesmo a nossa dificuldade em compreender o que Ele nos pede”. A segunda: “nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar através da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas”.
Jesus respondeu com firmeza: “Afasta-te, Satanás!” (v. 23), e explicou que, para seguir suas pegadas, é preciso negar-se a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-Lo. Pedro acolheu o desafio e permaneceu fiel a Cristo — a quem reconheceu como seu Redentor — “durante toda a sua vida, até ao martírio”.
Por isso, o Papa convidou os fiéis a pedirem ao Senhor a graça de terem “a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas”.
Leão XIV concluiu a reflexão confiando a Nossa Senhora: “Que Maria nos ajude, ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus”.




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