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Visita de Dom Gallagher à Rússia termina: pontes foram construídas e não devem ser ignoradas

O ministro das Relações Exteriores do Vaticano também se reuniu com a comunidade católica, à qual pediu que fosse construtora de pontes.

Mons. Paul Richard Gallagher – Foto: Wikipedia

Mons. Paul Richard Gallagher – Foto: Wikipedia

Redação (28/08/2026 15:10, Gaudium Press) Encerrou-se nesta sexta-feira a visita oficial do arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais da Santa Sé, à capital russa. A missão diplomática, realizada entre 24 e 28 de agosto, consolidou-se como a iniciativa de mais alto nível do pontificado de Leão XIV no esforço de mediação da guerra na Ucrânia.

A presença de Gallagher em Moscou ganhou ainda maior projeção por coincidir, em parte, com a viagem discreta do diretor da CIA, John Ratcliffe, ao país. O chefe da inteligência norte-americana esteve cerca de oito horas em solo russo, a bordo de um avião militar, e manteve contatos com interlocutores dos serviços de segurança russos, sem encontrar o presidente Vladimir Putin, segundo o Kremlin.

Durante a estada, Gallagher conduziu uma agenda densa. No dia 25, reuniu-se por mais de uma hora com o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov, na presença do núncio apostólico Giovanni d’Aniello. Em coletiva de imprensa, o prelado vaticano foi direto: “Que fique claro: esta guerra deve terminar”. Afirmou que o conflito “não pode ser resolvido por meios militares” e reiterou o apelo do Papa Leão XIV por “negociações autênticas” com apoio internacional.

Lavrov agradeceu a postura “equilibrada” da Santa Sé e classificou as relações entre a Rússia e o Vaticano como “de confiança, amistosas e pragmáticas”. Os dois lados discutiram ainda iniciativas humanitárias, incluindo a questão dos menores e trocas de prisioneiros.

No dia seguinte, Gallagher encontrou-se com Yuri Ushakov, assessor de política externa de Putin — o que lhe permitiu transmitir mensagens diretamente ao círculo mais próximo do presidente russo. O encontro reforça a percepção de que a visita não se limitou a gestos protocolares.

A dimensão ecumênica também ocupou espaço central. Após receber de Lavrov um dossiê sobre alegados ataques à Igreja Ortodoxa Ucraniana ligada a Moscou, o arcebispo visitou a Catedral de Cristo Salvador, principal templo do Patriarcado de Moscou, e conversou com o metropolita Antônio de Volokolamsk, responsável pelas relações externas da Igreja ortodoxa russa.

No penúltimo dia, Gallagher dedicou-se à pequena comunidade católica russa. Reuniu-se com o clero e religiosos e presidiu Missa na Catedral da Imaculada Conceição, em Moscou. Em sua homilia, insistiu que a Igreja deve ser “construtora de pontes” e “artífice da paz no cotidiano”, sem abrir mão da própria identidade. Transmitiu ainda a saudação afetiva do Papa Leão XIV.

A última visita de Gallagher à Rússia ocorrera em novembro de 2021, antes da invasão em larga escala da Ucrânia. A atual missão ocorre semanas após sua passagem por Kiev, em julho, e se insere no esforço contínuo do Vaticano de manter canais abertos com ambas as partes do conflito, já no quinto ano.

Analistas observam que, no atual cenário internacional, poucos líderes detêm a mesma capacidade de interlocução com Moscou que a Santa Sé. A mensagem transmitida por Gallagher parece clara: a Rússia precisa oferecer gestos concretos em favor de uma paz que não seja humilhante, mas generosa e sustentável. O relógio segue correndo, e o Vaticano reitera sua disposição de colocar seus bons ofícios a serviço do diálogo.

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